Webquest Metodologia

Olá a todos

 

Usaremos, hoje, uma metodologia educacional: a webquest, criada pelo norte-americano Bernie Dodegepara guiar sua pesquisa na Internet de forma mais eficiente e com informações seguras. O próprio criador da metodologia a definiu: “Webquest é uma atividade investigativa, em que alguma ou toda a informação com que os alunos interagem provém da Internet.”

 

 

Nossa atividade de hoje irá auxiliar no processo de produção de trabalhos acadêmicos, principalmente os trabalhos finais.

 

 Você já ouviu falar em ABNT, metodologia científica, e outros termos assim, mas eles sempre foram aqueles estranhos para os quais você virava as costas? Este tempo acabou. Mesmo que sua escolha ou no seu curso o trabalho final não seja o texto monográfico, seus relatórios e mesmo o projeto exigem rigor na metodologia de sua escritura.

 

Nesta webquest, vamos trabalhar com este tema. Seja bem-vindo ao mundo da METOD­OLOGIA CIENTÍFICA para produzir e escrever relatórios, artigos científicos, projetos ou mesmo, o artigo (TIC) ou a monografia.

 

Processo

Percorra junto comigo os sites que recomendo conforme o texto se desenrola. Para fazê-lo, é só clicar nos hiperlinks que estão destacados. Esta etapa é individual, pois a leitura fica mais proveitosa. Se não houver computadores para todos, leia em duplas.

Ao final, do texto, execute a tarefa solicitada, desta vez em duplas ou, no máximo, trios.

 

Agora vamos em frente

 

Vimos em sala de aula que toda atividade científica pressupõe o uso de um método. Você lembra quais as razões para que os métodos existam?

http://crazyseawolf.blogspot.com/2008/05/como-conquistar-uma-mulher-usando-o.html

 

Desta forma, você deixa claro o que pretende e chega com mais firmeza onde quer. Evitam-se distorções intencionadas ou não. Na história, muitos usaram o nome da Ciência para outros fins.

http://super.abril.com.br/superarquivo/2006/conteudo_127934.shtml

 

http://educaterra.terra.com.br/voltaire/mundo/eugenia2.htm

 

Não é o nosso caso. Aqui vamos justificar o que faremos e redigir dentro das normas.

http://www.capitalsocialsul.com.br/capitalsocialsul/arquivos/mt/M%E9todos%20e%20t%E9cnicas%20de%20pesquisa%20tipos%20de%20pesquisa%20e%20t%E9cnicas%20de%20investiga%E7%E3o%20cient%EDfica.ppt

 

(Em outro momento, quando tiver um tempinho, consulte este material: http://docente.ifrn.edu.br/valcinetemacedo/disciplinas/metodologia-do-trabalho-cientifico/e-book-mtc)

 

Mesmo que seu caso não seja fazer um artigo ou a Monografia, você terá de escrever um relatório de trabalho e antes disso, um projeto.

Terá, ainda, de apresentar seu trabalho em uma banca.

Aqui vão algumas dicas

http://www.virtual.epm.br/cursos/apresentacao/apresentap.htm

 

Antes de escrever ou mesmo de pesquisar, costuma-se dizer que o grande problema é: escolher e definir o problema de pesquisa. Mas isso será assunto para nossas próximas aulas.

 

Tarefa/Avaliação de hoje:

 

Tarefa 1: Com base nas leituras feitas até aqui e nas discussões de sala, explique o que é método científico. (5 a 10 linhas). Além disso, indiquei um link confiável, diferente dos sugeridos aqui, que também traga essa explicação.

 

Tarefa 2: Escolha um tipo de pesquisa (documental, bibliográfica, de campo, experimental, etc), explique-a (5 a 10 linhas) e inclua um link com obra disponível no Google books: http://books.google.com.br/ que faça algum tipo de explicação sobre ela bem como um link de texto que a aborde a partir de consulta no Google acadêmico: http://scholar.google.com.br/

 

Vocês devem postar a atividade no portifólio do ambiente Sophia até às 11h30 ou mandar para vmichela@gmail.com

 

Medos e superações

O que Blumenau aprendeu com a tragédia de 2008

Vista área do Parque Vila Germânica, afetado pela tragédia de 2008

Felipe Adam

Desde que o blumenauense nasce, aprende a conviver com o rio. É só chover um pouco mais forte que o cidadão espia se ele já encheu. Desde 1850, ano da fundação da cidade, o Itajaí-Açu se mostrou como o primeiro meio de comunicação: “Pelo relevo ser acentuado no Vale do Itajaí, a única forma de ligação com o planalto era o rio Itajaí-Açu”, conta Beate Frank, Doutora em Engenharia de Produção e integrante do Comitê da Bacia do Rio Itajaí, onde gerencia os recursos hídricos. Mais tarde, a importância econômica se tornou evidente devido à geração de energia e às futuras instalações de indústrias.

Em 161 anos, Blumenau sofreu com 70 enchentes, média de uma a cada dois anos e meio. A última, de setembro de 2011, reforçou o que se percebe a cada vez que o Vale é assolado por uma cheia: o poder da natureza. Desta vez, foram doze metros e oitenta centímetros, a maior enchente dos últimos 25 anos. As cotas do rio foram ultrapassadas e ruas, como a 1º de Janeiro, a primeira via inundada na cidade, recebeu a força das águas com 7,50m na parte mais baixa, quando o estipulado eram oito metros. O rio Itajaí-Açu mais uma vez mostrou a sua força e despertou o medo da população.

Galeria pluvial danificada na entrada da cidade em 2008

A história da família de Luiz Carlos Guimarães pode resumir esse transtorno. Como reside a 720 metros do início da rua, pegou as enchentes quando o rio alcançava a cota de 10,50m. Desta vez, foi surpreendido aos 10m. Guimarães, de 49 anos, dependia da oficina informal de máquina de lavar roupa que possui na frente de casa para se sustentar: “Levantei os móveis. Mas, mesmo assim não deu. Foram 2,80m dentro de casa, até o forro”. Luiz mora com a esposa e os três filhos: um de 14, outro de 11 e mais um de seis. Também conta que possuía 15 máquinas pra vender que acabou não recuperando “Foram todas pra sucata. As minhas também. Não convinha recuperar”.

Sobre uma possível mudança de local, Guimarães acredita que se deve analisar outros fatores: “A cada dois anos se tem enchente. É apenas um período, depois logo está bom”. O morador estuda algo diferente “A ideia é fazer um segundo piso. Amenizaria o sofrimento. Mas, enquanto não se tem dinheiro, é preciso esperar”.

Para se ter uma resposta rápida, é necessário ter experiência na ocasião. E Blumenau demonstrou rapidez na forma como conduziu a recuperação, tanto na administração da cidade como na força de seu povo.

Em uma semana, tudo estava limpo. Assim como a casa de Luiz. A casa ficou dois dias embaixo d’água e logo que foi baixando, aproveitou para lavar a casa. Mas, em alguns pontos, a prefeitura pecou. A falta de um monitoramento moderno e uma medição automática foram os principais problemas apontados. A administração se defende e diz que elaborou, em 2009, um projeto que compreende 30 estações pluviométricas, um radar e uma estação meteorológica automática, já encaminhado ao Ministério das Cidades e chamado de “Sistema AlertaBlu”. Porém, não obteve retorno do Governo Federal.

Luiz é um entre tantos exemplos de famílias que foram atingidas pela enchente. As perdas foram grandes e o prazo determinado para recuperação é de um ano. Apesar das incertezas da população, Blumenau conseguiu aprender com os erros e tirou certas lições da tragédia de 2008.

Vídeo: William Bonner apresenta o Jornal Nacional direto de Blumenau, no dia 27/11/2008

Estudos geológicos orientam ocupação segura

Setembro de 2008. O Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR) ficou pronto após um estudo detalhado de dois anos. Entretanto, não chega a ser posto em prática: “O evento de novembro reforçou e apresentou uma realidade muito maior”, afirma Maurício Pozzobon, gerente de estudos geológicos da Prefeitura Municipal de Blumenau. Após a tragédia, Blumenau foi pioneira em nível nacional e criou o departamento de Geologia “O primeiro passo é aqui. A única forma de reduzir riscos é planejando”. Com uma equipe de nove pessoas, o departamento de Geologia controla o uso e ocupação dos solos, orientado pelo artigo 3º do decreto nº 9151, de 12 de abril de 2010, em que identifica as Áreas de Risco Geológico “O grande problema é a ocupação inadequada e intensiva nas encostas”, explica Pozzobon.

Pozzobon (azul) conversa com equipe de Geologia

A mesma ideia é defendida pelo geólogo Juarês José Aumond. Mestre em Geografia e Doutor em Engenharia Civil, Aumond afirma que 82% das mortes na tragédia de 2008 foi resultado da má ocupação: “Era uma tragédia contada com antecedência. A cada ano se torna mais frequente e mais intenso”. Para o geólogo, a prefeitura de Blumenau recebeu pouco dinheiro do Governo Federal e afirma que os grandes responsáveis pelas obras inadequadas são o Dnit e Deinfra: “Ocorreram duas tragédias. A primeira em 2008; a segunda, com as obras mal feitas”.

O prefeito de Blumenau, João Paulo Kleinübing, diz que o Governo Federal prometeu certa quantia ao estado e que SC é quem deveria repassar o valor aos municípios atingidos: “Nem acho que viria tanto. Creio e defendo que seja sempre o município o gestor do dinheiro, e não o estado. Só a prefeitura gastou 60 milhões de reais e na época, possuía uma boa situação financeira”. Juarês ainda explica que a prefeitura de Blumenau “está na frente”, por fazer as obras mais adequadas e impedir novas áreas de risco “A gente acha que pode mexer no rio. Não é ele que está errado, e sim a gente que ocupa indevidamente. Devemos adaptar a engenharia e a arquitetura ao modelado do terreno”. Kleinübing reforça a ideia do geólogo Aumond: “Aprendi com esta tragédia, de que se deva respeitar a natureza, pois um dia ela cobra a conta”.

Devido à aplicação correta do dinheiro, a cidade também virou referência nacional. “É impressionante a distância que Blumenau tem em relação a outras cidades do país”, destaca Beate Frank. Nos dias 21, 22 e 23 de setembro de 2011, Blumenau foi convidada a participar do VIII Fórum Nacional de Defesa Civil, realizado em Maceió (AL). No início deste ano, o Sistema Nacional de Defesa Civil criou um conselho e escolheu três cidades do país para trazer informações e criar mecanismos de defesa em âmbito nacional: Palmas (TO) foi encarregada pelos incêndios florestais; Lagoa Seca (PB) seria analisada pelas eventuais secas e Blumenau (SC) por ensinar sobre inundações e deslizamentos. A cidade catarinense também poderá servir como base para um simulado de alerta no mês de novembro deste ano. Em maio, o Sistema Nacional de Defesa Civil fez, em Salvador (BA), uma espécie de dispositivo para treinar a população contra possíveis transtornos climáticos. Blumenau já fez esse teste em três oportunidades: 2004, 2005 e 2006, sempre na Semana Municipal de Defesa Civil, realizado no mês de julho. O secretário José Egídio de Borba explica: “É um exercício interessante que visa treinar a população para enfrentar situações contraditórias”.

Áudio: Prefeito João Paulo Kleinübing afirma que experiências anteriores ajudaram no crescimento em 2008

Fiscalização é intensa nas áreas consideradas de risco

Há 4,7 km do Centro de Blumenau, encontra-se a rua Caiena. Localizada na região conhecida como “Toca da Onça”, essa via abriga, aos fundos, um morro constituído por aproximadamente 380 degraus e mais 30 improvisados. É ali, há seis anos, que o tecelão Flavio Damaratto reside, juntamente com a esposa, grávida de oito meses. É no mesmo local também, que a Diretoria de Fiscalização da Defesa Civil atuará.

Vídeo: Local onde a família de Flávio Damaratto residia

Uma equipe formada pelo gerente de fiscalização José Lázaro da Silva Junior e mais dois fiscais, Jean dos Santos e Julio Jaeger, partem em direção ao local, juntamente com o apoio de uma viatura da Polícia Militar. Como esse caso, a maioria das ações é realizada a partir de denúncias, como conta o diretor do departamento, Major Jorge Luiz Heckert: “É muita denúncia. Temos 21 fiscais divididos em duas gerências, uma pra cada lado do rio”. O Major também cita que foi a partir da tragédia em 2008 que a Defesa Civil recebeu importância: “Antes, este departamento era ligado à Secretaria do Planejamento. Aliás, antigamente a Defesa Civil era apenas uma diretoria, sendo alçada, em 2009, como uma secretaria”.

Ao saber do embargo e da posterior derrubada, Fabio não reage e aceita a ação. Natural de Xanxerê, o rapaz de 31 anos tentou a sorte quando veio a Blumenau em 2000 trabalhar como tecelão. Fabio foi morar de aluguel em uma casa no bairro Fortaleza. Pagava 500 reais, enquanto recebia de salário cerca de 900 reais. Após quatro anos, se mudou para o local atual, que segundo ele, “era mais barato”. O fiscal Jean admite: “As pessoas não entendem. Mas se cai e leva 30 pessoas, a prefeitura é a culpada”. Enquanto ouve o som das madeiras sendo desmontadas da futura casa que estava em construção, Fabio, desconsolado, afirma: “Deu um desânimo agora. Dá até vontade de voltar ao oeste. Poxa, paguei dez mil no terreno”. Lazaro o aconselha a procurar a Assistência Social e se cadastrar em algum programa.

Entretanto, a Secretaria da Assistência Social, da Criança e do Adolescente (Semascri) já está com todos os cadastros do “Programa Minha Casa, Minha Vida” fechados. A secretaria realizou a visita domiciliar ao local juntamente com a equipe da Defesa Civil. Alessandra Bonelli, diretora de Proteção Básica, diz que o parecer foi favorável para o auxílio-aluguel, uma ajuda de 300 reais por três meses até que as famílias consigam se manter. Chegando ao fim do prazo, se ainda não conseguiu se manter, pode renovar o auxílio: “Realizamos as orientações sobre o risco existente e estamos encaminhando relatório para o Conselho Tutelar, em razão do risco das crianças”.

 Áudio: Diretor de fiscalização, Major Jorge Luiz Heckert, conta sobre as características das famílias que residem em área de risco.

Problemas no pós tragédia foram constantes  

Para as famílias que foram atingidas diretamente pela tragédia de 2008, 1568 já foram contempladas com os apartamentos do “Minha Casa, Minha Vida”, programa habitacional do Governo Federal em parceria com a Caixa Econômica Federal. Mas, para chegar até aqui, o percurso foi difícil.

Uma das maiores dificuldades foi a questão dos abrigos, por diversos motivos. Entre eles, a vivência em coletividade, que causou um choque de hábitos e os problemas familiares, como usuários de drogas e violências domésticas: “Em todos os abrigos estabelecemos regras. Nós não podíamos nos omitir diante dos diversos casos. Tanto neles, quanto nas moradias provisórias, haviam reuniões constantes”, destaca o secretário municipal da Assistência Social, Mario Hildebrandt.

Outra questão que dificultou o trabalho foi o caso das famílias que se cadastraram para adquirir os residenciais e acabaram pondo à venda ou alugando as casas para outras pessoas. O gerente de fiscalização José Lázaro da Silva Júnior explica que as famílias, logo quando o terreno é embargado, são aconselhadas a irem até a Semascri. Lá, elas assinam um termo e se comprometem em não utilizar o antigo terreno para fins comerciais. Porém, alguns agem de má fé. “À medida que as casas são embargadas, elas são postas numa lista. As que possuem mais perigo são logo derrubadas. Portanto, as mais suscetíveis ao problema são justamente as casas que estão ao final da lista”.

Para Neusa Pasta Felizetti, consultora técnica de políticas governamentais, falta cumplicidade e integração das políticas públicas: “É um impasse que ninguém assume”. Neusa afirma que, dos 96 terrenos das famílias do Residencial Parque da Lagoa (primeiro residencial, entregue em 12 de novembro de 2010), 24 foram vendidos: “Se não houver política pública, se não houver conscientização da comunidade, as pessoas não entenderão a sua missão”. O prefeito de Blumenau garante que se deva investir mais nos núcleos de fiscalização: “Para mim, a Defesa Civil é uma secretaria estratégica. Eles possuem um trabalho fundamental. O que falta é trabalhar na percepção da comunidade. Se eles não tiverem isso, o retorno não vem”.

Dona Eloir recebe as chaves da presidenta Dilma

Dois empreendimentos habitacionais foram entregues no segundo semestre de 2011. Em agosto, o Residencial “Nova Casa” contemplou 96 famílias; no mês de setembro; o Residencial “Nascentes I” e “Nascentes II”, foi inaugurado com capacidade para 540 famílias. A última unidade será entregueem novembro. O Residencial“Novo Lar” terá capacidade para 256 famílias. Enquanto isso, Seu João Luiz e Dona Sônia curtem a nova casa. Moradores do residencial Nascentes I, o eletricista que conserta fogões afirma que o novo empreendimento foi um ótimo negócio, principalmente pela segurança de sua família: ”Eu nem dormia mais onde morávamos por medo. Quando chovia forte não sabíamos até quando a casa ficariaem pé. Agora posso dormir tranquilo, mais ainda por saber que a minha esposa e filhos estão seguros”.

Áudio: Secretário da Assistência Social, Mario Hildebrandt, explica como foi feito o cadastro das famílias nos residenciais

O drible das indústrias para o desenvolvimento sustentável

Bárbara Bianchi
Talita Odeli

Perceba tudo a sua volta, tijolos nas paredes, tecnologia, cores, móveis, inclusive suas roupas… Você já parou para pensar quanto o meio ambiente foi provavelmente prejudicado para lhe proporcionar tal momento e comodidades? Quantas árvores derrubadas e a infinidade de produtos químicos despejados nos rios para lhe entregarem esses produtos prontos? As pessoas geralmente não fazem tal reflexão e acabam contribuindo indiretamente para a degradação da natureza que vem ficando cada vez mais escassa.
Porém nada está completamente perdido… A tecnologia que retira recursos da natureza é a mesma que a salva. As indústrias vem investindo fortemente para evitar prejuízos ao meio ambiente e consequentemente aos seres humanos.
Visando reduzir a emissão de substancias poluentes na atmosfera, solo ou corpos d’agua, diversas empresas estão aplicando um alto valor em estações de tratamento de efluentes. Efluentes são produtos líquidos ou gasosos produzidos por indústrias ou então resultante dos esgotos domésticos urbanos, que são lançados no meio ambiente. Continue lendo »

O real peso do minério

A implantação de uma fosfateira gera dúvidas entre os moradores de Anitápolis/SC

Neuseli Bastos
Luís Costa

Anitápolis é uma bela e acolhedora cidade, colonizada por alemães, sendo que a maioria da população trabalha no campo. A agricultura é o principal setor da economia. O município está localizado na Grande Florianópolis, distante 101 quilômetros, pela BR 282, acesso após Santo Amaro da Imperatriz, próximo a Rancho Queimado. Tem uma rica vegetação e várias nascentes de perder o fôlego, formando rios que proporcionam a prática de canoagem e pescaria. Continue lendo »

Construção de um resort ameaça Praia de Taquarinhas

Ministério Público move ação para impedir que empreendimento seja instalado no local

Anelise Margraf
Patrícia Cristina da Silva
Paulo José Mueller

Imagine uma casa onde, ao abrir a janela dos fundos, você encontra um jardim, cheio de verde, árvores, muitas flores e um balanço. Neste instante, você descobre que essa vista pode sumir em pouco tempo. Uma piscina deve ser instalada no local, que precisará ser destruído para receber artigo de conforto e status. Agora pare de imaginar e volte seu olhar para Balneário Camboriú. É na capital catarinense do turismo, conhecida também como a “Maravilha do Atlântico” e pelas belezas naturais, que encantam quem por ali passa, que está localizada a única praia do litoral de Santa Catarina, ainda totalmente preservada. Água cristalina, areia fofa, diversidade de fauna e flora. Todos esses adjetivos são poucos para definir o que você encontra na Praia de Taquarinhas. Mas tudo isso pode estar ameaçado. Assim como o jardim imaginário que perde espaço para uma piscina, o local é alvo do chamado desenvolvimento sustentável, que pretende construir um condomínio residencial no meio da mata. Continue lendo »

As margens da indecisão

Governo de Santa Catarina abre debate sobre o código florestal e amplia interesse da nova lei, criando um impasse com o governo Federal.

Analú Vignoli
Jonas Augusto da Rosa

Um problema ambiental, social e constitucional, que resulta em movimentos e discussões, prós e contras. São alguns dos pequenos fragmentos do código florestal de Santa Catarina, que repercute na mídia nacional, divergindo opiniões.

O código florestal criado pelo estado de Santa Catarina, tenta se opor a lei federal, mas para ser colocado em vigor, será necessário ultrapassar as regras da nação. Os pontos levantados para que a lei do estado seja utilizada, está entre a fiscalização dos órgãos ambientais, até a aceitação dos municípios, através das diretrizes de agricultura e meio ambiente. De um lado o Ibama fiscaliza as regras impostas pela lei federal, do outro, a Fatma e a Polícia Ambiental impõe as práticas da lei catarinense. Continue lendo »

Preservando a vida dos Mexilhões

Bianca Escrich
Felipe Ramón
Vanessa Garcia

 

Tudo começa a partir do Centro Experimental de Maricultura (Cemar) na Enseada de Armação do Itapocorói, no Município de Penha. O Cemar foi estruturado pelo curso de oceanografia da Univali, em 1994, com o objetivo de estimular o desenvolvimento de cultivo de moluscos marinhos de maneira sustentável. Através de atividades de extensão com os produtores locais o Cemar estimulou a utilização de barcos com guinchos, balsas de manejos, rolos de seleção, implantação de cultivos de superfícies e meia-água em áreas com profundidade superiores a dez metros, ancoragem dos long-lines com estacas proporcionando um incremento na produtividade local e comprovando a viabilidade técnica dos cultivos de moluscos nesta região. Continue lendo »

Invasão da “Onda Verde”

O marketing sustentável atinge a sociedade e questiona se é modismo ou preocupação ambiental

Caroline Dall’agnol
Jamile Tonini
Vivian Santana

Você já viu alguma propaganda com imagens de árvores e palavras de conscientização ecológica e logo depois lhe indicaram a comprar algum produto biodegradável ou reciclado?  Provavelmente sim. Pela expectativa do mercado isso será cada vez mais frequente, é a onda verde que atingiu a publicidade empresarial.

O modismo do marketing sustentável é fruto da própria cobrança de mercado. Pesquisas científicas das últimas décadas levantaram informações alarmantes sobre o resultado da ação do homem na natureza. As projeções reveladas são catastróficas, tanto para o planeta quanto para o próprio homem, caso não haja uma mudança brusca de comportamento. A partir dessas informações, cresceu o número de ONGs e grupos com apelo ambiental, tendo na internet sua principal aliada de divulgação.

Dessa forma, o mercado se adapta à necessidade de se ter produtos e empresas “ecologicamente corretas” há algum tempo. Nos últimos dez anos houve uma massificação do surgimento de mercadorias verdes, campanhas de grandes empresas, as quais incentivam a reciclagem e uso consciente dos recursos naturais. A exemplo da Telecomunicações Vivo, dentre outras, a qual utiliza a ideia de tecnologia a serviço do meio ambiente.

Muitas pessoas têm um pé atrás quando se fala em publicidade, pois a mesma é associada a “enganar” ou “enrolar” para vender um produto.  “Os bons profissionais pagam pelos maus, mas toda essa questão de publicidade sustentável vem para mostrar que estamos a serviço da sociedade em geral e não só das empresas. Infelizmente, sabemos que algumas utilizam essa arma apenas para se promover e não têm comprometimento com a questão ecológica. Porém, os consumidores estão cada vez mais atentos e seletivos. Esse tipo de empresa se expõe a um alto risco”, diz o professor da Assevim de Brusque, Élson Mota, um dos organizadores da 4ª Semana de Publicidade e Propaganda com o tema “comunicando um futuro sustentável”. Ele ainda acrescenta que o código de ética dos publicitários incentiva os mesmos a auxiliarem as empresas, a por em prática a imagem que vendem.

Empresa incentiva a reciclagem: caneta com material reutilizado

Apesar de todas as desconfianças do mercado, as notícias no geral são positivas, é o que a bióloga e mestre em engenharia ambiental, profª do curso de biomedicina da Uniasselvi de Blumenau, Lílian Beal, ressalta. “Algumas empresas por serem obrigadas a se ajustar a leis ambientais, outras pelo próprio cunho ecológico e algumas também com intuito de promoção junto a seus clientes. Mas, na verdade não importa qual a intenção, o importante é que temos visto várias empresas de renome tomarem atitudes que vêm ajudando na preservação dos recursos naturais”. A professora cita a empresa de cosméticos Natura, e explica que ela foi pioneira na questão de reutilização de recipientes com a venda de refis e fez com que outras do gênero também adotassem a mesma atitude.

Lílian revela que nós, consumidores, temos grande parte da culpa pela “falsa” atitude ecológica que ronda algumas empresas. “Quando vamos comprar um produto não buscamos o conteúdo em si, que é o que necessitamos, e sim do rótulo, do “belo”, do pacote bonito. Levando muitas empresas a só se preocupar com o terceiro R que é o da reciclagem”.

Assista o vídeo produzido pela WWF

Dos 3 Rs – Reduzir, Reutilizar e Reciclar, a professora diz que o terceiro é a última instância para preservação, a primeira coisa a ser feita é reduzir o consumo. Utilizar o necessário e quando necessário. Depois é reutilizar, como no caso dos recipientes, “Na verdade nos mercados ao invés de produtos prontos embalados por muito plástico e papel, deveria ter postos de abastecimento, onde levássemos o recipiente do produto que acabou em casa para reabastecê-lo”. E para aqueles que acham que este é um procedimento incompatível com a modernidade, o país campeão em reutilização, não por acaso, é o Japão que reutiliza 50% do seu lixo sólido.

No Brasil existem várias empresas e profissionais que já se adequaram aos 3Rs. Em Brusque, Santa Catarina existe o projeto do Azeite, uma iniciativa do clube de engenharia da cidade. Em supermercados são deixados postos de arrecadação de óleo de cozinha utilizado pela população, este óleo é vendido por 0,60 o litro para a empresa Janeiro Transporte e Comércio de óleo Vegetal, de Florianópolis. Esta recicla o óleo e o transforma em biodísel utilizado em seus caminhões.

Todo valor arrecadado com a venda do óleo é depositado em uma conta no nome do clube. “Assim que obtivermos um valor X, o qual, o determinamos junto a Prefeitura Municipal, iremos investir o dinheiro em educação ambiental na cidade. De nada adianta reciclarmos ou termos ações isoladas, precisamos é mudar a cabeça das pessoas, começando com as crianças. É preciso ter consciência que os nossos atos um dia voltarão para nós”, explica Udo Aurélio Serpa, engenheiro mecânico, e voluntário no projeto do Azeite, ele é quem empresta sua caminhonete para a coleta do óleo. O projeto teve inicio em Maio de 2009 e já arrecadou 12mil litros.

Udo afirma ficar incomodado com essa onda verde: “Muitas empresas se dizem defensoras do meio ambiente, mas isso é só uma fachada para conquistar um público. Têm programas de redução de impacto por um lado e por outro poluem. Ou seja, vendem uma imagem para esconder o resto”.

O engenheiro ainda comenta sobre a importância de analisar a viabilidade do processo de reciclagem para o meio ambiente. Pois há uma ação chamada de balanço energético, ou seja, todo produto em que haja intenção de reciclagem, antes deve ser submetido a uma pesquisa sobre a ação dos resíduos químicos, que o mesmo deixará na natureza e impacto da retirada de matéria prima para a fabricação do produto inicial. Assim é possível evitar desperdícios de energia. O que vai ao encontro da fala da profª. Liliam, a qual explica não ser viável a reciclagem de pneus justamente pela grande utilização de energia no processo.

“As empresas deveriam ser obrigadas a divulgar todo seu processo de produção, no sentido de impacto ecológico, para que nós clientes pudéssemos saber também o impacto de nossas escolhas e compras”, acrescenta o engenheiro.

Bolsa reciclável produzida a partir de garrafas PET

Ao contrario da posição do voluntário, algumas empresas preferem não divulgar seu processo de produção mesmo sendo a autora da reutilização de até 200 toneladas por mês de garrafas pet. A Rodocordas, empresa de cordas de Itajaí, Santa Catarina, utiliza 70% de matéria reciclada em sua produção. No entanto, não usa esse dado para propagandas de cunho ambiental. Você pode estar se perguntando: por que não? O gerente de produção da empresa, Fernando Albino Censi, diz que para o setor de cordas, matéria prima reutilizada é sinônimo de má qualidade. “Infelizmente muitos clientes associam um produto reciclado a um produto de segunda que pode apresentar defeito”.

O interessante é que a empresa adotou esse sistema há oito anos para redução de custo e para aumentar a resistência do produto. Isso mesmo, para melhorar a qualidade da mercadoria. O fato é que ainda temos enraizado em nossa cultura que produtos reutilizados são considerados produtos inferiores. Podemos ver isso na prática com o setor de roupas. Os brechós são muito mal vistos no país, porém, nos EUA e em países da Europa, essas lojas têm a preferência de várias celebridades e consultores de moda.

Um produto que tem feito sucesso nos supermercados são as sacolas reutilizáveis. Eles incentivam os cliente a não fazerem uso das sacolas plásticas, tão prejudiciais.

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Sacolas recicláveis

Porém, apesar dessa atitude ecológica, não há um setor ou informação para os clientes de outros produtos biodegradáveis à venda. A chefe de frente de caixa, Sidnéia Schimitt, 27 anos, trabalha há sete no supermercado Bistek de Brusque, e não sabe informar outro produto do gênero ou reciclado à venda no estabelecimento. “Não sei nem dizer o que é um produto biodegradável. Vejo várias propagandas falando em preservação, mais acho que falta mais informação sobre quais produtos poluem menos. Falta informação”.

Fomos às ruas de Balneário Camboriú-SC saber se as pessoas se preocupam em comprar produtos ecologicamente corretos, e se sabem identificá-los.

Você compra produtos ecologicamente corretos?

Em suma, fica evidente, antes de qualquer ação reparadora, é preciso mudança de comportamento e isso começa com investimento em educação ambiental. Não só por parte de ONGs e pessoas engajadas , mas principalmente por parte do poder público. Um governo preocupado com o meio ambiente e que investe em ações preventivas, pode minimizar gastos em outros setores, como o da saúde. Curitiba é exemplo. Mostrou que é possível unir o moderno com o sustentável, e ganhou o prêmio Globe Award Sustainable City 2010 oferecida por uma entidade sueca de empreendedores sustentáveis.

“onda verde”

A moda sustentável

Desde a antiguidade a humanidade é influenciada pela moda, seja no vestuário, adorno, ou produtos comercializados. Fascinados seguem, muitas vezes, fielmente as tendências de cada era. O modismo verde atingiu a “moda de rua” e chega às passarelas.

Gilles Lipovetsky no livro “O império Efêmero da Moda: a moda e seu destino nas sociedades modernas” cita: “a cultura de massa é uma cultura de consumo, inteiramente fabricada para o fazer imediato e a recreação do espírito devendo-se sua sedução em parte à simplicidade que manifesta. Todas as indústrias culturais são ordenadas pela moda. A moda é o espelho da sociedade”.

Valerie Mendes e Amy de La Haye autoras do livro “A Moda do Século XX” concordam com Lipovetsky ao afirmarem: “a moda é uma indicação de identidade individual, grupal e sexual. Além, disso sua fluidez reflete as mudanças da matriz social.”

 

O estilista francês Jean Paul Gaultier criou junto com a marca Melissa um sapato ecológico, em que o salto é 100% reciclável

 

Não foi só o visual das roupas que mudou, as embalagens, também foram afetadas por esse modismo. Na edição de Junho da revista Embalagem e Marca há 11 propagandas voltadas à preservação ambiental e uma matéria que apresenta um recente estudo do 1° Clique aqui e leia mais sobre Diagnóstico de Sustentabilidade de Embalagem nas Empresas Brasileiras.

Cultura ecologicamente correta

Sustentabilidade é a palavra-chave para compreensão de como as empresas estão desenvolvendo estratégias para preservação do meio ambiente. Usar os recursos naturais e, de alguma forma, devolvê-los ao planeta através de práticas ou técnicas desenvolvidas para este fim significa desenvolver um trabalho sustentável.

Em uma iniciativa da Bolsa de Valores de São Paulo, (Bovespa), em parcerias com a Fundação Getúlio Vargas, Instituto Ethos e o Ministério do Meio Ambiente, foi criado em 2005 o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), com a proposta de oferecer aos investidores uma opção de carteira composta por ações de empresas que apresentam comprometimento com a responsabilidade social e a sustentabilidade empresarial.

As empresas que se comprometessem com determinadas exigências entravam em uma listagem. Em novembro de 2008, o conselho do ISE recebeu carta de  exclusão de empresas que não cumpriam com as determinadas exigências. Onze entidades, dentre elas o grupo Greenpeace-Brasil, assinaram o pedido da exclusão das empresas Petrobras, Aracruz, CCR Rodovias, Copel, Iochpe-Maxion e WEG. Na nova carteira, com vigor de dezembro de 2008 a novembro de 2009, a ISE aderiu o pedido de exclusão das empresas citadas.

Segundo matéria publicada no site Mercado Ético no mesmo período do pedido, o Movimento Nossa São Paulo (movimento político, social e econômico) , declarou que  a Petrobras não estaria cumprindo a resolução 315/2002 do Conselho Nacional do Meio Ambiente – Conama, órgão  legislador que orienta a fiscalização dos outros órgãos Executores tais como Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), Secretarias do Meio ambiente do Município entre outras.

Tal resolução estava relacionada aos limites de emissões de enxofre no diesel. Em defesa, a Petrobras publicou uma nota esclarecendo que se comprometia de forma participativa de fornecer o diesel S-50 (com menor teor de enxofre) já a partir de janeiro de 2009.

Após um ano, o ISE não deu posicionamento se a Petrobrás será incluída na listagem de 2010. Na época, o Greenpeace publicou matéria no site onde cita que a Petrobras foi obrigada a retirar dois anúncios publicitários do ar com ordens do Conar (Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária).

Em conversa por email, a coordenação de Comunicação, gestão de pessoas e de conhecimento da Petrobras informa que todas as atuações da empresa estão relacionadas com o meio ambiente. Atuar com rentabilidade sem, no entanto, deixar de cuidar do social e do ambiental: “Rentabilidade com responsabilidade socio-ambiental” é a missão e visão da Petrobras.

A Estatal possui uma área corporativa chamada de SMS – Segurança, Meio Ambiente e Saúde, de onde saíram as 15 diretrizes para atuação da política ambiental da companhia. O Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes) tem uma gerência geral voltada para energias renováveis e alguns programas de caráter ambiental (clima, biotecnologia, meio ambiente etc). A empresa investe, ainda, no Programa Petrobras Ambiental por meio de editais públicos para seleção de projetos de meio ambiente. Uma banca externa seleciona os projetos que receberão investimentos da Petrobras.

Há um conflito muito grande das empresas de Sustentabilidade e Responsabilidade Social com as ONG’s que lutam pela preservação do meio ambiente. Hoje no Brasil são cadastradas no CNEA (Cadastro Nacional das Entidades Ambientalistas) órgão do Conama, 563 ONG’s, espalhadas pelos 26 estados incluindo o Distrito Federal, todas preocupadas com o Meio Ambiente.

Propagandas da ONG WWF, atuante em mais de 100 países pela preservação do meio ambiente

Dados mostram que o Brasil ocupa a 62° posição no Índice de Sustentabilidade Ambiental 2010. O país com melhor gestão no controle da poluição ambiental e nos recursos naturais, segundo ranking publicado em janeiro deste ano no Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça.

O Brasil encontra-se em seu melhor momento com empresas focadas em preservação do meio ambiente, que buscam praticar culturas ecologicamente corretas.

O livro verde, de Elizabeth Rogers e Thomas M. Kostigen

Para saber mais acesse:

http://planetasustentavel.abril.com.br/

http://www.wwf.org.br/

http://www.sosflorestas.com.br/

http://www.modismonet.com/tag/ecologico/

http://www2.tvcultura.com.br/reportereco/

Em PDF você encontra:

Investigando a Biodiversidade – Guia de Apoio aos Educadores do Brasil: http://assets.wwfbr.panda.org/downloads/investigando_a_biodiversidade___pdf_completo___reduzido.pdf

Guide to Greener Electronics: http://www.greenpeace.org/international/en/campaigns/toxics/electronics/how-the-companies-line-up/

Cartilha do Conselho Brasileiro de Manejo Florestal: http://www.fsc.org.br/arquivos/05abr2006__cartilha_fsc_nr6.pdf

Extração de areia no Vale do Itajaí

Os impactos ambientais causados por essa atividade mineradora

Déborah Carolina Klug Moreira
Márcia Gabrielle Ravasco
Marina Dutra Garcia as Silva

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Dragas de sucção autotransportáveis

“Morei na Ilhota, as margens do Rio Itajaí-Açu e convivi com ele até 1966. Eu tinha 12 anos. Faz tempo. Era um rio limpo e lembro que tínhamos um trapiche e que meu pai tinha uma batera. Sempre aos finais de semana, quando tinha sol, eu e ele saíamos para andar de batera e pescar.” As lembranças de Maria de Fátima, 56, são semelhantes às de muitos catarinenses, moradores do Vale do Itajaí-Açu. A delegada civil teve a infância marcada pelo rio. O pai tinha o hábito de pescar com “fisga”, espécie de garfo de três dentes. À noite, ele e amigos iluminavam a água, e quando viam o peixe jogavam a tal fisga. “Como índio pescando. Para variar, nunca me levavam. Mas sempre voltavam satisfeitos e com peixe para limpar.”

A ligação de Fátima com o rio não é à toa. O pai, mecânico, era chamado com frequência para consertar os motores das barcaças que tiravam areia do leito do rio. Sempre tinha trabalho e vendia muita areia. A delegada conta que caminhoneiros, moradores da serra do estado, ao passarem por Ilhota, pegavam frete de areia para levar para suas cidades. Para eles, a areia era boa para a construção de alvenaria.

Hoje, o rio Itajaí-açu é a principal fonte de extração de areia do Vale do Itajaí. Angelina Coelho é acadêmica do curso de Oceanografia da Univali, e estagiária do Laboratório de Oceanografia Geológica. Há TANTO TEMPO iniciou um estudo que apresenta o panorama quantitativo e qualitativo da atividade de Extração de Areia no Vale do Itajaí. O trabalho aborda a mineração de areia em suas diversas aplicações e os impactos ambientais que causa.

Na primeira fase do seu estudo, já concluída, Angelina cita o artigo “PERFIL AMBIENTAL QUALITATIVO DA EXTRAÇÃO DE AREIA EM CURSOS D’ÁGUA” de Leandro Camilo de Lelles, Elias Silva, James Jackson Griffith, Sebastião Venâncio Martins, publicado no ano de 2005, para explicar as formas de extração de areia no Vale. A extração é feita principalmente no curso d’água do rio Itajaí-Açu.  Essas dragas podem ser fixas (Beaver) ou autocarregáveis móveis e possuem a finalidade de escavar e remover areia submersa, transportando-a, através de tubulações acopladas ou balsas de estocagem temporárias, para locais previamente selecionados, respectivamente.

De acordo com o Departamento Nacional de Produção Mineral, o DNPM, em 2005 o estado de Santa Catarina produziu 6.368.644 m3 de areia bruta e 687.736 toneladas de Areia Industrial. A comercialização do produto gerou, no total, R$ 113.174.483. Abaixo, o gráfico demonstra os índices da produção catarinense de areia e areia industrial entre os anos de 2001 e 2005.


Evolução da produção catarinense de Areia 2001-2005

Santa Catarina é responsável pela maior parte da produção de areia bruta e industrial do Sul do país. A atividade é positiva para a economia da região. No entanto, toda atividade de extração gera impactos no meio ambiente. O Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA, na Resolução nº 1 de 23 de janeiro de 1986, define impacto ambiental como:

Qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades humanas que, direta ou indiretamente afeta: a saúde, a segurança e o bem-estar da população; as atividades sociais e econômicas; a biota; as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente; e a qualidade dos recursos ambientais.

Em sua pesquisa, Angelina avaliou impactos positivos e negativos da extração de areia no Vale do Itajaí, com base em cinco pontos de extração, nas cidades de Rodeio, Blumenau, Gaspar, Ilhota e Itajaí. O estudo ainda está em andamento, e os impactos identificados pela acadêmica devem ser confirmados por um estudo minucioso e um acompanhamento mais frequente das áreas analisadas.

a) Impactos Positivos
1. Geração de empregos;
2. Aquecimento da economia local;
3. Ausência de assoreamento do leito lótico devido à remoção de material (areia);
4. Aumento da receita dos governos estaduais e, principalmente, municipais, por conta do arrecadamento, por parte deles, da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM);
5. Aumento da oferta de areia na região e a consequente melhoria da qualidade de vida pelo uso deste material nos diversos fins a que se destina.

b) Impactos Negativos
1. Aumento da turbidez (partículas em suspensão) no curso d’água em função dos processos erosivos causados nas margens;
2. Aumento da turbidez (partículas em suspensão) por conta do reviramento do leito lótico durante a extração do material (areia);
3. Alteração da geomorfologia do leito lótico;
4. Possível interferência na direção, velocidade e vazão do rio, por conta da remoção dos bancos de areia no leito;
5. Supressão da vegetação ciliar;
6. Incidência de processos erosivos como resultado da supressão da mata ripária, aumento desordenado da profundidade do rio e compactação (pisoteamento e tráfego de maquinarias) do solo no entorno do empreendimento;
7. Danos a microbiota do solo pela maior exposição, causada pela supressão vegetal, deste ao intemperismo;
8. Redução, em área, do hábitat das espécies endêmicas da região explorada;
9. Considerável redução da fauna aquática em função dos movimentos causados pelas dragas de sucção;
10. Redução da riqueza e abundância faunísticas do ambiente lótico explorado;
11. Impacto visual causado pela instalação do empreendimento de extração de areia.

Gabriel Santos de Souza, Gerente de Desenvolvimento Ambiental da Fundação do Meio Ambiente de Itajaí, a FATMA, explica que os impactos ambientais acontecem em maior escala se a extração for feita em desacordo com a legislação. A FATMA é a entidade responsável pelo licenciamento ambiental, ferramenta utilizada pelo poder público para controlar a atividade. Em entrevista, Gabriel declara: “toda atividade (de extração) causa degradação ambiental, independente da forma como ela é tratada. Então nós queremos é minimizar isso, tentar trazer um desenvolvimento sustentável”. O controle da FATMA visa garantir que as próximas gerações ainda tenham acesso ao mineral, sem que haja grandes prejuízos ao meio ambiente.

Apesar de a FATMA confirmar os impactos da extração, Ana Denice, responsável pela empresa Maiomaq Terraplanagem Ltda., que realiza este trabalho no município de Itajaí, acredita que não há dano ambiental algum, pois a empresa possui as licenças para operar.

Ainda segundo Gabriel, há muitas empresas que realizam a extração de areia no Alto Vale do Itajaí. Todas elas devem atuar conforme orientação e com permissão do órgão. Do contrário, a empresa “pode ter a licença suspensa, levar multa de acordo com as infrações ambientais”. Caso seja caracterizado crime ambiental ou minerário, a empresa pode ser paralisada e  perder a  licença, inclusive. As multas variam entre 500 reais e 5 milhões de reais.

Cumplicidade com o rio

(poema da entrevistada Fátima, dedicado ao rio)

Era assim,

a liberdade parecia estar sempre do meu lado.

Quando amanhecia e as gotas do orvalho ainda refletiam a luz do sol que chegava, eu estava lá, olhando o rio que silencioso se movimentava gigantesco no meu olhar de criança.

Sentia o nariz gelado do frio e tentava encontrar a resposta para todos os mistérios que me assustavam e faziam parte do meus pensamentos.

O meu mundo, o mundo que eu tinha disponível era gigantesco, imensurável.

Inúmeras vezes, eu me transportava nas canoas da minha imaginação aos lugares que queria conhecer e buscava saber do destino que teriam aquelas águas, aparentemente tranquilas. Então, ingênua e inocente, jogava garrafas lacradas com mensagens e meu endereço, acreditando que fariam contato comigo. Nunca obtive respostas… Lembro dos dias que ficava solitária junto ao pé de chorão sonhando e esperando. Somente o velho rio sabia dos meus segredos.

Quando o cansaço tomava o lugar dos sonhos, eu corria entre as árvores do quintal da minha infância, brincava com as sombras que se formavam e, vencida pela espera, buscava enfim a segurança da minha casa, acreditando que novas aventuras aconteceriam no dia seguinte.

De tudo, apenas o rio restou, misterioso e desafiador.

Eu sentia orgulho do meu rio e da cumplicidade que tínhamos um com o outro. (Fátima 17.06.2010)

Saiba mais:

Entrevista com empresa de extração:

Entrevista com Gabriel Santos de Souza da FATMA

Reciclar para viver

Moradores de São Miguel do Oeste encontram na reciclagem uma alternativa de fonte de renda

Daniele Schmidt

O dia começa cedo na comunidade Sagrado Coração de Jesus, em São Miguel do Oeste – SC. Às 5h Aline Cardozo sai de casa para catar papel pelas ruas da cidade. Sem emprego, a jovem de 18 anos encontrou na prática de catar papel uma fonte alternativa de renda para ajudar a família. Assim como Aline, José da Silva, 45 anos, também percorre o município com o carrinho que ganhou da Associação de Coletores de Materiais Recicláveis – Acomar.

Atualmente 45 famílias estão inscritas na Acomar. Juntas elas recolhem o material reciclável, separam e organizam para vender às empresas que realizam a reciclagem. No início deste ano a Coca-Cola contemplou a Associação com uma prensa, o que facilitou a venda e armazenamento do material. A máquina possibilita agilidade no trabalho, organização e agregação de valor com o aumento de mais de R$ 0,10 no quilo dos materiais, além do aumento de 25% nas vendas.

Acomar recebe prensa com capacidade para fardos de 250 a 300kg

A Unisol Brasil, Central de Cooperativas e Empreendedorismo Solidário, mantém um projeto junto à Acomar. A empresa realiza cursos gratuitos de reciclagem e quem participa dos cursos ganha uma cesta básica por mês. “Esse projeto é muito interessante, porque se duas pessoas da família participam dos cursos então a família ganha duas cestas básicas e isso estimula a comunidade”, relata a secretária da Acomar, Justina Pereira da Luz.

“Além de ajudar, as cestas básicas servem como um estimulador para que as pessoas venham aprimorar a prática. É necessário que todas as pessoas envolvidas na Associação tenham conhecimento de como reciclar e os cursos tem esse propósito”, explica Daniela Toigo, técnica de trabalho comunitário da Unisol Brasil. Daniela conta também que a empresa desenvolve vários projetos com várias outras comunidades. “A Acomar está inscrita em outro projeto que contempla as associações com maquinário. Quando for contemplada a Associação ganhará um caminhão para realizar a entrega do material”.

http://www.unisolbrasil.org.br/inicio.wt

A empresa de produção de papel, Suavetok, não realiza a reciclagem do material. “A empresa não tem como realizar a reciclagem, mas como temos contatos com empresas que fazem esse trabalho, então compramos da Acomar o material e revendemos para essas empresas. Não temos lucro algum, apenas fazemos para auxiliar a Associação”, relata o gerente da Suavetok, Renato Braga. Além da dela, outras duas empresas da região também realizam a compra do material coletado pela Acomar.

Empecilhos burocráticos

A Acomar existe há quase 20 anos, mas apenas em 2008 a Prefeitura de São Miguel do Oeste doou um terreno para a sede da Associação. No galpão são separados, prensados e armazenados os materiais. Com a construção do galpão a Associação pode inscrever-se em um projeto do governo federal para a aquisição sem custo de máquinas (prensa e picotadeira).

Quando foi contemplada, outro problema surgiu: a construção estava irregular, o terreno não estava no nome da Associação e por isso o galpão, teoricamente não pertencia à Acomar. Sem a regularização da propriedade a Associação não pôde adquirir a picotadeira.

A assistente social da celesc, Maria Carmem Viero, que também está emgajada nos projetos da Acomar explica a situação no áudio abaixo.

A câmara dos Vereadores do município informou que em março deste ano assinou o projeto de regularização da propriedade.

www.camarasmo.sc.gov.br/ver_sessao.php?id=373&cmp=pauta

Ciclo da reciclagem


como reciclar papel

Além de ajudar a natureza, a reciclagem pode servir também para customizar artigos de decoração. Confira nos links abaixo várias formas de reciclar e enfeitar.

http://criscabrera.blogspot.com/2009/03/retalhos-de-papel.html

http://www.dicasverdes.com/2009/04/moveis-reciclados-feitos-com-plastico/

http://koisaskomuns.blogspot.com/2008_01_01_archive.html

http://casadasprendas.no.sapo.pt/noticias/noticias.htm

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