Sistema de coleta de lixo é destaque no Vale do Itajaí

Com apoio da Prefeitura, Itajaí recicla 70% do lixo que produz

Amaro Paz
Diogo Campos
Pitter Hurmann

Um dos orgulhos de Itajaí está na eficácia do seu sistema de coleta de lixo. Nas mais distintas áreas da cidade é possível encontrar as lixeiras coloridas distinguindo lixo orgânico de lixo seco, em lugares com grande concentração de público, como estádios, praças e a universidade pode se observar a implantação das cinco lixeiras, cada qual para um material especifico.

A coleta seletiva foi implantada pela prefeitura de Itajaí no dia 7 de julho 2005 com grande eficácia e cada vez dá mais atenção e apoio para o processo, tendo em vista o último projeto em que encaminhou até os moradores um formulário que devia ser devidamente preenchido e entregue nos postos de coleta, um compromisso que como cidadãos, os moradores se comprometiam em separar seus lixos.

Vista aérea da Cooperativa

Não depende apenas da iniciativa da prefeitura em fornecer material e apoio ao processo de seleção do lixo, mas também da conscientização da população em fazer sua parte. Elisangela Antunes é diarista na cidade de Itajaí e Navegantes e conta que em todas as casas em que trabalha sempre deixa uma lixeira especifica para lixo seco. “Separo o lixo na minha casa e também nas que trabalho, algumas não faziam isso antes de eu começar a separar”. A diarista ainda conta que em sua casa a quantidade de lixo seco é superior ao lixo orgânico. “Nós usamos apenas uma lixeira para o lixo comum, e usamos quase dois sacos grandes para garrafas, caixas e coisas do gênero”.

Jonatas de Souza é o presidente da Cooperativa dos Coletores de material Reciclável da foz do Rio Itajaí, ele conta que a conscientização dos moradores de Itajaí quanto à coleta seletiva aumentou em muito nos últimos dois anos. Aponta como um dos resultados o incentivo que a prefeitura dá ao movimento, apesar da quantidade baixa de material que é produzido nesta época do ano, o presidente da Cooperativa diz que 70% do que ele recebe já foi devidamente selecionado.

A Cooperfoz segue o exemplo de cooperativas das mais diversas áreas, que são formadas e administradas por associações. Seu papel em Itajaí é o da triagem do material coletado pelos caminhões da prefeitura em toda a cidade. A seleção feita pelos morados é basicamente entre materiais secos e orgânicos, os cooperativos têm a responsabilidade de uma seleção mais detalhada, separando materiais metálicos, plásticos, vidros, tecidos, papéis brancos de papéis de jornal, cada grupo de cooperativos é encarregado de uma parte deste processo.

Jonatas de Souza administra a Cooperativa que conta com um quadro de quarenta e quatro funcionários, e opta pela transparência e clareza na hora da prestação de contas aos seus cooperados, dando a todos o acesso de quanto é gasto nas despesas de base para o funcionamento do estabelecimento. O lucro é igualitariamente dividido entre todos os participantes. “Não há um valor certo, quanto mais nós produzirmos maior será o ganho no final.” A cooperativa opta ainda pelo pagamento semanal devido a necessidades de seus contribuintes.

O período que se estende de maio a setembro, meses mais frios e com menos quantidade de festas e celebrações, o presidente explica que o material que recebem é muito inferior às outras épocas do ano, cerca de sete a nove caminhões por dia, o que acaba atingindo o lucro de cada um no final da semana “Já tive uma semana em que chegou o sábado e cada um recebeu sete reais.” A carga horária da cooperativa assemelha-se ao horário de funcionamento do comércio, fechada aos domingos e aberta aos sábados pela manhã, cabe aos cooperativos decidirem se trabalharão no sábado a tarde. “Sempre há a possibilidade de fazermos hora extra, vai depender de quanto trabalho ficar acumulado.” Explica Jonatas, e acrescenta que as épocas em que isso mais acontece são as festivas, natal, ano novo, e principalmente o carnaval, quando recebem quase vinte caminhões de carregamento por dia.

O grupo de Cooperativos da Cooperfoz é bastante diversificado, contando com pessoas de 20 a 63 anos de idade, cada qual designado para a função que mais se enquadre com a sua vigororosidade física. Jonatas é Cooperativo há nove anos, quando começou no grupo fazia a triagem do papel e trabalhou nas prensas, assumiu a presidência há quase dois anos, e é de sua responsabilidade designar algumas funções. “Na maioria eles mesmo se revezam, mas nem sempre qualquer um pode trabalhar na prensa”. Rafael Oliveira (23) trabalha na prensa e é cooperativo há sete meses. “É um trabalho que exige bastante da gente, eu estou aqui faz tempo, mas tem cara que chega e fica dois ou três dias.” conta Rafael.

Os cooperativos passam o dia em seu local de trabalho, começam às oito horas da manhã e se estende até as seis da tarde, fazem suas pausas em grupo, pois o trabalho é simultâneo e não pode ser feito por um grupo pequeno de pessoas, a própria cooperativa fornece o almoço e faz duas pausas, uma no meio da manhã e outra à tarde.

Localizada na Avenida Reinaldo Schmithausen do Bairro Cordeiros em Itajaí, a Cooperfoz tem o papel de fazer a triagem dos materiais recebidos, O Presidente Jonatas explica que não tem espaço suficiente e local apropriado para armazenamento dos fardos prensados, seu material final. Por conta disso os fardos são armazenados em um galpão a poucas quadras de distância, responsabilidade de Clovis dos Santos, que é o principal contribuinte da Cooperativa, ele compra o material produzido pela Cooperfoz a preço de mercado e se encarrega de armazená-lo e também de direcioná-lo para as entidades especificas, como a indústria de reciclagem de plástico em Santa Lidia.

Anderson dos Santos é o encarregado da equipe que trabalha no galpão de armazenamento do pai, Anderson (17) explica que não recebe materiais apenas da Cooperfoz, mas também de outras cooperativas menores da região, com uma equipe de quatro funcionários fixos há quase nove meses, também fazem o trabalho de triagem de papel, separando e prensando apenas papel branco, que serão enviados para Santa Lidia mais tarde.

Os resíduos orgânicos separados na triagem pela Cooperfoz, e os caminhões que recolhem material orgânico na cidade têm um destino diferente, materiais que não podem ser reciclados de Itajaí e da região são encaminhados para o aterro municipal situado na comunidade agrícola Canhanduba, às margens da BR 101.

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Clique aqui e leia o Trabalho de Conclusão de Estágio de Triciana Guerra Behrens, do curso de Administração da Univali

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Manias ou TOC

Descubra se você está entre as pessoas que acham e as que realmente têm o Transtorno Obsessivo Compulsivo

“Geralmente quando chego do trabalho, sento no sofá da sala para assistir televisão. Mas ao olhar para a mesinha de centro percebo que as revistas estão de ponta cabeça. No chão o tapete está torto. Quando olho para a estante, vejo que os livros estão com a capa virada para baixo. Assim é quase que impossível prestar atenção para a TV”. Esse é o depoimento de M., um garoto de 22 anos, que convive com o Transtorno Obsessivo Compulsivo. Tudo isso parece normal, mas, para muitas pessoas, são as situações mais incômodas do mundo.

O Transtorno Obsessivo Compulsivo, mais conhecido como TOC, nada mais é do que um transtorno de ansiedade. A pessoa que convive com a doença têm pensamentos involuntários repetitivos que geram a compulsão, que é a realização desses pensamentos. De acordo com a Psicóloga Marina Salmória, de Balneário Camboriú, muitas pessoas comparam o TOC com manias do cotidiano. “A mania só é classificada como TOC quando atrapalham no dia-a-dia, na rotina da pessoa”.

As obsessões são maus tratos terríveis ao paciente. A psicóloga com formação em psicanálise e especialista em transtornos, Claudete de Morais,  de Balneário Camboriú, diz que o TOC surge de uma angustia muito grande que a pessoa não sabe o que é, e de repente ela começa a ter pensamentos obsessivos, geralmente de agressão física, ou que vai ser agredido. “Costumo dizer aos meus pacientes que eles “puxam um chicotinho”. Para se libertarem desses pensamentos, eles nem se dão conta, e acabam muitas vezes tendo comportamentos que são as compulsões em busca de um alívio”.

Já existem estudos em torno do assunto, mas as causas do Transtorno Obsessivo Compulsivo são decorrentes de resultados que até hoje não estão bem definidos. Em nossa sociedade nos deparamos com diversas demonstrações de TOC. Guardar coisas velhas como forma de defesa, medo de contaminação através dos alimentos, lavar as mãos inúmeras vezes, a necessidade de guardar coisas inutilizáveis, a necessidade excessiva de organizar e deixar os objetos alinhados, dentre outros.

M. L., 22 anos, estudante, de Balneário Camboriú, trabalha com comunicação e possui todas as características de uma pessoa como outra qualquer, se não fosse o fato de possuir o transtorno obsessivo compulsivo. Maikol lembra demonstrar os sintomas desde a infância, mas que sua mãe não levava em consideração pelo fato de ainda ser uma criança.  “Lembro de não conseguir andar na calçada sem cuidar quanto à questão do branco e do preto”.

Com o passar dos anos, e em conseqüência de sua independência, ele começou a apresentar outros sintomas típicos de TOC. As suas maiores crises são em torno da organização com suas coisas, principalmente com o guarda-roupa. Ele sente a necessidade de organizar tudo, começando pelos cabides. Todos devem estar virados com o gancho para o lado de dentro. As camisetas estão separadas pelas cores e modelos. “Se algo não está como eu quero, eu não consigo me concentrar nas outras tarefas. Até não organizar tudo, o pensamento de que aquilo não está certo não me deixa em paz.

É complexo explicar o que se passa na cabeça de um portador de TOC. Marina explica que as compulsões são como uma válvula de escape dos pacientes, depois da obsessão. Então a pessoa passa a ter um pensamento recorrente, que evolui em sua cabeça, e esse pensamento faz com que ela pare de ter uma atividade normal. Por exemplo, a limpeza. “Ela pensa o tempo inteiro que a casa dela está suja, quando não está, e ela só se acalma quando ela realiza o ato de limpar. E é como se fosse uma coisa repetitiva, ela nunca está satisfeita com aquela limpeza”.

Na maioria das vezes, o fato de haver mais de um familiar com transtorno obsessivo compulsivo, principalmente quando essa pessoa estiver em uma posição de influência sobre os demais, como pai ou mãe, leva aos outros indivíduos a curiosidade de desenvolver certos rituais. É o que aconteceu com M. A educação em casa sempre foi correta, principalmente quanto à organização e os afazeres domésticos, então ele acredita que herdou de sua mãe a mania de organizar tudo. “Eu sempre observava ela quando estava arrumando a casa, e às vezes a ajudava”, diz ele

Pesquisas mostram que pessoas com TOC e seus familiares possuem uma baixa função em áreas cerebrais responsáveis pelo controle do comportamento. As áreas vermelhas marcadas nas imagens são conhecidas como regiões responsáveis por esse controle no comportamento.

Não existe uma idade determinada para que o indivíduo comece a demonstrar os sintomas, mas geralmente procura informação na idade adulta, entre os vinte e trinta anos. Na primeira consulta, é fundamental que seja feita uma investigação sobre a infância dessa pessoa para descobrir a partir de que ponto ela começou a desenvolver o TOC.  Marina diz que “nenhum transtorno surge de uma hora para a outra, ele vai se consumindo também. Existem muitos fatores que contribuem para o desencadeamento disso”.

Com A. S., 45 anos, de Balneário Camboriú, aconteceu da mesma forma. Apenas com seus vinte anos é que procurou ajuda médica para explicar seus pensamentos. Através da investigação, descobriu que desde criança já demonstrava sintomas que permanecem até hoje, como bater a caneta na mesa sem parar, ou bater moedas, ou até mesmo derrubar coisas no chão apenas pelo prazer do ato. “Houve um tempo em que eu acreditava que um espírito estava comandando a minha vida, ou que era coisa do demônio”.

A participação da família no desenvolvimento do tratamento é essencial para que o paciente consiga superar seus transtornos. Ela precisa ter consciência de que aquele indivíduo precisa de uma atenção diferenciada naquele momento. “Mas também tem que tomar cuidado para não se tornar uma família sufocante, ou seja, não deixando o paciente perceber e tornar consciente aquilo que está acontecendo com ele”, explica Marina. Na maioria das vezes, para evitar conflitos, a família acaba se acomodando às exigências do paciente, e até mesmo o apoiando na realização dos rituais.

Tratamento

Não é possível, ainda, curar totalmente os sintomas do Transtorno Obsessivo Compulsivo. O que os psicólogos buscam é ensinar os pacientes a administrar suas obsessões e suas compulsões. Entre os tratamentos mais utilizados, está a Terapia Cognitivo-Comportamental, a TCC, que é um estudo aprofundado sobre o comportamento do paciente e sobre os fatores desencadeadores dos transtornos mentais.

Marina acredita que a TCC traga os resultados desejados, por se tratar de uma psicoterapia mais breve, que não aborda apenas quando apareceu o sintoma, mas sim como lidar com aquilo que é fato.

Para Claudete, a união da psicanálise é fundamental junto com a Teoria Cognitivo-Comportamental.

TOC no cinema

Melhor Impossível – Melvin Udall é um escritor de romances quentes e tórridos.  A vida de Melvin é um de intenso ritual de regularidade e controle. Ele se recusa tocar qualquer coisa pública, ou deixar qualquer um tocá-lo.  Enquanto caminha por uma calçada abarrotada, ele luta muito para não pisar em qualquer junta ou rachas. Ele fará sempre um grande esforço para que suas necessidades sejam cumpridas, a fim de que sua vida permaneça ordenada.

O Aviador conta a história de um dos personagens mais fascinantes dos Estados Unidos no século 20. Antes do final da Primeira Guerra (1914-1918), um jovem órfão herda uma próspera empresa texana que produzia caríssimas brocas para perfuração de poços de petróleo. Seu nome era Howard Hughes e ele mostraria ser uma mistura de cineasta, mecânico, gênio e louco. Mas louco é o que deviam pensar as pessoas que conviviam com suas excentricidades. Na verdade, o aviador sofria de transtorno obsessivo-compulsivo, o hoje popular TOC. Porém, naquela época, comer a mesma quantidade de ervilhas toda noite (dispostas de maneira calculadamente milimétrica no prato), não era a coisa mais comum do mundo

Ficou curioso para saber se você é portador do Transtorno Obsessivo Compulsivo? Faça esse teste e confira:
http://www.squizo.com.br/participar.php?squizo=265

Oligoterapia, o tratamento de dentro pra fora

A ciência e a tecnologia avançam juntas no atendimento estético possibilitando a reposição dos oligoelementos no corpo humano.

Fernanda Luiza Muller Dellagiustina

Joecy Henings

Jônata Gonçalvez da Silva

Procedimento da oligoterapia

É frequente a procura por tratamentos estéticos milagrosos e a promessa de um corpo perfeito chama cada vez mais a atenção da maioria das mulheres e também dos homens.

Nesse sentido, a tecnologia veio para contribuir com os desprazeres da rotina que são quase inevitáveis. Dores de cabeça, instabilidade emocional, queda de cabelo, ansiedade, unhas fracas, falta de memória podem ser tratados pela oligoterapia, ou como também é conhecida, medicina funcional.

Esta ciência foi criada em 1932 pelo médico e estudioso Jacques Menetrier, na França. Esta técnica promete tratar as disfunções do corpo e da estética através dos oligoelementos (minerais). Estes minerais, como o cobalto, enxofre, manganês, níquel, silício, estânio, potássio, ferro, iodo entre outros são encontrados em pouca quantidade em nosso corpo.

A medicina funcional foi trazida para o Brasil há cerca de dez anos. Na cidade de Balneário Camboriú uma clínica pioneira na área de oligotecnologia, a Oligoflora trata as disfunções do corpo e da mente através da oligoterapia.

Segundo a oligoterapeuta Ana Caroline Pasqualotto, é através da alimentação que nosso corpo produz esses sais minerais, porém hoje os hábitos alimentares estão cada vez menos saudáveis e, portanto, sem a presença desses minerais que precisamos para o equilíbrio funcional do corpo.

Pasqualotto explica que para que seja feita a reposição desses oligoelementos (minerais), é realizado um mapa metabólico para avaliar qual a deficiência e o tratamento que será utilizado.

A cosmetóloga Érica esclarece o que é e como ocorre o processo de ionização feita nas clientes. No vídeo abaixo, é feita uma demonstração do tratamento com oligoelementos através da corrente galvânica.

Solange Meinerz, paciente da Oligoflora, relata que procurou a clínica em um período muito conturbado de sua vida. A insatisfação com o seu peso excessivo e a falta de ânimo em várias atividades do seu cotidiano que isso proporcionava, a deixa infeliz. “Procurei vários tratamentos e em nenhum deles consegui o que queria. Até comecei a passar mal com alguns medicamentos que prometiam ser milagrosos”, confessa Meinerz. “Quando conheci a proposta de desintoxicação e reposição de minerais com a ajuda profissional e avaliação metódica, foi um passo até a realização de meus objetivos, pois um tratamento estético de dentro para fora foi a primeira vez que conheci e confesso que me arrependo de não ter procurado antes”, completa. Após dois meses de tratamento, Solange emagreceu 9kg. Sua vida social e sexual melhorou. Combinando exercícios físicos e alimentação fragmentada, os benefícios que a oligoterapia oferecem foram visíveis.

Cuidar da saúde emocional também é importante

Trabalhar com a estética corporal de pacientes que buscam a saúde de seu corpo é delicado e exige o profissionalismo necessário para que os resultados sejam satisfatórios. A questão da auto estima está diretamente relacionada com o se gostar. O indivíduo que não se sente bem e à vontade com alguma particularidade de seu corpo terá consequentemente o seu bem estar afetado, seja nos relacionamentos interpessoais, sociais, amorosos, enfim, com tudo ao seu redor e com ele mesmo.

É importante que esse trabalho seja feito por pessoas qualificadas, éticas e, sobretudo, com conhecimento científico. O psicólogo Pedro Antônio Geraldi, alerta que o profissional deve interpretar o desejo de quem busca o tratamento. Se o que é procurado é só um caso de estética ou não. “O grande problema é a busca excessiva pela beleza. Indivíduos que identificamos certo extremismo nessa busca pela saúde estética podem causar futuros problemas emocionais e corporais. Como é o caso de pessoas com bulimia”, orienta Geraldi.

O psicólogo esclarece também que é preciso ter cuidado com as implicações emocionais de um determinado tratamento ou medicamento que o cliente inicie. Frustrações originadas de pacientes que não obtiveram os resultados desejados podem agravar sutis problemas emocionais.

O pensamento positivo de pacientes em seus tratamentos é algo que é muito estudado e que não tem ainda comprovação científica que defenda sua eficácia. Porém, Pedro Antônio Geraldi acredita que partindo do princípio que determinado indivíduo que busca o seu benefício, seja emocional ou físico, terá mais êxito nos resultados do que uma pessoa cética.

Equipamento utilizado para a oligoterapia

Da ideia na cabeça ao chopp no copo

Empresário brusquense fabrica chopp encorpado e consistente e cria cervejaria que é  “zehn”

Hamilton da Silva

Marco Aurélio Kistner



Em 2002 um grande apreciador de cerveja chamado Hylário Zen teve a iniciativa de fabricar seu próprio chopp e logo iniciou a produção de 100 litros por mês. “O sabor inigualável se espalhou entre os familiares e amigos, levando a aumentar a produção”, explica Zen.

Assim, em 24 de outubro de 2003, foi fundada a Zehn Bier, realizando um sonho de produzir um chopp artesanal com as verdadeiras características alemãs de puro sabor. Zehn significa “dez” em alemão, que é a proposta da cervejaria. Numa era de culto à tecnologia, o chopp artesanal segue firme na proposta de valorizar as tradições.

Produtos

Hilário Zen ressalta que a principal característica do Chopp Zehn Bier é a de não ser filtrado, o que deixa a bebida mais consistente e encorpada. “O processo de maturação e fermentação formam um produto de sabor inigualável. Sem qualquer adição de produtos químicos o chopp é testado, embarrilado e engarrafado diretamente dos tanques”.

O chopp, como outras bebidas alcoólicas, segue sempre uma determinada classificação. Pode ser de acordo com o teor alcoólico, tipo de extrato utilizado, características do malte ou ainda o tipo de fermentação.

A bebida Pilsen, chopp ou cerveja, é a mais consumida no Brasil e tem esse nome por se utilizar de um tipo específico de malte chamado Pilsen – originário da cidade de Pilsen, na República Checa. Suas características incluem a utilização de extrato primitivo e baixa fermentação (baixo teor de extrato que resulta em um sabor menos amargo no produto final) durante a fabricação. A Pilsen também é reconhecida por sua cor clara e teor alcoólico médio (de 3% a 5%). Existem centenas de tipos de chopp em todo o mundo; desses, a imensa maioria pode ser classificada em Ale ou Lager. As cervejas do tipo Ale são produzidas por meio de alta fermentação (fermentação induzida por altas temperaturas) e as do tipo Lager utilizam-se de baixa fermentação (a temperaturas baixas). As cervejas Pilsen e Bock, mais comuns no Brasil, são classificadas como Lager, consideradas mais leves e secas que suas irmãs Ale, cujo principal expoente é a irlandesa Guinness.

Chopp Porter:

Sua produção é de origem inglesa e fabricada a partir do processo de fermentação alta, assim chamada porque ela ocorre a uma temperatura elevada, fato que leva as leveduras a subirem à superfície deixando a cerveja escura, forte e encorpada. Produzido com três tipos de malte (Pilsen/Pilsen Torrado/Pilsen Caramelo) tem o teor alcoólico mais acentuado.

O idealizador da Zehn Bier em Brusque aproveitou para comercializar, “Os dois tipos de chopp estão a disposição em barril de 10, 20, 30, 50 litros e garrafas de 600ml e Long Neck de 355ml”.

Hilário Zen ressalta que, atualmente, a Zehn Bier atende a maior parte das festas de outubro em Santa Catarina e fora do estado também. “Nós cumprimos uma lei, denominada “Pureza da Cerveja”, e o nosso produto vem sendo bem aceito e procurado para as mais diversas confraternizações através do nosso disque chopp. Como servimos aqui na Zehn Bier, é servido nas festas também, com a mesma qualidade e sabor”.

O empresário diz que o sabor do produto não altera no transporte quando é solicitado. “O chopp é embarrilado e engarrafado diretamente dos tanques, e isso ajuda”.

A Reinheitsgebot ou Lei da Pureza  da Cerveja

Guilherme IV, duque da Baviera (região alemã onde está Munique), no dia 23 de abril de 1516, assinou a Reinheitsgebot, a Lei de Pureza da Cerveja – a qual determinava que a cerveja local, só poderia, dali em diante, ser produzida utilizando-se apenas água pura, malte e lúpulo. O fermento, por sua vez, foi incluído nesta lei algum tempo mais tarde, uma vez que ainda não era conhecido.

Veja a Lei na íntegra:

“Como a cerveja deve ser elaborada e vendida neste país, no verão e no inverno: Decretamos, firmamos e estabelecemos, baseados no Conselho Regional, que daqui em diante, no principado da Baviera, tanto nos campos como nas cidades e feiras, de São Miguel até São Jorge, uma caneca de 1 litro (1) ou uma cabeça (2) de cerveja sejam vendidos por não mais que 1 Pfennig da moeda de Munique, e de São Jorge até São Miguel a caneca de 1 litro por não mais que 2 Pfennig da mesma moeda, e a cabeça por não mais que 3 Heller (3), sob as penas da lei. Se alguém fabricar ou tiver cerveja diferente da Märzen, não pode de forma alguma vende-la por preço superior a 1 Pfennig por caneca de 1 litro . Em especial, desejamos que daqui em diante, em todas as nossas cidades, nas feiras, no campo, nenhuma cerveja contenha outra coisa além de cevada, lúpulo e água. Quem, conhecendo esta ordem, a transgredir e não respeitar, terá seu barril de cerveja confiscado pela autoridade judicial competente, por castigo e sem apelo, tantas vezes quantas acontecer. No entanto, se um taberneiro comprar de um fabricante um, dois ou três baldes (4) de cerveja para servir ao povo comum, a ele somente, e a mais ninguém, será permitido e não proibido vender e servir a caneca de 1 litro ou a cabeça de cerveja por 1 Heller a mais que o estabelecido anteriormente”.

Guilherme IV, duque da Baviera, no dia de São Jorge (23 de abril), no ano de 1516, em Ingolstadt

A medida foi tomada após o duque ter se embriagado de bebida de má qualidade, o que o deixou irritado e o fez promulgar a lei.

No Brasil as cervejarias artesanais, preocupadas com a qualidade do produto oferecido, como a Zhen Bier, também seguem a lei. Além da mais alta qualidade das matérias primas utilizadas, a Zehn Bier conta com altíssimos índices de higiene e limpeza em todos os processos controlados pelo seu próprio laboratório, tendo sob responsabilidade do seu mestre cervejeiro Curt Zastrow, conhecido e referenciado em todo país, diplomado em Munique no ano de 1972.

Zastrow explica que a qualidade dos produtos é fundamental para uma boa bebida. “Temos grande controle nas matérias primas que compramos, fazemos análises e testes para oferecer o melhor produto aos nosso clientes”.

Zehn Bier:

O nome Zehn Bier foi dado a partir de uma alteração do sobrenome da família Zen, acrescentando a letra “H”, letra inicial do nome do fundador “H”ylário, o resultado dessa alteração é Zehn, que significa dez em alemão.

VÍDEO

As mídias sociais digitais invadem o mercado empresarial

Cristielle Mara Pereira
Christian Schlögl
Carla Querubim

Com o avanço da tecnologia, as empresas sentem a necessidade de aproximação com seus clientes. A maioria das empresas, além de divulgar sua marca, quer conhecer os desejos e a satisfação do seu público. Por isso, muitas marcas investem em sites de relacionamentos entre outras mídias para divulgar e manter uma relação de proximidade entre a marca e o consumidor. Através da internet o consumidor passou a exigir mais de suas marcas favoritas. As pessoas, agora, acompanham os sites das empresas tanto para reclamar quanto para sugerir e opinar em melhorias para serviços e produtos.

Muitas empresas utilizam o Orkut para conseguir aproximação e admiradores. Através de um bom relacionamento, o consumidor sente-se parte da empresa, e acaba fazendo propaganda a favor, um exemplo são as comunidades Eu Amo Coca-Cola, Queremos Bis 200 Unidades, entre outras. O consumidor nesse caso faz marketing positivo para empresa, e quando não foi bem atendido, ou adquiriu um produto de péssima qualidade, faz críticas, o que de certa forma prejudica a imagem da empresa ou organização. Hoje o consumidor tem liberdade para trocar de marca, e as redes sociais interferem nas suas escolhas.

Outro exemplo acontece através do Twitter uma ferramenta de relacionamento que a cada dia possui novos seguidores. No Twitter, as empresas podem manter atualizadas novidades sobre suas marcas, promoções e lançamentos, mantendo uma relação de credibilidade com seu público. Hoje pode-se dizer que o Twitter está sendo mais utilizado que o email e o próprio Orkut. Marcas mundiais famosas como Nokia, Rede Globo, Submarino estão no Twitter.

Mara Costa e Silva, gerente de Marketing do Avon em Santa Catarina, garante que produtos de qualidade merecem atenção especial. “Não podemos simplesmente vender algo, precisamos acompanhar o resultado obtido. As pessoas quando adquirem um produto qualquer, estão acreditando em seus benefícios, e no mundo dos cosméticos há uma vasta gama de empresas, por isso é fundamental o uso de plataformas como o orkut e o twitter pela nossa empresa.”

A internet assume o papel de feedback espontâneo. A parcela de consumidores que procura a empresa é muito pequena, mas as opiniões são registradas a cada dia mais, nas redes de relacionamento. Silva diz que através desse contato, é possível reformular as fórmulas dos produtos ou mudar a aparência das embalagens. “É uma verdadeira pesquisa de mercado instantânea e atual.”

Simone Lopes é consultora de marketing e trabalha como autônoma fazendo consultorias para empresas de médio porte nas cidades de Itajaí e Navegantes.  Ela considera essencial para uma empresa a preocupação com a mídia, e a aproximação com seu público através das redes socias. “Ter contato com seu consumidor é uma maneira de se manter fiel a ele, e estar atento às suas necessidades.” O bom relacionamento com seu público, para ela, reflete diretamente na imagem da empresa, e hoje imagem é tudo.

As redes sociais são canais altamente poderosos para a realização de pesquisas sociais e de consumo. Hoje, o cliente procura formas para expor suas insatisfações e satisfações, e se uma empresa não possui esse canal ela acaba perdendo. As empresas de médio porte são hoje as que mais apostam nas redes sociais. Essas empresas são na maioria dos casos empresas com planejamento e organização, ou empresas futuristas com visão em longo prazo que esperam obtenção de lucros a cada cinco anos.

Confira aqui mais informações sobre empreendedorismo na internet.

Negócios na rede

Traçando um paralelo histórico com a prática comercial não faz lá tanto tempo assim que o homem se utilizava apenas do chamado escambo, a troca direta de mercadorias, corpo a corpo, cara a cara, até mesmo sem a utilização de moedas ou similares. Era produto/serviço por produto/serviço. Comparado a isso as novas formas de comunicação no Brasil chegam a parecer mágicas para os usuários que dela se utilizam para fazer negócios.

É o caso de Jorge Carlos Cerqueira, proprietário de uma empresa de representação em Cariacíca, no Estado do Espírito Santo. Perto de completar 60 anos não se intimida com as dificuldades ocasionais de quem viveu no que ele chama de, praticamente, outro mundo, em que nenhuma das facilidades e encurtamentos na distância e nas formas de comunicação ainda sequer existia. Para isso conta com a ajuda da filha Claudia Cerqueira.

Assim não apenas o contato com as representadas em várias partes do país, como uma empresa de pesca em Itajaí – SC, como com muitos de seus clientes o contato se dá quase que exclusivamente através de duas ferramentas: o MSN e o Skype; bloqueado em muitas empresas por considerar distração para os seus funcionários, o fato é que são quase imprescindíveis para reduzir custos de telefonia bem como agilizar os contatos.

Com Marcelo Jardelino de João Pessoa na Paraíba que também trabalha com representação comercial, a história é a mesma no caso das necessidades e usos da internet, no entanto até mesmo por sua geração estar habituada com isso não sente maiores dificuldades e até mesmo está habituado com todas as essas ferramentas que facilitam seu serviço. É jovem, tem um pouco mais de trinta anos como ele mesmo se anuncia e acompanhou de perto a evolução e o uso das tecnologias no mesmo ritmo. Ele usa quase que exclusivamente o MSN no seu trabalho. Usa o MSN como ferramenta de comunicação.

Não apenas esses exemplos de profissionais liberais, mas cada vez mais as pequenas e médias empresas, estão se familiarizando cada vez mais com as facilidades atuais no reino da comunicação virtual, aplicada para o desenvolvimento de seus negócios. É assim com Patrick Pierre Dauer de Itajaí que há dois anos vê o crescimento de sua gráfica ligada a utilização que faz desses recursos. Chega a garantir que 90% dos pedidos de trabalho que recebe bem como o retorno ao cliente e a finalização do serviço se dão por meios eletrônicos.

É assim que, utilizando o MSN (com função de chat no próprio site da empresa), ele facilita o contato com quem precisa, também usa o Skype e procura divulgar em todas as mídias que tem acesso a sua empresa, como Orkut, twitter, facebook e outras. Uma importante ferramenta usada em sua empresa, pelo ramo de atuação e tamanho de arquivos com os quais trabalha é o protocolo de transferência de arquivos conhecido com FTP, que permite a troca de arquivos entre servidores.

Também na faixa dos trinta anos cresceu junto com a atual revolução das máquinas no Brasil e elas já fazem parte do seu dia a dia, sendo o seu conhecimento praticamente considerado habitual. Ler seus e-mails diariamente, isso, ele compara a escovar os dentes por exemplo.

Com ele concorda Chaiane Simmler, uma Webdesigner de Itajaí, Santa Catarina, mas com clientes espalhados por vários estados do Brasil. No momento em que falava sobre as facilidades de comunicação, estava trabalhando também num projeto para um cliente de Belém do Pará. Duas ferrramentas que ela não dispensaria são o MSN e o Skype. Para ela, com a web 2.0 faz tempo que a Internet deixou de ser um mural de recados para ser uma poderosa ferramenta de marketing afinada com a identidade de uma empresa.

Marketing high-tech

Ir até onde o consumidor esta é uma máxima do marketing moderno. As redes sociais são o principal ponto de encontro de um internauta e, de toda a nova geração que tem a vida voltada para o contato com a internet. A IBM prevê que até 2012 serão 800 milhões de usuários. As empresas, para acompanhar a tendência, mergulharam no relacionamento on-line e estão incluindo em sua equipe o gestor de mídias sociais.

O profissional tem a função de identificar oportunidades e analisar qual a melhor forma de sua empresa explorar as mídias sociais que fazem sucesso na internet. Entre as funções descritas nas vagas para esta área estão o gerenciamento da marca na internet e a monitoração das principais mídias sociais. Os principais requisitos costumam ser formação em comunicação, marketing ou tecnologia, familiaridade com as ferramentas da internet e domínio da língua inglesa.

Uma pesquisa realizada pela NetProspect, em maio, faz um levantamento das empresas mais sociais da América. O critério da pesquisa considera o número de funcionários que exercem funções relacionadas diretamente às mídias sociais. O vencedor foi a Microsoft, com 306 colaboradores. O Google alcançou a quinta colocação, atrás de nomes como Walt Disney e eBay.

No mundo das pequenas e médias empresas ainda fica difícil ter um profissional exclusivo para o gerenciamento destas mídias. Por outro lado, não é por isso que o investimento nas ferramentas deve ser esquecido. Letícia Clivati, responsável pelas ações de comunicação e marketing da construtora Riviera reconhece a importância das redes sociais no relacionamento com os clientes de hoje. “Há um leque de opções de redes sociais e isso, de certa forma, ajuda a segmentar alguns perfis de públicos, e ainda facilita na hora de trabalhar com comunicação dirigida”.

No segmento de construção civil, Clivati ainda revela que a relação com o cliente é muito personalizada. Nesses casos, consultar o perfil de um possível comprador de imóvel para entender quem é e do que ele gosta pode ser uma carta na manga para conquistá-lo. Para ela, “com a competitividade de hoje no mercado, quanto melhor se conhece seu público, maior as chances de encantá-lo, e nesse ponto as redes são uma pesquisa de perfil espontânea”.

Para os pequenos empresários, que ainda não podem contratar um profissional especializado há alternativa. Softwares como o Scup ajudam a monitorar o nome de empresas e assuntos de interesse do pesquisador nas principais mídias. O programa ainda apresenta informações estatísticas e traz gráficos para análises. O próprio Scup mantém um blog com dicas para que os iniciantes possam aproveitar a internet como estratégia de negócio.

Confira mais informações sobre as principais redes sociais

Extras

Saiba o que é web 3.0 (em inglês)

Confira o áudio:

Glossário das Redes Sociais

O Som alto que atrapalha

População reclama desse meio informativo usado de maneira que prejudica a saúde e ao meio ambiente

Alexssandra Mezzomo
Miriany Kátia Farias

Eles não respeitam horá­rios, finais de semana, es­colas e hospitais”, indaga a aposentada Ida Maria Peixoto. E não é somente ela que reclama desse tor­mento, muitas pessoas tem se mos­trado enfurecidas com os carros de som que passam por lugares públi­cos e não baixam o volume do som. A emissão irregular de sons ocasiona perturbação à segurança no trânsito, a qualidade de vida, ao sossego pú­blico e ofende o meio ambiente, por isso a questão dos carros de som en­volve vários aspectos legais.

Nossa reportagem entrou em contato com a advogada Nicolly Eli­cha Cordeiro Paulo que informou a não existência da proibição na utili­zação dos carros de sons. “A proibi­ção é na utilização inadequada quan­to ao volume e freqüência desses equipamentos”, garante. “Eu acho perturbante quando estou no culto e passam esses veículos, tira toda con­centração”, diz a refiladeira Maria Fernanda Rodrigues, 28.

Estudos científicos demons­tram que o volume excessivo e a poluição sonora provocam sérios prejuízos à saúde, comprometendo os aspectos físicos e mentais das pessoas. Também o uso inadequado desses equipamentos, que produzem sons que perturbam o sossego públi­co, segundo o Código de Trânsito, gera infração grave, pena de multa e pode acarretar inclusive na apreen­são e remoção do veículo para regu­larização.

Em consulta ao departamento jurídico da Prefeitura Municipal de São João Batista, há uma Lei Com­plementar 23/2009 que exige prévia licença e o pagamento de taxa para utilização desse tipo de publicidade, não dispondo nada sobre a forma per­mitida para realização da atividade.

A enfermeira do Hospital Mon­senhor José Locks, Claudete Melzi diz que os carros passam em frente ao hospital com som alto e às vezes bu­zinam. “Irrita, pois a Ala Infantil fica de frente para a estrada, uma falta de respeito”, reclama a enfermeira.

Com relação às normas de trânsito, a intensidade do volume na propaganda através do carro de som pode causar desatenção e perturba­ção aos sinais sonoros de trânsito, como, por exemplo, as ordens dos agentes de trânsito. A competência da fiscalização também compete às autoridades policiais, devendo reter os veículos que não obedeçam aos padrões exigidos para a realização dessa atividade.

Segundo a psicóloga Eliandra Soligo, são vários os pacientes que procuram consultórios psicológicos devido ao stress diário, causado principalmente por ruídos externos. “Esses ruídos do dia a dia, podem gerar prejuízos a saúde do ser humano, como a perda de audição, interferência na comunicação, agressão ao sono e até mesmo problemas cardíacos”, explica.

A advogada confirma a falta de fiscalização dos órgãos públicos e agentes de trânsito, para prevenir a ocorrência e reprimir a prática abusi­va desse tipo de atividade na cidade.

“A Polícia Militar do nosso mu­nicípio não dispõe do decibelímetro – aparelho para medir a emissão dos ruídos produzidos. De qualquer for­ma, isso não impede a fiscalização e o enquadramento do infrator em outros dispositivos legais”, informa Nicolly Elicha.

Resta, agora, que as autoridades se unam e tomem algumas providên­cias para que a Lei Complementar seja modificada, com horários e lo­cais específicos para veiculação das propagandas em carros de som.

Outro lado

Carros de propaganda costumam perturbar principalmente em horários de descanso.

A reportagem entrou em con­tato com o proprietário da Mídia Sonorização, uma das empresas que fornecem esse tipo de serviço em São João Batista. Lucas de Quadros se posiciona em relação às reclama­ções. “Minha empresa tem alvará da Prefeitura Municipal e da Polícia, e está habilitada para realizar os ser­viços de propaganda de rua”, afirma ele. Segundo Lucas, todos os funcio­nários da Mídia são treinados para desligar o som em frente aos órgãos públicos.

Como salvar o rio Itajaí–Mirim

E os desafios das famílias ribeirinhas que vivem sem saneamento básico

Bruna Cortez
Daiane Benso
Sidnei de Almeida

Às margens do rio Itajaí – Mirim você encontra a família do comerciante, Salvador Antunes de Oliveira, 52, que mora com esposa e filhos – um total de 10 pessoas. Sem saneamento básico, eles usam bacias para tomar banho e vão levando a vida como podem. As dificuldades que essa família enfrenta ficam estampadas logo na entrada do pátio da pequena e humilde casa em que vivem. Para piorar, nos pouco mais de 100 metros do terreno, moram outras duas famílias. Todos sem saneamento básico, vivendo amontoados em casebres. Não muito longe, na outra esquina, você encontra belas casas, com famílias de classe média. Todas com carros estacionados na garagem. Marcantes diferenças sociais aos olhos de qualquer um que passa por lá, até das autoridades locais que ignoram esse problema.

O comerciante mora na avenida Nilo Simas, no bairro Cidade Nova,  em Itajaí/SC, às margens do rio, há mais de oito anos. “Para os moradores daqui nunca existiu saneamento”, lamenta. Por não possuir saneamento básico, os moradores usam o rio como um depósito de lixo. Restos de comida, papéis e pedaços de madeira se juntam a pouca mata ciliar que ainda resta à beira do Itajaí – Mirim.

Em dias de chuva, a situação é ainda mais alarmante. O rio enche e os moradores sofrem as consequências. “Sempre alaga tudo aqui. Minha casa já alagou várias vezes”, confessa o pedreiro Osmar Antunes, 41, que mora no local há apenas dois meses. Esse problema é antigo. A maioria das casas são de invasões de moradores que não possuíam condições de comprar um terreno em algum bairro da cidade. Assim foi se formando um pequeno povoado no local. Hoje conhecido como parte do bairro Cidade Nova, popularmente chamado de Promorar, a situação virou um desafio para as autoridades locais. De acordo com o secretário de Obras de Itajaí, Tarcísio Zanelatto, existe um projeto em andamento que visa implantar o saneamento básico para todos os bairros da cidade até 2018. Além do longo prazo para a conclusão das obras, o secretário ressalta que nem todos serão contemplados com o projeto. “Nós só daremos saneamento básico para as famílias que pagam IPTU e taxas residenciais para a prefeitura. Todas as famílias que invadiram o local não receberão o saneamento. Pretendemos deslocá-los para casas populares fornecidas pela prefeitura”, completa. No entanto, o secretário também não soube informar quando ocorrerão essas transferências e doações de novas casas para as famílias ribeirinhas.

Não bastasse o problema da falta de condições básicas de moradia para as famílias ribeirinhas, o rio sofre com a forte poluição desses moradores. A falta de conscientização é o principal quesito para a destruição em massa das águas do Itajaí – Mirim. Os danos causados ao ambiente são múltiplos, desde a diminuição da qualidade da água para uso humano, produção agro-industrial, animais e para a vegetação. Assim garante o professor de Biologia e Ciências Naturais da Univali, Danilo Campestrini. “As atividades de uso doméstico e industrial da água que ainda hoje retorna sem o devido tratamento, apesar dos esforços de saneamento básico e do uso racional, também ocasionam a poluição”.

Por outro lado, os órgãos fiscalizadores de Itajaí deveriam monitorar essas irregularidades, mas não o fazem. Assim garante seu Salvador. “A Fundação Municipal do Meio Ambiente (FAMAI) teoricamente precisa fiscalizar os danos ambientais causados ao meio ambiente, mas eles só aparecem por aqui para monitorar aterros sanitários”.

De acordo com o diretor de recursos naturais e de resíduos da Famai, Francisco Carlos do Nascimento, o Serviço Municipal de Água, Saneamento Básico e Infra-estrutura de Itajaí (SEMASA), tem a função de fiscalizar a qualidade da água do rio. “Não sei na prática, mas o Semasa precisa semanalmente comparecer nesses locais para fazer um laudo do rio”. Para reforçar a questão da preservação do meio ambiente o diretor garante que está fazendo o possível para diminuir a poluição do rio. “Estamos construindo a Rede Coletora e Sistema de Tratamento de Esgoto Coletivo. Quando estiver pronta, todos os esgotos da cidade serão ligados a ela. Isto solucionará o problema de esgotos domésticos”.

Principais problemas do rio

Conforme Danilo Campestrini, a situação do Rio Itajaí – Mirim é preocupante pelos seguintes motivos:

Falta de iniciativas por parte das autoridades governamentais sobre as questões do meio ambiente. “Observem a proposta de modificação do Código Ambiental, segundo penso um retrocesso. Enquanto resolve problemas de alguns, por exemplo, a redução da preservação das margens dos rios de 30 metros para apenas 7,5 metros, cria a falsa impressão que os novos limites serão, finalmente, preservados.”

As atividades de mineração, terraplanagem e o uso da água para agricultura e consumo tendem a aumentar rapidamente o que torna o rio ainda mais vulnerável. As barragens e as pontes se tornam a cada dia um perigo maior para a vida do rio.

Falta de tentativas para a recuperação das matas ciliares. “Basta observar que o canal retificado há mais de 40 anos ainda não mereceu um projeto de vulto para a sua recuperação”.

O crescimento da cidade, especialmente a de Itajaí, estrangulando a área da foz do Rio Itajaí Açu e Itajaí Mirim. “Este sem dúvida é o mais grave problema enfrentado hoje pela administração municipal da cidade. Se, por um lado, não pode frear o especulativo mercado imobiliário, por outro, não pode se eximir da responsabilidade das catástrofes anunciadas com as grandes enchentes”.

Adequações

De acordo com o Oceanógrafo, Mestrando em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Sócio-Ambiental pela UDESC e Ambientalista, Caio Floriano dos Santos, é preciso fazer algumas adequações para evitar a total destruição do rio. “Além da implantação do saneamento básico em toda a bacia, é necessário a remoção da população que mora às margens do rio”. Segundo ele, a situação é reversível, mas para isso é necessário vontade política e uma mobilização da sociedade civil. “Cabe ao poder público tomar uma atitude pró-ativa, principalmente no que se refere ao planejamento urbano municipal. No entanto, o que vemos normalmente é um total descaso e falta de coerência nas ações do poder público”.

Dados técnicos sobre o rio Itajaí-Mirim

Veja mais sobre o assunto em PDF:

http://dspace.universia.net/bitstream/2024/210/1/Pinto_RioGrande_RJ.pdf
http://www.bvsde.paho.org/bvsaidis/mexico26/vi-007.pdf
http://www.cpap.embrapa.br/publicacoes/online/ADM096.pdf

Saiba mais:
http://educar.sc.usp.br/biologia/textos/m_a_txt5.html
http://ambientes.ambientebrasil.com.br/agua/artigos_agua_doce/poluicao_da_agua.html
http://www.adital.com.br/site/noticia2.asp?lang=PT&cod=25533

Poluição dos rios

Audição Tech

A evolução tecnológica  alcança nossos sentidos

Marina Liz Dalcastagne
Sarita Gianesini

Pare por um instante e preste atenção somente no que seu ouvido lhe diz. Ouça mundo à sua volta: as vozes das outras pessoas, os carros passando na rua, o vento mexendo as folhas das árvores. Os ruídos do seu próprio corpo, os movimentos respiratórios, o coração batendo.

Agora, tente imaginar toda sua vida na tecla mute do controle remoto. Faça de conta que você percebe as pessoas movimentando os lábios, mas não entende o sentido disso. Imagine como seria não saber que alguém está lhe chamando, que melodia tem uma música ou como é a sua própria voz.

É difícil imaginar um mundo sem sons, mas de acordo com os dados do Censo 2000 (IBGE), esta é a realidade de cerca de 5,7 milhões de brasileiros que tem algum grau de deficiência auditiva, dos quais pouco menos de 170 mil se declararam surdos.

De acordo com a professora do curso de Fonoaudiologia da Universidade do Vale do Itajaí, Karla Zimmerman, a perda auditiva pode ser condutiva, neurossensorial ou mista. É condutiva quando o problema está na orelha e no conduto auditivo. Neurossensorial quando ocorre na cóclea ou no nervo auditivo. E mista quando há falhas tanto na condução dos sons para o ouvido interno, quanto na transmissão da informação sonora ao cérebro. As perdas auditivas também são mensuradas em uma escala de decibéis, que vai de 0 a 120, conforme o gráfico:

Speech Banana, disponível em http://www.phonak.com

Speech Banana“: os fonemas que compõem a linguagem são percebidos em uma área de tons e frequência próxima. Fonte: Phonak.

A fonoaudióloga Ívina Bauer, de Brusque, explica que pessoas com perda auditiva severa conseguem ouvir conversas muito altas, mas sem a distinção de palavras. Já na perda auditiva profunda, somente sons como o das vuvuzelas sul-africanas, que chegam à 116 decibéis, são percebidos. “Você pode colocar um trio elétrico no meu quarto que não identifico nada. Sinto as vibrações sonoras, mas escutar, não escuto nada”, conta Tarcísio Chaves, 39, que perdeu a audição há 11 anos e desde 2005 voltou a ouvir com um recurso tecnológico, o implante coclear.

Quando o problema de audição não pode ser solucionado com medicamentos ou cirurgia, existem opções tecnológicas. A evolução dos aparelhos auditivos beneficia pessoas com os mais diversos tipos de surdez, facilitando a inclusão em um mundo de maioria ouvinte. Agora, vamos conhecer algumas destas tecnologias.

Implante Coclear

O implante coclear é um dispositivo eletrônico de alta complexidade tecnológica, que permite que pessoas com perda auditiva severa ou profunda passem a ouvir. Também conhecido por ouvido biônico, é composto por duas unidades, a interna e outra externa.

O componente interno possui uma antena interna com um ímã, um receptor estimulador e um feixe de eletrodos, envolvido por um tubo de silicone fino e flexível. Com uma cirurgia, o dispositivo da antena e do ímã fica sob o couro cabeludo, ancorado no crânio, que é levemente escavado e o filamento de eletrodos é introduzido na cóclea. Já o dispositivo externo do implante, é composto por microfone direcional, processador de fala, antena transmissora e dois cabos.

Um mês após a cirurgia de implante, o paciente recebe o componente externo e o dispositivo é ativado. A partir de então, a pessoa ouve pela primeira vez ou volta a ouvir. Confira na animação do FDA como funciona a audição normal, a perda auditiva e o implante coclear.

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

Ouvido normal, ouvido com perda de audição e procedimento de implante coclear. (Fonte: FDA)

De acordo com a Associação dos Pais, Amigos e Usuários de Implante Coclear, Adap, 14 centros de implante operam pelo Sistema Único de Saúde (SUS), seguindo os critérios determinados pela Portaria nº1278/GM do Ministério da Saúde. São candidatos ao ouvido biônico pelo SUS pessoas com perda auditiva bilateral (nos dois ouvidos) severa ou profunda, que não têm reconhecimento auditivo eficaz com o uso do Aparelho de Amplificação Sonora Individual (AASI).

Durante o Segundo Simpósio de Implante Coclear do Hospital Iguaçu, em 2007, a cirurgiã otológica Trissia Vassoler destacou que a operação não é suficiente para a obtenção de resultados com o implante coclear. O trabalho reúne uma equipe multidisciplinar, formada por médicos, fonoaudiólogos, psicólogos e assistentes sociais. Após a cirurgia, o implantado precisa realizar um trabalho contínuo de terapia fonoaudiológica para adaptação.

No vídeo abaixo você pode ter uma noção de como é a vida de um usuário de implante coclear.

Em Santa Catarina, a primeira cirurgia de implante coclear foi realizada em 2007, pelo otorrinolaringologista Cláudio Ikino, no Hospital Universitário da UFSC. Desde então o processo de credenciamento para o HU-UFSC virar centro de implante coclear tramita em Brasília, aguardando autorização do Ministério da Saúde. Claúdio Ikino, que realiza implantes pela rede privada, explica que ao mês, em média dois potenciais usuários de implante coclear são encaminhados para núcleos fora de Santa Catarina. O custo do dispositivo, em torno de 58 mil reais, é um dos motivos para a demora na abertura de novos centros públicos de implante.

Você pode comparar como é ouvir com implante coclear e como uma pessoa com audição normal ouve. É só clicar nos áudios abaixo, primeiro, há o som dos usuários de implante e logo em seguida a audição ‘normal’:

De uma pessoa falando…

De uma música…

Do telefone…

BAHA

Alguma vez você já se perguntou o que é o som? O som resulta de vibrações na matéria, seja no estado sólido, líquido ou gasoso. Quando ouvimos, significa que algum objeto causou deslocamentos no ar. Pois é baseado nesta característica mecânica que funciona o sistema BAHA (Bone Anchored Hearing Aid). Traduzindo seria algo como “aparelho auditivo de transmissão óssea”.

Assim como o ar, os ossos podem conduzir o som, levando as vibrações sonoras direto à cóclea por um caminho diferente, que utiliza o crânio ao invés da orelha externa e média. Diferente do implante coclear, que oferece um estímulo elétrico, no BAHA o estímulo é acústico, próximo da audição normal.

A ilustração abaixo mostra o funcionamento e as partes que compõem o BAHA.

Como funciona o BAHA? (Fonte: Cochlear)

  1. O processador de som captura os sons e os converte em vibrações;
  2. A junta conectiva transfere o som do processador para o implante de titânio;
  3. O pequeno implante de titânio fica no crânio, atrás da orelha, onde se funde ao osso em uma ligação muito forte. O implante transfere as vibrações sonoras através do osso diretamente para a cóclea, sem passar pelo ouvido externo e médio;
  4. Essas vibrações sonoras fazem com que o fluido no ouvido interno movimente as células ciliares da cóclea, enviando o sinal sonoro para o cérebro. E faz-se o som.

 

De acordo com o Dr. Claudio Ikino, o sistema BAHA é indicado em casos de atresia de conduto (em que a pessoa nasce com o canal auditivo fechado), para pacientes que não podem usar o AASI por dermatites ou pus no canal do ouvido e, ainda, em caso de perda auditiva unilateral. Primeiro médico a realizar a cirurgia de BAHA em Santa Catarina, Ikino ressalta que Ministério da Saúde ainda não incluiu o aparelho na relação de próteses fornecidas pelo SUS, mas analisa esta possibilidade. Caso seja aprovado, os centros que já realizam implante coclear serão autorizados a fazer a cirurgia.

Para ouvir e ver melhor

 O SARDA (Software Auxiliar na Reabilitação de Distúrbios Auditivos) foi desenvolvido por uma equipe de pesquisadores e alunos de Fonoaudiologia, Ciências da Computação, Design Industrial e Jornalismo da Univali, com objetivo de contribuir para reabilitação de distúrbios auditivos e desenvolvimento de algumas habilidades auditivas.

A coordenadora do curso de Fonoaudiologia da Univali Sinara Hütner reforça que o SARDA é uma ferramenta que não substitui a terapia convencional. Apesar da facilidade de ser web, o programa precisa da orientação do professor ou fonoaudiólogo para ser aplicado. Para saber mais sobre o SARDA assista ao vídeo produzido pela acadêmica Caroline Weiss:

 Saed

 Em frente ao computador, Rafael Pereira, 7, de Brusque, trabalha com o programa DOSVOX, sistema para deficientes visuais. O estudante da segunda série está em processo de alfabetização e, por enquanto, só forma dissílabas. Ainda que Rafael não tenha a visão totalmente comprometida, é difícil acompanhar os colegas de classe. Por isso, duas tardes por semana, o garoto frequenta a Escola de Educação Básica Dom João Becker, única em Brusque que oferece gratuitamente o Serviço de Atendimento Educacional Especializado (Saed).   

Rafael utiliza as ferramentas da sala DV

Rafael utiliza as ferramentas da sala DV”. Crédito: Marina Liz.

De acordo com a responsável pela sala DV (Deficientes visuais) Terezinha Ivone Casola, alguns alunos já saíram de lá totalmente independentes. A tecnologia está presente na sala DV através do programa DOSVOX e da lupa eletrônica, programa que auxilia a leitura e a escrita de pessoas com baixa visão.

Voyeurismo empresarial

Quando simples cliques podem ser transformados em repreensão

 

Fernanda Ribas de Oliveira
Lucas Bezzi Negrão
Priscila Fernandes

Você está na mesa de trabalho e ao ligar o computador consulta os e-mails da empresa e depois, ao abrir o correio eletrônico pessoal, uma mensagem de acesso negado surge no seu navegador. Certo de que algo está errado, você tenta se conectar via chat com os amigos e o programa mostra uma mensagem de erro. Sorria, você está sendo vigiado. Dois lados separam o avanço da tecnologia na internet que se faz presente nos cenários empresariais. O lado positivo revela um ambiente virtual que proporciona novas possibilidades de comunicação com o mundo inteiro, independente de onde você esteja. Já o negativo faz com que o internauta fique vulnerável a vários tipos de invasões, desde os vírus enviados por e-mail à monitoração de seus cliques, página a página.

O “Big Brother” coorporativo

O clássico 1984 de George Orwell, em que um regime político totalitário fiscalizava e controlava a vida dos cidadãos, relembra a vigilância invasiva do Grande Irmão sobre os cidadãos da Pista de Pouso Número 1 (Inglaterra). Orwell, em 1949, já previa o caminho que as gerações futuras estavam tomando ao relacionar um governo dominador e o controle da sociedade. O mesmo acontece nos setores de informática e tecnologia das grandes empresas, só que neste caso, as câmeras são trocadas por softwares de monitoramento. As ações do funcionário no ambiente virtual estão cada vez mais expostas e isso acaba por permitir que a empresa julgue através da navegação o potencial profissional do empregado.

Em virtude dessa nova realidade, os empregadores buscam nos serviços de informática, softwares capazes de mostrar as atividades de seus funcionários neste cenário. Marcelo, 26 anos, é proprietário de uma rede de lojas de informática em Itajaí e oferece a seus clientes o controle das atividades dos funcionários através de seus computadores. Ele explica que a partir do momento que é possível o acesso à rede da empresa, o usuário já está sendo observado pelo sistema de monitoramento.

Existem no mercado diversos softwares que são instalados no servidor da empresa para armazenar informações. Eles podem monitorar e bloquear serviços como mensageiros instantâneos, redes sociais, instalação de programas, entre outros. Empresários podem rastrear e-mails, histórico de navegação e até consultar em tempo real as telas dos computadores de suas empresas. Por mais inocente que seja o conteúdo que o empregado utilize na internet, os rastros deixados no sistema podem vir a ser utilizados contra ele.

Em 2008, a Websense, líder global nos serviços de segurança de dados, internet, e email, realizou entrevistas com funcionários de empresas de grande porte, de toda a América Latina, para descobrir quais são os hábitos que os funcionários têm durante o expediente de trabalho. Foi levado em conta fatores de risco que influenciam na segurança da empresa. A pesquisa nomeada “Web@Work 2008”, divulgou que 95% dos funcionários navegam com motivos pessoais durante o expediente, sendo que 75% deles admitem visitar sites perigosos para seus empregadores. Entre as páginas mais visitadas estão: bancos e finanças (77%), notícias, páginas governamentais e email pessoal (75%).

 Mariana Farias, 25, é funcionária a cinco anos de uma multinacional em Itajaí que atua na área industrial. Entre suas atividades profissionais estão o uso diário de e-mails. Desde o primeiro dia no emprego não havia bloqueio de acesso a nenhum tipo de site, entre, porém há cerca de um ano a diretoria começou, sem aviso prévio, a restringir ferramentas como MSN e o orkut. “O bloqueio aconteceu sem qualquer justificativa. Eu utilizava o meu MSN e minha produtividade não era afetada por isso. Acredito que os funcionários deveriam tomar conhecimento do motivo desta decisão”. Mês após mês, redes sociais como o Twitter, o Flickr e o Facebook foram bloqueados sem aviso.

“O problema está na intenção do proprietário da empresa em vigiar as ações de seu empregado. Muitos monitoram a navegação exagerada que influencia o rendimento, contudo a grande maioria procura com este controle bisbilhotar a vida pessoal do funcionário”. Marcelo conta que o MSN é o meio social que mais ocasiona problema, já que o empregador pode ler todas as conversas feitas no local de trabalho. “Caso a empresa faça esse tipo de monitoramento, acredito que o mais sensato seja que o funcionário seja comunicado sobre isso. Muitos desconhecem que são vigiados e acabam falando demais”.

Bom senso na hora de vigiar

A advogada trabalhista de Videira, Ana Lucia Correa, 26, considera que o bom senso do empregador diante da invasão de privacidade do empregado é fator definitivo para caracterizar a ação trabalhista, movida por ambos os lados. Muitos funcionários acabam sendo demitidos por justa causa após o uso indevido da internet. “É direito do trabalhador ter contato com a vida pessoal durante o expediente, já que em muitos casos acontece exatamente o contrário. Ignorar o fato de que os meios de comunicação estão cada vez mais favoráveis para a troca de informação pode ser visto como um controle excessivo por quem é monitorado, por isso não é indicado generalizar este uso errôneo pois muitos funcionários utilizam o ambiente virtual de maneira adequada”.

Com o avanço da tecnologia as empresas justificam o monitoramento de seus funcionários pela questão da produtividade afetada no ambiente de trabalho. Sandra Carvalho, 59, proprietária de dois restaurantes na cidade de Pomerode solucionou o problema de outra maneira: ela retirou o acesso à internet dos computadores de seus estabelecimentos. “Percebi que os funcionários que ficavam no caixa perdiam muito tempo verificando e-mails pessoais e sites, e perdiam o foco durante o expediente de trabalho”, conclui.

Enquete: Quais são os seus hábitos no mundo virtual na hora do trabalho?

Tecnologia Militar Brasileira

Um panorama das estratégias e potencialidades bélicas nacionais

 Bolívar Hetzer Salerno
Felipe Thiago Conrad
Mayella Rawietsch Krause

 Engana-se quem pensa que tecnologia militar é apenas a evolução de armas, mísseis e caças utilizados na segurança nacional. As tecnologias militares são componentes da área da tecnologia de defesa e segurança. Enquanto a primeira é o agregado de conhecimentos teóricos e práticos – como técnicas, métodos, procedimentos produtivos, gerenciais e organizacionais – a segunda atribui-se aos conhecimentos científicos, empíricos e intuitivos que são utilizados na produção de bens e serviços envolvidos na defesa e na segurança de um país. Afinal, nem todas as ações estratégicas envolvem meios bélicos.

A importância estratégica das tecnologias militares, desde a produção até sua comercialização, está intimamente ligada com questões políticas. Governos, interessados nos ciclos tecnológicos, interferem nas pesquisas, com imposições regulatórias, por serem os principais usuários e patrocinadores destes produtos. Há casos em que os produtos desenvolvidos para atender questões militares passaram a ser utilizados no meio civil. Dois claros exemplos são a Internet – criada durante a Guerra Fria para assegurar a comunicação das bases militares dos Estados Unidos mesmo que boa parte do país fosse destruído -, e o conhecido GPS, Global Positioning System. “É a chamada tecnologia dual, pois pode ser utilizada na produção de serviços tanto militares quanto civis”, afirma Waldimir Pirró e Longo, doutor em Engenharia e Ciência dos Materiais e Metalurgia pela University of Florida e pesquisador do Núcleo de Estudos Estratégicos da Universidade Federal Fluminense.        

No Brasil, desde o Império até a Segunda Guerra Mundial, o pouco e rústico equipamento militar era produzido por indústrias do governo. O desenvolvimento de tecnologia militar foi prioridade durante a ditadura e a partir da década de 70 houve um período de expansão. “Optou-se pela indústria civil e houve um boom com empresas como a Engesa, Avibrás, Novatração, Órbita e outras”, explica Waldimir, “só que essas empresas desmoronaram com a crise econômica, com a falta de encomendas e com o fechamento do comércio exterior. Hoje, nós estamos numa situação bastante pobre em relação a equipamento bélico nacional”.

Apesar do Ministério da Defesa ter algumas iniciativas, não há estímulo ao desenvolvimento da tecnologia, nem políticas de governo duradouras. Expedito Carlos Stephani Bastos, pesquisador de assuntos militares da Universidade Federal de Juiz de Fora, explica que as empresas brasileiras não têm interesse em vender suas tecnologias para as forças armadas porque negociar com o governo nem sempre é lucrativo. “Muitas empresas acabam quebrando. A iniciativa privada não quer correr o risco simplesmente porque o governo não possui projetos de renovação de equipamentos militares e nem política de compra mínima – algo essencial para justificar todo o investimento gerado na pesquisa”, afirma. A consequência disso é a dependência externa, agravada pelo alto preço dos produtos que envolvem tecnologia militar, um tanque de guerra custa cerca de U$ 7 milhões e um veículo de rodas blindado, € 3 milhões.

           

A importância da pesquisa e do desenvolvimento da tecnologia militar

“Não existe poder sem força. Para se impor, você tem que ter respaldo ou, pelo menos, dissuadir os outros de reagirem”, sustenta Waldimir. Forças armadas com capacidade de resposta imediata são fundamentais para preservar os interesses de um país. A curto prazo, o Brasil tem duas grandes ameaças: a Amazônia e o petróleo brasileiro, afinal, a propriedade das fronteiras marítimas não está assinada por todos – os Estados Unidos, até hoje, não aceitaram economicamente essa questão de zona exclusiva. “É fundamental para o projeto de dissuasão brasileiro, o submarino atômico. Com uma extensão marítima como a nossa, temos que ter uma Marinha capaz de patrulhar a nossa zona de exploração econômica exclusiva, que chamamos de Amazônia azul. É uma área imensa que o Brasil deve cuidar e impedir que seja invadida ou explorada por outros. E é lá que estão nossas reservas de petróleo”, explica.

Assista a reportagem produzida pela TV Globo em agosto de 2009, mostrando o interesse de Barack Obama no pré-sal brasileiro e enviar tecnologias militares dos EUA para o Brasil.

Mundialmente, o maior incentivador do meio científico continua sendo a área de defesa. Enquanto os Estados Unidos repassam metade do orçamento federal para pesquisa científica e tecnológica militar (69,8 bilhões de dólares em 2004), o trabalho “Ações indutoras na área da Defesa”, realizado pelo MCT/FINEP, mostra que, em 2008, o Brasil dedicou apenas 267 milhões de reais, sendo 80 milhões em subvenção – ou seja, pagos pelo governo.  Expedito aponta como causa a falta de integração da área das tecnologias militares com uma política única de Ciência e Tecnologia. “Precisamos, além de participação estatal direta e concreta – com apoio à fabricação e comercialização de produtos de defesa – de uma estratégia eficiente para que essas indústrias sobrevivam. Precisamos de apoio por parte da Política Nacional de Defesa”.

A indústria bélica brasileira praticamente desapareceu. A única empresa remanescente, exportadora e de grande porte, é a Embraer – que possui departamento de defesa e fabrica aviões militares. “A Embraer faz o avião Tucano, agora vai fazer um transporte de tropa tão grande quanto o Hercule C-130, fez o AMX em consórcio com a Itália, o EMB-145 militarizado e outros. Nós temos que reconstruir e avançar com a indústria local porque o pior da dependência externa é criar emprego nos outros países”, aponta Waldimir.

Ouça o Podcast com Waldimir Pirró e Longo sobre a produção de tecnologia própria brasileira:

 Sobre os impactos de produção militar no Brasil, sugerimos a leitura de um dos artigos de Waldimir. (Impactos do desenvolvimento científico e tecnológico na Defesa Nacional)

 

A questão nuclear

Após a Segunda Guerra, os grandes líderes mundiais passaram a se preocupar com a possível proliferação do uso da energia atômica como meio de destruição de massa. Preocupados em não perder superioridade tecnológica, em 1946 os Estados Unidos criaram o Atomic Energy Act que proibia a transferência, para o exterior, de qualquer conhecimento sobre assuntos nucleares. Vinte e dois anos mais tarde, entrou em vigor o Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares (TPN) – do qual o Brasil, atualmente, faz parte. O TPN proíbe os cinco estados nucleares conhecidos na época (China, França, Rússia, Reino Unido e Estados Unidos) de transferirem armas nucleares e prestarem assistência para a sua aquisição, bem como proíbe os estados não-nucleares de receber, desenvolver, produzir ou adquirir armas nucleares. No caso do Brasil, o país não pode mais possuir armamento atômico desde o governo Collor.

Em sua tese de doutorado pelo Instituto Militar de Engenharia do Exército (IME), o físico Dalton Ellery Girão Barroso desenvolveu cálculos e equações que permitiram interpretar modelos físicos e matemáticos de uma ogiva nuclear W-87. Em, 2009, Dalton publicou o resultado de seus estudos no livro “A física dos explosivos nucleares”, despertando a atenção da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEIA) – responsável pela fiscalização de armas nucleares no mundo. A intromissão da AIEIA em atividade acadêmicas, alegando que os dados revelados no livro eram secretos e restritos aos países que desenvolvem artefatos para aumentar arsenais nucleares, gerou insatisfação da área militar. Dalton apenas afirmou que “não precisa fazer a bomba, basta mostrar que sabe”.

 Ainda assim, o Brasil revela-se incapacitado de produzir artefatos atômicos. Ouça o podcast em que Waldimir fala sobre o assunto:

 

 Países bem menores como o Brasil produzem armas nucleares, como no exemplo do Irã, que produz mísseis nucleares de longo alcance. (Clique na figura para vizualizar melhor)

 O cerceamento tecnológico

 A partir da Segunda Guerra, os países líderes no desenvolvimento científico e tecnológico passaram a praticar o cerceamento de terceiros ao acesso a tecnologias sensíveis – ou seja, tecnologias que um país, ou grupo de países, considera que não deva dar acesso, por um determinado tempo, a outros países por questões de segurança.

A primeira organização criada para coordenar as restrições à exportação de tecnologias sensíveis foi o Coordinating Commitee For Multilateral Export Control, fundado em 1949, e que coibia transferências tecnológicas para os países comunistas. Atualmente, o Protocolo Adicional do TPN faz parte de uma estratégia das grandes potências de estabelecerem o cerceamento. São mecanismos encontrados para manter a competitividade norte-americana intacta, impedindo a comercialização de bens estratégicos para países que tenham potencial de competição.

Waldimir afirma que “não existe país no mundo que seja respeitado e não tenha uma indústria própria. Exemplo: Estados Unidos, China, Rússia, Índia, Alemanha, Inglaterra, França e outros. Mas dos países que nos alinhamos, nós somos o único desarmado”. Ainda assim, questões como a defesa nacional e o desenvolvimento científico e tecnológico brasileiro já começaram a ser politicamente discutidos. “Hoje uma das prioridades do Ministério da Defesa é estabelecer uma indústria bélica própria que, paulatinamente, deve ganhar autonomia. A diferença é que os contatos de compra que estamos fazendo, sempre têm transferência de tecnologia. Nós não queremos só comprar um avião, ou um tanque, nós queremos ser sócios no desenvolvimento”.

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