Manias ou TOC

Descubra se você está entre as pessoas que acham e as que realmente têm o Transtorno Obsessivo Compulsivo

“Geralmente quando chego do trabalho, sento no sofá da sala para assistir televisão. Mas ao olhar para a mesinha de centro percebo que as revistas estão de ponta cabeça. No chão o tapete está torto. Quando olho para a estante, vejo que os livros estão com a capa virada para baixo. Assim é quase que impossível prestar atenção para a TV”. Esse é o depoimento de M., um garoto de 22 anos, que convive com o Transtorno Obsessivo Compulsivo. Tudo isso parece normal, mas, para muitas pessoas, são as situações mais incômodas do mundo.

O Transtorno Obsessivo Compulsivo, mais conhecido como TOC, nada mais é do que um transtorno de ansiedade. A pessoa que convive com a doença têm pensamentos involuntários repetitivos que geram a compulsão, que é a realização desses pensamentos. De acordo com a Psicóloga Marina Salmória, de Balneário Camboriú, muitas pessoas comparam o TOC com manias do cotidiano. “A mania só é classificada como TOC quando atrapalham no dia-a-dia, na rotina da pessoa”.

As obsessões são maus tratos terríveis ao paciente. A psicóloga com formação em psicanálise e especialista em transtornos, Claudete de Morais,  de Balneário Camboriú, diz que o TOC surge de uma angustia muito grande que a pessoa não sabe o que é, e de repente ela começa a ter pensamentos obsessivos, geralmente de agressão física, ou que vai ser agredido. “Costumo dizer aos meus pacientes que eles “puxam um chicotinho”. Para se libertarem desses pensamentos, eles nem se dão conta, e acabam muitas vezes tendo comportamentos que são as compulsões em busca de um alívio”.

Já existem estudos em torno do assunto, mas as causas do Transtorno Obsessivo Compulsivo são decorrentes de resultados que até hoje não estão bem definidos. Em nossa sociedade nos deparamos com diversas demonstrações de TOC. Guardar coisas velhas como forma de defesa, medo de contaminação através dos alimentos, lavar as mãos inúmeras vezes, a necessidade de guardar coisas inutilizáveis, a necessidade excessiva de organizar e deixar os objetos alinhados, dentre outros.

M. L., 22 anos, estudante, de Balneário Camboriú, trabalha com comunicação e possui todas as características de uma pessoa como outra qualquer, se não fosse o fato de possuir o transtorno obsessivo compulsivo. Maikol lembra demonstrar os sintomas desde a infância, mas que sua mãe não levava em consideração pelo fato de ainda ser uma criança.  “Lembro de não conseguir andar na calçada sem cuidar quanto à questão do branco e do preto”.

Com o passar dos anos, e em conseqüência de sua independência, ele começou a apresentar outros sintomas típicos de TOC. As suas maiores crises são em torno da organização com suas coisas, principalmente com o guarda-roupa. Ele sente a necessidade de organizar tudo, começando pelos cabides. Todos devem estar virados com o gancho para o lado de dentro. As camisetas estão separadas pelas cores e modelos. “Se algo não está como eu quero, eu não consigo me concentrar nas outras tarefas. Até não organizar tudo, o pensamento de que aquilo não está certo não me deixa em paz.

É complexo explicar o que se passa na cabeça de um portador de TOC. Marina explica que as compulsões são como uma válvula de escape dos pacientes, depois da obsessão. Então a pessoa passa a ter um pensamento recorrente, que evolui em sua cabeça, e esse pensamento faz com que ela pare de ter uma atividade normal. Por exemplo, a limpeza. “Ela pensa o tempo inteiro que a casa dela está suja, quando não está, e ela só se acalma quando ela realiza o ato de limpar. E é como se fosse uma coisa repetitiva, ela nunca está satisfeita com aquela limpeza”.

Na maioria das vezes, o fato de haver mais de um familiar com transtorno obsessivo compulsivo, principalmente quando essa pessoa estiver em uma posição de influência sobre os demais, como pai ou mãe, leva aos outros indivíduos a curiosidade de desenvolver certos rituais. É o que aconteceu com M. A educação em casa sempre foi correta, principalmente quanto à organização e os afazeres domésticos, então ele acredita que herdou de sua mãe a mania de organizar tudo. “Eu sempre observava ela quando estava arrumando a casa, e às vezes a ajudava”, diz ele

Pesquisas mostram que pessoas com TOC e seus familiares possuem uma baixa função em áreas cerebrais responsáveis pelo controle do comportamento. As áreas vermelhas marcadas nas imagens são conhecidas como regiões responsáveis por esse controle no comportamento.

Não existe uma idade determinada para que o indivíduo comece a demonstrar os sintomas, mas geralmente procura informação na idade adulta, entre os vinte e trinta anos. Na primeira consulta, é fundamental que seja feita uma investigação sobre a infância dessa pessoa para descobrir a partir de que ponto ela começou a desenvolver o TOC.  Marina diz que “nenhum transtorno surge de uma hora para a outra, ele vai se consumindo também. Existem muitos fatores que contribuem para o desencadeamento disso”.

Com A. S., 45 anos, de Balneário Camboriú, aconteceu da mesma forma. Apenas com seus vinte anos é que procurou ajuda médica para explicar seus pensamentos. Através da investigação, descobriu que desde criança já demonstrava sintomas que permanecem até hoje, como bater a caneta na mesa sem parar, ou bater moedas, ou até mesmo derrubar coisas no chão apenas pelo prazer do ato. “Houve um tempo em que eu acreditava que um espírito estava comandando a minha vida, ou que era coisa do demônio”.

A participação da família no desenvolvimento do tratamento é essencial para que o paciente consiga superar seus transtornos. Ela precisa ter consciência de que aquele indivíduo precisa de uma atenção diferenciada naquele momento. “Mas também tem que tomar cuidado para não se tornar uma família sufocante, ou seja, não deixando o paciente perceber e tornar consciente aquilo que está acontecendo com ele”, explica Marina. Na maioria das vezes, para evitar conflitos, a família acaba se acomodando às exigências do paciente, e até mesmo o apoiando na realização dos rituais.

Tratamento

Não é possível, ainda, curar totalmente os sintomas do Transtorno Obsessivo Compulsivo. O que os psicólogos buscam é ensinar os pacientes a administrar suas obsessões e suas compulsões. Entre os tratamentos mais utilizados, está a Terapia Cognitivo-Comportamental, a TCC, que é um estudo aprofundado sobre o comportamento do paciente e sobre os fatores desencadeadores dos transtornos mentais.

Marina acredita que a TCC traga os resultados desejados, por se tratar de uma psicoterapia mais breve, que não aborda apenas quando apareceu o sintoma, mas sim como lidar com aquilo que é fato.

Para Claudete, a união da psicanálise é fundamental junto com a Teoria Cognitivo-Comportamental.

TOC no cinema

Melhor Impossível – Melvin Udall é um escritor de romances quentes e tórridos.  A vida de Melvin é um de intenso ritual de regularidade e controle. Ele se recusa tocar qualquer coisa pública, ou deixar qualquer um tocá-lo.  Enquanto caminha por uma calçada abarrotada, ele luta muito para não pisar em qualquer junta ou rachas. Ele fará sempre um grande esforço para que suas necessidades sejam cumpridas, a fim de que sua vida permaneça ordenada.

O Aviador conta a história de um dos personagens mais fascinantes dos Estados Unidos no século 20. Antes do final da Primeira Guerra (1914-1918), um jovem órfão herda uma próspera empresa texana que produzia caríssimas brocas para perfuração de poços de petróleo. Seu nome era Howard Hughes e ele mostraria ser uma mistura de cineasta, mecânico, gênio e louco. Mas louco é o que deviam pensar as pessoas que conviviam com suas excentricidades. Na verdade, o aviador sofria de transtorno obsessivo-compulsivo, o hoje popular TOC. Porém, naquela época, comer a mesma quantidade de ervilhas toda noite (dispostas de maneira calculadamente milimétrica no prato), não era a coisa mais comum do mundo

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Oligoterapia, o tratamento de dentro pra fora

A ciência e a tecnologia avançam juntas no atendimento estético possibilitando a reposição dos oligoelementos no corpo humano.

Fernanda Luiza Muller Dellagiustina

Joecy Henings

Jônata Gonçalvez da Silva

Procedimento da oligoterapia

É frequente a procura por tratamentos estéticos milagrosos e a promessa de um corpo perfeito chama cada vez mais a atenção da maioria das mulheres e também dos homens.

Nesse sentido, a tecnologia veio para contribuir com os desprazeres da rotina que são quase inevitáveis. Dores de cabeça, instabilidade emocional, queda de cabelo, ansiedade, unhas fracas, falta de memória podem ser tratados pela oligoterapia, ou como também é conhecida, medicina funcional.

Esta ciência foi criada em 1932 pelo médico e estudioso Jacques Menetrier, na França. Esta técnica promete tratar as disfunções do corpo e da estética através dos oligoelementos (minerais). Estes minerais, como o cobalto, enxofre, manganês, níquel, silício, estânio, potássio, ferro, iodo entre outros são encontrados em pouca quantidade em nosso corpo.

A medicina funcional foi trazida para o Brasil há cerca de dez anos. Na cidade de Balneário Camboriú uma clínica pioneira na área de oligotecnologia, a Oligoflora trata as disfunções do corpo e da mente através da oligoterapia.

Segundo a oligoterapeuta Ana Caroline Pasqualotto, é através da alimentação que nosso corpo produz esses sais minerais, porém hoje os hábitos alimentares estão cada vez menos saudáveis e, portanto, sem a presença desses minerais que precisamos para o equilíbrio funcional do corpo.

Pasqualotto explica que para que seja feita a reposição desses oligoelementos (minerais), é realizado um mapa metabólico para avaliar qual a deficiência e o tratamento que será utilizado.

A cosmetóloga Érica esclarece o que é e como ocorre o processo de ionização feita nas clientes. No vídeo abaixo, é feita uma demonstração do tratamento com oligoelementos através da corrente galvânica.

Solange Meinerz, paciente da Oligoflora, relata que procurou a clínica em um período muito conturbado de sua vida. A insatisfação com o seu peso excessivo e a falta de ânimo em várias atividades do seu cotidiano que isso proporcionava, a deixa infeliz. “Procurei vários tratamentos e em nenhum deles consegui o que queria. Até comecei a passar mal com alguns medicamentos que prometiam ser milagrosos”, confessa Meinerz. “Quando conheci a proposta de desintoxicação e reposição de minerais com a ajuda profissional e avaliação metódica, foi um passo até a realização de meus objetivos, pois um tratamento estético de dentro para fora foi a primeira vez que conheci e confesso que me arrependo de não ter procurado antes”, completa. Após dois meses de tratamento, Solange emagreceu 9kg. Sua vida social e sexual melhorou. Combinando exercícios físicos e alimentação fragmentada, os benefícios que a oligoterapia oferecem foram visíveis.

Cuidar da saúde emocional também é importante

Trabalhar com a estética corporal de pacientes que buscam a saúde de seu corpo é delicado e exige o profissionalismo necessário para que os resultados sejam satisfatórios. A questão da auto estima está diretamente relacionada com o se gostar. O indivíduo que não se sente bem e à vontade com alguma particularidade de seu corpo terá consequentemente o seu bem estar afetado, seja nos relacionamentos interpessoais, sociais, amorosos, enfim, com tudo ao seu redor e com ele mesmo.

É importante que esse trabalho seja feito por pessoas qualificadas, éticas e, sobretudo, com conhecimento científico. O psicólogo Pedro Antônio Geraldi, alerta que o profissional deve interpretar o desejo de quem busca o tratamento. Se o que é procurado é só um caso de estética ou não. “O grande problema é a busca excessiva pela beleza. Indivíduos que identificamos certo extremismo nessa busca pela saúde estética podem causar futuros problemas emocionais e corporais. Como é o caso de pessoas com bulimia”, orienta Geraldi.

O psicólogo esclarece também que é preciso ter cuidado com as implicações emocionais de um determinado tratamento ou medicamento que o cliente inicie. Frustrações originadas de pacientes que não obtiveram os resultados desejados podem agravar sutis problemas emocionais.

O pensamento positivo de pacientes em seus tratamentos é algo que é muito estudado e que não tem ainda comprovação científica que defenda sua eficácia. Porém, Pedro Antônio Geraldi acredita que partindo do princípio que determinado indivíduo que busca o seu benefício, seja emocional ou físico, terá mais êxito nos resultados do que uma pessoa cética.

Equipamento utilizado para a oligoterapia

O Som alto que atrapalha

População reclama desse meio informativo usado de maneira que prejudica a saúde e ao meio ambiente

Alexssandra Mezzomo
Miriany Kátia Farias

Eles não respeitam horá­rios, finais de semana, es­colas e hospitais”, indaga a aposentada Ida Maria Peixoto. E não é somente ela que reclama desse tor­mento, muitas pessoas tem se mos­trado enfurecidas com os carros de som que passam por lugares públi­cos e não baixam o volume do som. A emissão irregular de sons ocasiona perturbação à segurança no trânsito, a qualidade de vida, ao sossego pú­blico e ofende o meio ambiente, por isso a questão dos carros de som en­volve vários aspectos legais.

Nossa reportagem entrou em contato com a advogada Nicolly Eli­cha Cordeiro Paulo que informou a não existência da proibição na utili­zação dos carros de sons. “A proibi­ção é na utilização inadequada quan­to ao volume e freqüência desses equipamentos”, garante. “Eu acho perturbante quando estou no culto e passam esses veículos, tira toda con­centração”, diz a refiladeira Maria Fernanda Rodrigues, 28.

Estudos científicos demons­tram que o volume excessivo e a poluição sonora provocam sérios prejuízos à saúde, comprometendo os aspectos físicos e mentais das pessoas. Também o uso inadequado desses equipamentos, que produzem sons que perturbam o sossego públi­co, segundo o Código de Trânsito, gera infração grave, pena de multa e pode acarretar inclusive na apreen­são e remoção do veículo para regu­larização.

Em consulta ao departamento jurídico da Prefeitura Municipal de São João Batista, há uma Lei Com­plementar 23/2009 que exige prévia licença e o pagamento de taxa para utilização desse tipo de publicidade, não dispondo nada sobre a forma per­mitida para realização da atividade.

A enfermeira do Hospital Mon­senhor José Locks, Claudete Melzi diz que os carros passam em frente ao hospital com som alto e às vezes bu­zinam. “Irrita, pois a Ala Infantil fica de frente para a estrada, uma falta de respeito”, reclama a enfermeira.

Com relação às normas de trânsito, a intensidade do volume na propaganda através do carro de som pode causar desatenção e perturba­ção aos sinais sonoros de trânsito, como, por exemplo, as ordens dos agentes de trânsito. A competência da fiscalização também compete às autoridades policiais, devendo reter os veículos que não obedeçam aos padrões exigidos para a realização dessa atividade.

Segundo a psicóloga Eliandra Soligo, são vários os pacientes que procuram consultórios psicológicos devido ao stress diário, causado principalmente por ruídos externos. “Esses ruídos do dia a dia, podem gerar prejuízos a saúde do ser humano, como a perda de audição, interferência na comunicação, agressão ao sono e até mesmo problemas cardíacos”, explica.

A advogada confirma a falta de fiscalização dos órgãos públicos e agentes de trânsito, para prevenir a ocorrência e reprimir a prática abusi­va desse tipo de atividade na cidade.

“A Polícia Militar do nosso mu­nicípio não dispõe do decibelímetro – aparelho para medir a emissão dos ruídos produzidos. De qualquer for­ma, isso não impede a fiscalização e o enquadramento do infrator em outros dispositivos legais”, informa Nicolly Elicha.

Resta, agora, que as autoridades se unam e tomem algumas providên­cias para que a Lei Complementar seja modificada, com horários e lo­cais específicos para veiculação das propagandas em carros de som.

Outro lado

Carros de propaganda costumam perturbar principalmente em horários de descanso.

A reportagem entrou em con­tato com o proprietário da Mídia Sonorização, uma das empresas que fornecem esse tipo de serviço em São João Batista. Lucas de Quadros se posiciona em relação às reclama­ções. “Minha empresa tem alvará da Prefeitura Municipal e da Polícia, e está habilitada para realizar os ser­viços de propaganda de rua”, afirma ele. Segundo Lucas, todos os funcio­nários da Mídia são treinados para desligar o som em frente aos órgãos públicos.

Audição Tech

A evolução tecnológica  alcança nossos sentidos

Marina Liz Dalcastagne
Sarita Gianesini

Pare por um instante e preste atenção somente no que seu ouvido lhe diz. Ouça mundo à sua volta: as vozes das outras pessoas, os carros passando na rua, o vento mexendo as folhas das árvores. Os ruídos do seu próprio corpo, os movimentos respiratórios, o coração batendo.

Agora, tente imaginar toda sua vida na tecla mute do controle remoto. Faça de conta que você percebe as pessoas movimentando os lábios, mas não entende o sentido disso. Imagine como seria não saber que alguém está lhe chamando, que melodia tem uma música ou como é a sua própria voz.

É difícil imaginar um mundo sem sons, mas de acordo com os dados do Censo 2000 (IBGE), esta é a realidade de cerca de 5,7 milhões de brasileiros que tem algum grau de deficiência auditiva, dos quais pouco menos de 170 mil se declararam surdos.

De acordo com a professora do curso de Fonoaudiologia da Universidade do Vale do Itajaí, Karla Zimmerman, a perda auditiva pode ser condutiva, neurossensorial ou mista. É condutiva quando o problema está na orelha e no conduto auditivo. Neurossensorial quando ocorre na cóclea ou no nervo auditivo. E mista quando há falhas tanto na condução dos sons para o ouvido interno, quanto na transmissão da informação sonora ao cérebro. As perdas auditivas também são mensuradas em uma escala de decibéis, que vai de 0 a 120, conforme o gráfico:

Speech Banana, disponível em http://www.phonak.com

Speech Banana“: os fonemas que compõem a linguagem são percebidos em uma área de tons e frequência próxima. Fonte: Phonak.

A fonoaudióloga Ívina Bauer, de Brusque, explica que pessoas com perda auditiva severa conseguem ouvir conversas muito altas, mas sem a distinção de palavras. Já na perda auditiva profunda, somente sons como o das vuvuzelas sul-africanas, que chegam à 116 decibéis, são percebidos. “Você pode colocar um trio elétrico no meu quarto que não identifico nada. Sinto as vibrações sonoras, mas escutar, não escuto nada”, conta Tarcísio Chaves, 39, que perdeu a audição há 11 anos e desde 2005 voltou a ouvir com um recurso tecnológico, o implante coclear.

Quando o problema de audição não pode ser solucionado com medicamentos ou cirurgia, existem opções tecnológicas. A evolução dos aparelhos auditivos beneficia pessoas com os mais diversos tipos de surdez, facilitando a inclusão em um mundo de maioria ouvinte. Agora, vamos conhecer algumas destas tecnologias.

Implante Coclear

O implante coclear é um dispositivo eletrônico de alta complexidade tecnológica, que permite que pessoas com perda auditiva severa ou profunda passem a ouvir. Também conhecido por ouvido biônico, é composto por duas unidades, a interna e outra externa.

O componente interno possui uma antena interna com um ímã, um receptor estimulador e um feixe de eletrodos, envolvido por um tubo de silicone fino e flexível. Com uma cirurgia, o dispositivo da antena e do ímã fica sob o couro cabeludo, ancorado no crânio, que é levemente escavado e o filamento de eletrodos é introduzido na cóclea. Já o dispositivo externo do implante, é composto por microfone direcional, processador de fala, antena transmissora e dois cabos.

Um mês após a cirurgia de implante, o paciente recebe o componente externo e o dispositivo é ativado. A partir de então, a pessoa ouve pela primeira vez ou volta a ouvir. Confira na animação do FDA como funciona a audição normal, a perda auditiva e o implante coclear.

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

Ouvido normal, ouvido com perda de audição e procedimento de implante coclear. (Fonte: FDA)

De acordo com a Associação dos Pais, Amigos e Usuários de Implante Coclear, Adap, 14 centros de implante operam pelo Sistema Único de Saúde (SUS), seguindo os critérios determinados pela Portaria nº1278/GM do Ministério da Saúde. São candidatos ao ouvido biônico pelo SUS pessoas com perda auditiva bilateral (nos dois ouvidos) severa ou profunda, que não têm reconhecimento auditivo eficaz com o uso do Aparelho de Amplificação Sonora Individual (AASI).

Durante o Segundo Simpósio de Implante Coclear do Hospital Iguaçu, em 2007, a cirurgiã otológica Trissia Vassoler destacou que a operação não é suficiente para a obtenção de resultados com o implante coclear. O trabalho reúne uma equipe multidisciplinar, formada por médicos, fonoaudiólogos, psicólogos e assistentes sociais. Após a cirurgia, o implantado precisa realizar um trabalho contínuo de terapia fonoaudiológica para adaptação.

No vídeo abaixo você pode ter uma noção de como é a vida de um usuário de implante coclear.

Em Santa Catarina, a primeira cirurgia de implante coclear foi realizada em 2007, pelo otorrinolaringologista Cláudio Ikino, no Hospital Universitário da UFSC. Desde então o processo de credenciamento para o HU-UFSC virar centro de implante coclear tramita em Brasília, aguardando autorização do Ministério da Saúde. Claúdio Ikino, que realiza implantes pela rede privada, explica que ao mês, em média dois potenciais usuários de implante coclear são encaminhados para núcleos fora de Santa Catarina. O custo do dispositivo, em torno de 58 mil reais, é um dos motivos para a demora na abertura de novos centros públicos de implante.

Você pode comparar como é ouvir com implante coclear e como uma pessoa com audição normal ouve. É só clicar nos áudios abaixo, primeiro, há o som dos usuários de implante e logo em seguida a audição ‘normal’:

De uma pessoa falando…

De uma música…

Do telefone…

BAHA

Alguma vez você já se perguntou o que é o som? O som resulta de vibrações na matéria, seja no estado sólido, líquido ou gasoso. Quando ouvimos, significa que algum objeto causou deslocamentos no ar. Pois é baseado nesta característica mecânica que funciona o sistema BAHA (Bone Anchored Hearing Aid). Traduzindo seria algo como “aparelho auditivo de transmissão óssea”.

Assim como o ar, os ossos podem conduzir o som, levando as vibrações sonoras direto à cóclea por um caminho diferente, que utiliza o crânio ao invés da orelha externa e média. Diferente do implante coclear, que oferece um estímulo elétrico, no BAHA o estímulo é acústico, próximo da audição normal.

A ilustração abaixo mostra o funcionamento e as partes que compõem o BAHA.

Como funciona o BAHA? (Fonte: Cochlear)

  1. O processador de som captura os sons e os converte em vibrações;
  2. A junta conectiva transfere o som do processador para o implante de titânio;
  3. O pequeno implante de titânio fica no crânio, atrás da orelha, onde se funde ao osso em uma ligação muito forte. O implante transfere as vibrações sonoras através do osso diretamente para a cóclea, sem passar pelo ouvido externo e médio;
  4. Essas vibrações sonoras fazem com que o fluido no ouvido interno movimente as células ciliares da cóclea, enviando o sinal sonoro para o cérebro. E faz-se o som.

 

De acordo com o Dr. Claudio Ikino, o sistema BAHA é indicado em casos de atresia de conduto (em que a pessoa nasce com o canal auditivo fechado), para pacientes que não podem usar o AASI por dermatites ou pus no canal do ouvido e, ainda, em caso de perda auditiva unilateral. Primeiro médico a realizar a cirurgia de BAHA em Santa Catarina, Ikino ressalta que Ministério da Saúde ainda não incluiu o aparelho na relação de próteses fornecidas pelo SUS, mas analisa esta possibilidade. Caso seja aprovado, os centros que já realizam implante coclear serão autorizados a fazer a cirurgia.

Para ouvir e ver melhor

 O SARDA (Software Auxiliar na Reabilitação de Distúrbios Auditivos) foi desenvolvido por uma equipe de pesquisadores e alunos de Fonoaudiologia, Ciências da Computação, Design Industrial e Jornalismo da Univali, com objetivo de contribuir para reabilitação de distúrbios auditivos e desenvolvimento de algumas habilidades auditivas.

A coordenadora do curso de Fonoaudiologia da Univali Sinara Hütner reforça que o SARDA é uma ferramenta que não substitui a terapia convencional. Apesar da facilidade de ser web, o programa precisa da orientação do professor ou fonoaudiólogo para ser aplicado. Para saber mais sobre o SARDA assista ao vídeo produzido pela acadêmica Caroline Weiss:

 Saed

 Em frente ao computador, Rafael Pereira, 7, de Brusque, trabalha com o programa DOSVOX, sistema para deficientes visuais. O estudante da segunda série está em processo de alfabetização e, por enquanto, só forma dissílabas. Ainda que Rafael não tenha a visão totalmente comprometida, é difícil acompanhar os colegas de classe. Por isso, duas tardes por semana, o garoto frequenta a Escola de Educação Básica Dom João Becker, única em Brusque que oferece gratuitamente o Serviço de Atendimento Educacional Especializado (Saed).   

Rafael utiliza as ferramentas da sala DV

Rafael utiliza as ferramentas da sala DV”. Crédito: Marina Liz.

De acordo com a responsável pela sala DV (Deficientes visuais) Terezinha Ivone Casola, alguns alunos já saíram de lá totalmente independentes. A tecnologia está presente na sala DV através do programa DOSVOX e da lupa eletrônica, programa que auxilia a leitura e a escrita de pessoas com baixa visão.