Para onde vai tudo isso?

Roberson Pinheiro da Silva

Kunimund Kronke Junior


Resíduos de construção

A capital do turismo catarinense abriga os mais modernos e valiosos empreendimentos imobiliários do Estado. Estima-se que existem mais de 1035 edifícios em Balneário Camboriú conforme dados do Portal Camboriú – Edifícios. É certo que esses investimentos contribuem para a redução do desemprego, valorizam a mão de obra no município e movimentam a economia local, porém gera um problema poucas vezes observado: o resíduo.

O resíduo da construção civil é produzido em larga escala enquanto se constrói um edifício. Segundo a engenheira ambiental Rafaela Picoletto, 25 anos, cada cinco prédios construídos gera resíduos que equivalem ao material de uma nova construção, tamanho é o desperdício e/ou não reutilização de alguns produtos.

Em torno disso, surgem perguntas do tipo: para onde vai todo esse lixo? Existe controle desse material? Como diminuir a quantidade de resíduos? Em resposta a alguns desses dilemas, a prefeitura de Balneário Camboriú implantou o plano de gerenciamento de resíduos, (confira aqui na íntegra) sendo a segunda cidade no Estado a ter um sistema com o objetivo de disciplinar o transporte e o destino dos rejeitos conforme orientação do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA).

Porém, esse decreto, por si só, não assegura o devido cuidado com o lixo das construções. A partir dele é necessária a criação de um projeto que vai descrever como será feito a seleção dos materiais, o processo de trituração e onde serão reutilizadas as sobras. Nessas situações é que as consultorias em sustentabilidade ambiental trabalham. Mas, elas ainda não são muitas no Estado. “As empresas não se conscientizaram da importância do gerenciamento dos resíduos e o quanto elas poderiam economizar em materiais”, justifica Picoletto.

A economia a partir do gerenciamento sustentável acontece quando dentro da obra são reutilizados os materiais fracionados, principalmente os de classe A (tijolos, cerâmica, concreto e argamassa), dispensando a aquisição de novos. Para isso, os resíduos são triturados, através de uma máquina especifica, e reutilizados junto com cimento pra assentar tijolos, fazer aterramentos, entre outros. As restrições no uso desses materiais recondicionados é em acabamentos ou como bases estruturais, pois são de qualidade inferior.

Na contramão desse processo sustentável estão as construtoras que apresentam empecilhos na implementação desse tipo de projeto. “Só uma máquina de trituração custa na faixa de 90 mil reais, o que não é atrativo para uma construtora de pequeno ou médio porte adquirir”, argumenta o engenheiro civil, Estacio Pereira. E não só isso, geralmente os municípios não possuem infra-estrutura adequada para armazenar os rejeitos, encarecendo os procedimentos de cuidado com o lixo.

Sem local apropriado para a separação e depósito dos rejeitos, a poluição do meio ambiente é certa. Além disso, tem o lixo orgânico que geralmente é colocado junto com as sobras da construção civil. Deste modo, o chorume, líquido que sai do lixo, pode contaminar o lençol freático e outros cursos d’água. A tinta e o gesso também podem afetar o solo, já que são compostos de substâncias altamente tóxicas.

Existem dois aterros industriais em Itajaí (SC), cidade próxima a Balneário Camboriú, para onde estes resíduos podem ser levados, mas a solução mais viável seria a instalação de uma usina especializada no tratamento destes e que propiciaria a reciclagem. Camboriú, outra cidade da região, chegou até a iniciar a obra de uma indústria especializada, porém a obra foi embargada pela Polícia Ambiental em 2008, por estar sendo construída em área de preservação permanente.

Enquanto não se tem medidas mais eficazes, vale a lei do bom senso e da conscientização, ou seja, as empresas que estiverem dispostas a implementar projetos de sustentabilidade tendem a contribuir para a preservação do meio-ambiente e ainda, de sobra, ganham status com o marketing verde.

Adaptar-se ainda é caro

Alguns hotéis de Balneário Camboriú ainda resistem à adoção de medidas sustentáveis. Segundo a analista ambiental Laiza Possebon, os proprietários julgam que os investimentos na instalação de sensores de segurança e de torneiras automáticas – usados para economizar energia elétrica e água, respectivamente, “não valem a pena”. Sensores automáticos custam em média R$ 25,00 cada um, enquanto o valor de um modelo simples de torneira automática fica em R$ 100,00 por unidade. Para a analista, “ações simples, como a colocação de cartazes e informativos para conscientizar os hóspedes podem ser bastante eficazes”.

Clique aqui para saber mais sobre torneiras automáticas

Já a instalação de sistemas para reciclar a água usada no banheiro e na pia da cozinha, por exemplo, envolvem custos ainda maiores, sendo indicados apenas em escala industrial. De acordo com o engenheiro civil Celso Zimmermann, a instalação de uma mini-estação de tratamento com tanque, filtro e bomba, totalizando um investimento de aproximadamente R$ 20 mil. “Acontece bastante de as empresas aproveitarem a estrutura de tratamento de resíduos químicos do processo industrial e incluir os biológicos”, completa o engenheiro. Segundo Rafaela Picoletto, mesmo separada do resíduo industrial, a água que sai desse sistema e da coleta de água da chuva através de cisternas não é potável.

Apesar dos pontos negativos, a adoção de medidas sustentáveis pode ser também uma estratégia de marketing. Os hotéis são submetidos a uma avaliação e depois recebem um certificado de qualidade, semelhante ao padrão ISO. Alguns órgãos públicos geralmente costumam usar este tipo de certificado para impulsionar o turismo de determinadas regiões.

Outras informações

Dicas para desenvolvimento sustentável

Galeria de imagens dos prédios mais altos de Balneário Camboriú

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