Preservando a vida dos Mexilhões

Bianca Escrich
Felipe Ramón
Vanessa Garcia

 

Tudo começa a partir do Centro Experimental de Maricultura (Cemar) na Enseada de Armação do Itapocorói, no Município de Penha. O Cemar foi estruturado pelo curso de oceanografia da Univali, em 1994, com o objetivo de estimular o desenvolvimento de cultivo de moluscos marinhos de maneira sustentável. Através de atividades de extensão com os produtores locais o Cemar estimulou a utilização de barcos com guinchos, balsas de manejos, rolos de seleção, implantação de cultivos de superfícies e meia-água em áreas com profundidade superiores a dez metros, ancoragem dos long-lines com estacas proporcionando um incremento na produtividade local e comprovando a viabilidade técnica dos cultivos de moluscos nesta região.

Desde a implantação do Cemar, vários pesquisadores da Univali realizam trabalhos de monitoramento ambiental na área e nos organismos com a finalidade de qualificar o produto cultivado e avaliar os impactos decorrentes da evolução da atividade.

A utilização de coletores, o processo de reciclagem (desdobre) das cordas de cultivo, a produção de larvas em laboratório e transferência para caixas de cultivo (Assentamento remoto) são as principais alternativas apresentadas pelo Cemar aos produtores de mexilhões com a finalidade de evitar exploração dos costões rochosos, o setor produtivo além de capacitar os maricultores, o Cemar presta apoio técnico a Associação de Maricultores da Penha (AMAP) e da Cooperativa de Maricultores do Município de Penha (COOPERMAPE), que é a única cooperativa do Brasil, que apresenta o Selo de Inspeção Federal (SIF 3389) para comercializar mexilhão beneficiado.

Instalação da Cooperativa de Maricultores do Município de Penha - COOPERMAPE

A evolução e o ordenamento do cultivo na região são planejados em conjunto com os produtores e instituições envolvidas na gestão da atividade, com o resultado das atividades de pesquisa, Ensino e extensão do Cemar Univali, o cultivo de moluscos realizado na armação do Itapocorói, se transformou em uma referência nacional.

Segundo Ivonete Miquelotti, agente de inspeção do município de Penha, “os mexilhões natura chegam à cooperativa dos maricultores e são inspecionados pela inspeção federal, é exibida a guia de trânsito (GTA) para o transporte de animal vivo. O mexilhão deve chegar vivo para o beneficiamento, os mexilhões mortos na lavagem e seleção são descartados indo para o resíduo, os quais são incinerados, na cooperativa (COOPERMARPE) tem por objetivo um projeto para serem usados para fabricação de asfalto, tijolos, etc… na fase atual os resíduos na cooperativa estão sendo usado depois de incinerados no calçamento do pátio externo. Esta GTA também contribui para o monitoramento da quantidade de mariscos no mar, e essa estatística também vai para secretaria de pesca, pois a GTA é retirada na CIDASC, órgão do estado de Santa Catarina”.

A região foi responsável por 95,3% da produção da malacultura brasileira em 2004 representada basicamente pelo cultivo de mexilhões, ostras vieiras no qual Santa Catarina tem se destacado como líder nacional. O cultivo de mexilhões (Mitilicultura) representou 4% da produção total da aqüicultura nacional. O cultivo deste molusco no Brasil teve um crescimento acentuado, registrando 11.760 toneladas.

Beneficiamento de mexilhões na COOPERMARPE

O IBAMA (instituto brasileiro do meio ambiente e dos recursos naturais) http://www.ibama.gov.br/fauna/criadores.php tem por objetivo total preservação ambiental e fiscalização dos mexilhões do mar. Há dois anos o IBAMA não autoriza a retiradas dos mexilhões nos costões, por motivo de toda retirada dos mariscos pelos indivíduos que não obtêm autorização em comercializar, a preservação desses mexilhões nas costas serve de preservação para natureza e de alimentação para outras espécies marinhas. De acordo com Hermínio de Souza, presidente da cooperativa de maricultura do município de Penha, “a casca dos mexilhões, depois de sair da unidade passando em um triturador 60% do processo para moer e fazer armazenagem em outra máquina, esta casca está em experiência e com objetivo para comercializar para fins medicinais, já observados e analisados que a casca é fonte de cálcio e ajuda na preservação do meio ambiente reutilizando essa mostra para fabricar também farinha e moranguinho.”

Gilberto Manzoni, professor de Oceanografia na Univali, conta que há muitas coisas a se descobrir sobre as cascas do marisco. Está em análise que a casca ela é impermeável, ou seja, sem aceitação das umidades. O centro experimental da maricultura tem atividade em laboratório e também gestão de atividades de pesquisa de moluscos e toda uma preservação e uma forma correta em fazer com essa alimentação chegar ao consumidor final, saudável e saboroso.

Os maricultores não medem esforços para a construção de um modelo de desenvolvimento que priorize o ser humano, a natureza e a relação de respeito com outros trabalhadores. A Famasc (Federação das associações de maricultores do Estado de santa Catarina) tem sido o grande instrumento de organização dos trabalhadores catarinenses na busca por uma sociedade diferente e melhor.

Em comunhão com o meio ambiente, a natureza legou a Santa Catarina um litoral cortado de baías e enseadas que produzem um ambiente propício ao cultivo de organismos marinhos. Além da geografia adequada, nosso litoral ainda e o habitat natural de uma das mais produtivas espécies de marisco (o mexilhão perna perna). Também possui águas frias o suficiente para abrigar ostras nativas e exóticas ambas adequadas ao cultivo. O que também torna as águas catarinenses adequadas à produção marinha é sua excelente qualidade no que diz respeito a índices de poluição ou contaminação. Os maricultores sabem muito bem o que isto significa. Tanto que através da Famasc e de suas associações têm buscado parcerias com instituições governamentais e universidades para monitoramento e controle das áreas de cultivo, sempre buscando o monitoramento ambiental nos moluscos nas áreas de cultivo, para o beneficiamento dos mexilhões em local adequado.

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Preservando a vida dos mexilhões
06/12/2010
de Vanessa Garcia
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