Sistema de coleta de lixo é destaque no Vale do Itajaí

Com apoio da Prefeitura, Itajaí recicla 70% do lixo que produz

Amaro Paz
Diogo Campos
Pitter Hurmann

Um dos orgulhos de Itajaí está na eficácia do seu sistema de coleta de lixo. Nas mais distintas áreas da cidade é possível encontrar as lixeiras coloridas distinguindo lixo orgânico de lixo seco, em lugares com grande concentração de público, como estádios, praças e a universidade pode se observar a implantação das cinco lixeiras, cada qual para um material especifico.

A coleta seletiva foi implantada pela prefeitura de Itajaí no dia 7 de julho 2005 com grande eficácia e cada vez dá mais atenção e apoio para o processo, tendo em vista o último projeto em que encaminhou até os moradores um formulário que devia ser devidamente preenchido e entregue nos postos de coleta, um compromisso que como cidadãos, os moradores se comprometiam em separar seus lixos.

Vista aérea da Cooperativa

Não depende apenas da iniciativa da prefeitura em fornecer material e apoio ao processo de seleção do lixo, mas também da conscientização da população em fazer sua parte. Elisangela Antunes é diarista na cidade de Itajaí e Navegantes e conta que em todas as casas em que trabalha sempre deixa uma lixeira especifica para lixo seco. “Separo o lixo na minha casa e também nas que trabalho, algumas não faziam isso antes de eu começar a separar”. A diarista ainda conta que em sua casa a quantidade de lixo seco é superior ao lixo orgânico. “Nós usamos apenas uma lixeira para o lixo comum, e usamos quase dois sacos grandes para garrafas, caixas e coisas do gênero”.

Jonatas de Souza é o presidente da Cooperativa dos Coletores de material Reciclável da foz do Rio Itajaí, ele conta que a conscientização dos moradores de Itajaí quanto à coleta seletiva aumentou em muito nos últimos dois anos. Aponta como um dos resultados o incentivo que a prefeitura dá ao movimento, apesar da quantidade baixa de material que é produzido nesta época do ano, o presidente da Cooperativa diz que 70% do que ele recebe já foi devidamente selecionado.

A Cooperfoz segue o exemplo de cooperativas das mais diversas áreas, que são formadas e administradas por associações. Seu papel em Itajaí é o da triagem do material coletado pelos caminhões da prefeitura em toda a cidade. A seleção feita pelos morados é basicamente entre materiais secos e orgânicos, os cooperativos têm a responsabilidade de uma seleção mais detalhada, separando materiais metálicos, plásticos, vidros, tecidos, papéis brancos de papéis de jornal, cada grupo de cooperativos é encarregado de uma parte deste processo.

Jonatas de Souza administra a Cooperativa que conta com um quadro de quarenta e quatro funcionários, e opta pela transparência e clareza na hora da prestação de contas aos seus cooperados, dando a todos o acesso de quanto é gasto nas despesas de base para o funcionamento do estabelecimento. O lucro é igualitariamente dividido entre todos os participantes. “Não há um valor certo, quanto mais nós produzirmos maior será o ganho no final.” A cooperativa opta ainda pelo pagamento semanal devido a necessidades de seus contribuintes.

O período que se estende de maio a setembro, meses mais frios e com menos quantidade de festas e celebrações, o presidente explica que o material que recebem é muito inferior às outras épocas do ano, cerca de sete a nove caminhões por dia, o que acaba atingindo o lucro de cada um no final da semana “Já tive uma semana em que chegou o sábado e cada um recebeu sete reais.” A carga horária da cooperativa assemelha-se ao horário de funcionamento do comércio, fechada aos domingos e aberta aos sábados pela manhã, cabe aos cooperativos decidirem se trabalharão no sábado a tarde. “Sempre há a possibilidade de fazermos hora extra, vai depender de quanto trabalho ficar acumulado.” Explica Jonatas, e acrescenta que as épocas em que isso mais acontece são as festivas, natal, ano novo, e principalmente o carnaval, quando recebem quase vinte caminhões de carregamento por dia.

O grupo de Cooperativos da Cooperfoz é bastante diversificado, contando com pessoas de 20 a 63 anos de idade, cada qual designado para a função que mais se enquadre com a sua vigororosidade física. Jonatas é Cooperativo há nove anos, quando começou no grupo fazia a triagem do papel e trabalhou nas prensas, assumiu a presidência há quase dois anos, e é de sua responsabilidade designar algumas funções. “Na maioria eles mesmo se revezam, mas nem sempre qualquer um pode trabalhar na prensa”. Rafael Oliveira (23) trabalha na prensa e é cooperativo há sete meses. “É um trabalho que exige bastante da gente, eu estou aqui faz tempo, mas tem cara que chega e fica dois ou três dias.” conta Rafael.

Os cooperativos passam o dia em seu local de trabalho, começam às oito horas da manhã e se estende até as seis da tarde, fazem suas pausas em grupo, pois o trabalho é simultâneo e não pode ser feito por um grupo pequeno de pessoas, a própria cooperativa fornece o almoço e faz duas pausas, uma no meio da manhã e outra à tarde.

Localizada na Avenida Reinaldo Schmithausen do Bairro Cordeiros em Itajaí, a Cooperfoz tem o papel de fazer a triagem dos materiais recebidos, O Presidente Jonatas explica que não tem espaço suficiente e local apropriado para armazenamento dos fardos prensados, seu material final. Por conta disso os fardos são armazenados em um galpão a poucas quadras de distância, responsabilidade de Clovis dos Santos, que é o principal contribuinte da Cooperativa, ele compra o material produzido pela Cooperfoz a preço de mercado e se encarrega de armazená-lo e também de direcioná-lo para as entidades especificas, como a indústria de reciclagem de plástico em Santa Lidia.

Anderson dos Santos é o encarregado da equipe que trabalha no galpão de armazenamento do pai, Anderson (17) explica que não recebe materiais apenas da Cooperfoz, mas também de outras cooperativas menores da região, com uma equipe de quatro funcionários fixos há quase nove meses, também fazem o trabalho de triagem de papel, separando e prensando apenas papel branco, que serão enviados para Santa Lidia mais tarde.

Os resíduos orgânicos separados na triagem pela Cooperfoz, e os caminhões que recolhem material orgânico na cidade têm um destino diferente, materiais que não podem ser reciclados de Itajaí e da região são encaminhados para o aterro municipal situado na comunidade agrícola Canhanduba, às margens da BR 101.

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Como salvar o rio Itajaí–Mirim

E os desafios das famílias ribeirinhas que vivem sem saneamento básico

Bruna Cortez
Daiane Benso
Sidnei de Almeida

Às margens do rio Itajaí – Mirim você encontra a família do comerciante, Salvador Antunes de Oliveira, 52, que mora com esposa e filhos – um total de 10 pessoas. Sem saneamento básico, eles usam bacias para tomar banho e vão levando a vida como podem. As dificuldades que essa família enfrenta ficam estampadas logo na entrada do pátio da pequena e humilde casa em que vivem. Para piorar, nos pouco mais de 100 metros do terreno, moram outras duas famílias. Todos sem saneamento básico, vivendo amontoados em casebres. Não muito longe, na outra esquina, você encontra belas casas, com famílias de classe média. Todas com carros estacionados na garagem. Marcantes diferenças sociais aos olhos de qualquer um que passa por lá, até das autoridades locais que ignoram esse problema.

O comerciante mora na avenida Nilo Simas, no bairro Cidade Nova,  em Itajaí/SC, às margens do rio, há mais de oito anos. “Para os moradores daqui nunca existiu saneamento”, lamenta. Por não possuir saneamento básico, os moradores usam o rio como um depósito de lixo. Restos de comida, papéis e pedaços de madeira se juntam a pouca mata ciliar que ainda resta à beira do Itajaí – Mirim.

Em dias de chuva, a situação é ainda mais alarmante. O rio enche e os moradores sofrem as consequências. “Sempre alaga tudo aqui. Minha casa já alagou várias vezes”, confessa o pedreiro Osmar Antunes, 41, que mora no local há apenas dois meses. Esse problema é antigo. A maioria das casas são de invasões de moradores que não possuíam condições de comprar um terreno em algum bairro da cidade. Assim foi se formando um pequeno povoado no local. Hoje conhecido como parte do bairro Cidade Nova, popularmente chamado de Promorar, a situação virou um desafio para as autoridades locais. De acordo com o secretário de Obras de Itajaí, Tarcísio Zanelatto, existe um projeto em andamento que visa implantar o saneamento básico para todos os bairros da cidade até 2018. Além do longo prazo para a conclusão das obras, o secretário ressalta que nem todos serão contemplados com o projeto. “Nós só daremos saneamento básico para as famílias que pagam IPTU e taxas residenciais para a prefeitura. Todas as famílias que invadiram o local não receberão o saneamento. Pretendemos deslocá-los para casas populares fornecidas pela prefeitura”, completa. No entanto, o secretário também não soube informar quando ocorrerão essas transferências e doações de novas casas para as famílias ribeirinhas.

Não bastasse o problema da falta de condições básicas de moradia para as famílias ribeirinhas, o rio sofre com a forte poluição desses moradores. A falta de conscientização é o principal quesito para a destruição em massa das águas do Itajaí – Mirim. Os danos causados ao ambiente são múltiplos, desde a diminuição da qualidade da água para uso humano, produção agro-industrial, animais e para a vegetação. Assim garante o professor de Biologia e Ciências Naturais da Univali, Danilo Campestrini. “As atividades de uso doméstico e industrial da água que ainda hoje retorna sem o devido tratamento, apesar dos esforços de saneamento básico e do uso racional, também ocasionam a poluição”.

Por outro lado, os órgãos fiscalizadores de Itajaí deveriam monitorar essas irregularidades, mas não o fazem. Assim garante seu Salvador. “A Fundação Municipal do Meio Ambiente (FAMAI) teoricamente precisa fiscalizar os danos ambientais causados ao meio ambiente, mas eles só aparecem por aqui para monitorar aterros sanitários”.

De acordo com o diretor de recursos naturais e de resíduos da Famai, Francisco Carlos do Nascimento, o Serviço Municipal de Água, Saneamento Básico e Infra-estrutura de Itajaí (SEMASA), tem a função de fiscalizar a qualidade da água do rio. “Não sei na prática, mas o Semasa precisa semanalmente comparecer nesses locais para fazer um laudo do rio”. Para reforçar a questão da preservação do meio ambiente o diretor garante que está fazendo o possível para diminuir a poluição do rio. “Estamos construindo a Rede Coletora e Sistema de Tratamento de Esgoto Coletivo. Quando estiver pronta, todos os esgotos da cidade serão ligados a ela. Isto solucionará o problema de esgotos domésticos”.

Principais problemas do rio

Conforme Danilo Campestrini, a situação do Rio Itajaí – Mirim é preocupante pelos seguintes motivos:

Falta de iniciativas por parte das autoridades governamentais sobre as questões do meio ambiente. “Observem a proposta de modificação do Código Ambiental, segundo penso um retrocesso. Enquanto resolve problemas de alguns, por exemplo, a redução da preservação das margens dos rios de 30 metros para apenas 7,5 metros, cria a falsa impressão que os novos limites serão, finalmente, preservados.”

As atividades de mineração, terraplanagem e o uso da água para agricultura e consumo tendem a aumentar rapidamente o que torna o rio ainda mais vulnerável. As barragens e as pontes se tornam a cada dia um perigo maior para a vida do rio.

Falta de tentativas para a recuperação das matas ciliares. “Basta observar que o canal retificado há mais de 40 anos ainda não mereceu um projeto de vulto para a sua recuperação”.

O crescimento da cidade, especialmente a de Itajaí, estrangulando a área da foz do Rio Itajaí Açu e Itajaí Mirim. “Este sem dúvida é o mais grave problema enfrentado hoje pela administração municipal da cidade. Se, por um lado, não pode frear o especulativo mercado imobiliário, por outro, não pode se eximir da responsabilidade das catástrofes anunciadas com as grandes enchentes”.

Adequações

De acordo com o Oceanógrafo, Mestrando em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Sócio-Ambiental pela UDESC e Ambientalista, Caio Floriano dos Santos, é preciso fazer algumas adequações para evitar a total destruição do rio. “Além da implantação do saneamento básico em toda a bacia, é necessário a remoção da população que mora às margens do rio”. Segundo ele, a situação é reversível, mas para isso é necessário vontade política e uma mobilização da sociedade civil. “Cabe ao poder público tomar uma atitude pró-ativa, principalmente no que se refere ao planejamento urbano municipal. No entanto, o que vemos normalmente é um total descaso e falta de coerência nas ações do poder público”.

Dados técnicos sobre o rio Itajaí-Mirim

Veja mais sobre o assunto em PDF:

http://dspace.universia.net/bitstream/2024/210/1/Pinto_RioGrande_RJ.pdf
http://www.bvsde.paho.org/bvsaidis/mexico26/vi-007.pdf
http://www.cpap.embrapa.br/publicacoes/online/ADM096.pdf

Saiba mais:
http://educar.sc.usp.br/biologia/textos/m_a_txt5.html
http://ambientes.ambientebrasil.com.br/agua/artigos_agua_doce/poluicao_da_agua.html
http://www.adital.com.br/site/noticia2.asp?lang=PT&cod=25533

Poluição dos rios