O drible das indústrias para o desenvolvimento sustentável

Bárbara Bianchi
Talita Odeli

Perceba tudo a sua volta, tijolos nas paredes, tecnologia, cores, móveis, inclusive suas roupas… Você já parou para pensar quanto o meio ambiente foi provavelmente prejudicado para lhe proporcionar tal momento e comodidades? Quantas árvores derrubadas e a infinidade de produtos químicos despejados nos rios para lhe entregarem esses produtos prontos? As pessoas geralmente não fazem tal reflexão e acabam contribuindo indiretamente para a degradação da natureza que vem ficando cada vez mais escassa.
Porém nada está completamente perdido… A tecnologia que retira recursos da natureza é a mesma que a salva. As indústrias vem investindo fortemente para evitar prejuízos ao meio ambiente e consequentemente aos seres humanos.
Visando reduzir a emissão de substancias poluentes na atmosfera, solo ou corpos d’agua, diversas empresas estão aplicando um alto valor em estações de tratamento de efluentes. Efluentes são produtos líquidos ou gasosos produzidos por indústrias ou então resultante dos esgotos domésticos urbanos, que são lançados no meio ambiente.

 

Esquema simplificado do funcionamento de uma ETE

Na região do Vale do Itajaí, polo têxtil de Santa Catarina, essa situação não é diferente. Várias empresas vêm se adaptando a essa forma de preservação, especificamente no tratamento de efluentes líquidos. Além de uma prática ambientalmente correta, essas estações de tratamento são obrigatórias em alguns casos e fazem parte do conceito legal de poluição. A advogada especialista em Direito Socioambiental, Mariane Schappo, de Joinville – SC, explica que no caso de indústrias, a obrigatoriedade de manter um sistema de tratamento de efluentes emana do próprio licenciamento obtido junto ao órgão ambiental. A obrigatoriedade do licenciamento ambiental, por sua vez, está prevista no artigo 10 da Lei da Política Nacional do Meio ambiente assim transcrita:

” A construção, instalação, ampliação e funcionamento de estabelecimentos e atividades utilizadoras de recursos ambientais, considerados efetiva e potencialmente poluidores, bem como os capazes, sob qualquer forma, de causar degradação ambiental, dependerão de preve licenciamento de órgão estadual competente, integrante do Sistema Nacional do Meio Ambiente – SISNAMA, e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis – IBAMA, em caráter supletivo, sem prejuízo de outras licenças exigíveis”.

Confira a Lei da Política Nacional do Meio Ambiente na íntegra. (Clique aqui para abrir o PDF)

Assim, ao obter o licenciamento ambiental, a empresa fica obrigada a cumprir condições estabelecidas pelo órgão ambiental, dentre elas, a instalação de ETE –  Estações de Tratamento de Efluentes – permitindo o lançamento de efluentes apenas se cumpridos os padrões estabelecidos e instalação de equipamentos que controlem também as emissões atmosféricas. As empresas comprometem-se a enviar relatórios de análises ao órgão licenciador, com periodicidade também estabelecida pelo órgão, explica Mariane.

Veja passo a passo como funciona uma ETE:

Mas qual é será a real importância dessa preservação?
Segundo o biólogo e mestre em Engenharia Ambiental, Marcos Pedro Veber, de Luiz Alves – SC, o lançamento indevido de efluentes de diferentes fontes ocasiona modificações nas características do solo e da água, podendo poluir ou contaminar o meio ambiente. Podem provocar a mortalidade e/ou seleção das espécies da flora e da fauna aquática, assim como à inviabilização do tratamento para o abastecimento doméstico, processamentos alimentício e a irrigação de hortaliças, entre outros danos. “Com o tratamento consegue-se remover os sólidos em suspensão, matéria orgânica e inorgânica, organismos patogênicos, entre outros. A importância se dá pelo fato de evitar a degradação ambiental e de disseminar doenças” enfatiza Marcos.

Resultado da falta de tratamento de efluente no meio ambiente


A fiscalização é de responsabilidade dos órgãos ambientais municipais, se houver, estaduais (no caso de Santa Catarina a FATMA – Fundação do Meio Ambiente) ou federais (IBAMA – Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos naturais Renováveis).

Em caso de desconformidades com o que é exigido, as empresas poderão sofrer imputação criminal e incorrer nas penas previstas na Lei nº 9.605/1998, como a prestação pecuniária, suspensão parcial ou total de atividades, prestação de serviços à comunidade.
Empresas que não se adaptarem poderão ainda ser responsabilizadas civilmente, ficando obrigadas a reparar o dano ou, diante da impossibilidade de reparação, compensar de forma econômica (indenização) o dano causado.

Piscinas onde o efluente sofre processo de decantação


Os efluentes, portanto, são carecedores de especial atenção por parte dos responsáveis pelas indústrias. Seu tratamento deve ser eficiente e alcançar os padrões exigidos pelas normas vigentes, evitando qualquer tipo de dano ao meio ambiente.
É importante considerar que a implantação de um sistema de tratamento é um benefício inquestionável e único. As empresas geradoras de efluentes, acima da obrigatoriedade, devem ser conscientes e responsáveis pelo tratamento do efluente para que possa ser lançado no meio ambiente de forma adequada. Cabe as empresas a responsabilidade de minimizar ou evitar que no processo produtivo produz-se uma grande quantidade de efluentes. Assim consegue diminuir custos e essa cooperação e participação contribuem para o desenvolvimento sustentável.

Bactérias auxiliam em preservação ambiental

Durante o processo de tratamento de efluentes, entra em cena uma etapa curiosa. Bactérias auxiliam na diminuição de sujeira da água, absorvendo boa parte da massa poluidora existente na mesma.

Segundo o coordenador do curso de ciências biológicas da Univali Marcos Pessatti, na natureza existem poucos organismos que conseguem degradar uma tinta, por exemplo, que é lançada no rio. Por isso na ETE existe uma piscina especial, onde um grande número de bactérias capazes são concentradas para metabolizar as tintas tóxicas. Esse processo é chamado de bioremediação, devido ao “concerto” de um problema ambiental com bactérias, que não foram geneticamente modificadas.

Piscina de aeração onde ficam as bactérias

“Deve-se ter cuidado e fazer constantes análises na água que é devolvida ao rio, no caso de efluentes são 20 análises diferentes, pois essas bactérias podem chegar até o rio e prejudicar demais seres aquáticos, causando a morte de peixes e algas”. Alguns fungos também servem para tal tratamento.

Ouça nosso podcast

TRATAMENTO DE EFLUENTES.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: