Da ideia na cabeça ao chopp no copo

Empresário brusquense fabrica chopp encorpado e consistente e cria cervejaria que é  “zehn”

Hamilton da Silva

Marco Aurélio Kistner



Em 2002 um grande apreciador de cerveja chamado Hylário Zen teve a iniciativa de fabricar seu próprio chopp e logo iniciou a produção de 100 litros por mês. “O sabor inigualável se espalhou entre os familiares e amigos, levando a aumentar a produção”, explica Zen.

Assim, em 24 de outubro de 2003, foi fundada a Zehn Bier, realizando um sonho de produzir um chopp artesanal com as verdadeiras características alemãs de puro sabor. Zehn significa “dez” em alemão, que é a proposta da cervejaria. Numa era de culto à tecnologia, o chopp artesanal segue firme na proposta de valorizar as tradições.

Produtos

Hilário Zen ressalta que a principal característica do Chopp Zehn Bier é a de não ser filtrado, o que deixa a bebida mais consistente e encorpada. “O processo de maturação e fermentação formam um produto de sabor inigualável. Sem qualquer adição de produtos químicos o chopp é testado, embarrilado e engarrafado diretamente dos tanques”.

O chopp, como outras bebidas alcoólicas, segue sempre uma determinada classificação. Pode ser de acordo com o teor alcoólico, tipo de extrato utilizado, características do malte ou ainda o tipo de fermentação.

A bebida Pilsen, chopp ou cerveja, é a mais consumida no Brasil e tem esse nome por se utilizar de um tipo específico de malte chamado Pilsen – originário da cidade de Pilsen, na República Checa. Suas características incluem a utilização de extrato primitivo e baixa fermentação (baixo teor de extrato que resulta em um sabor menos amargo no produto final) durante a fabricação. A Pilsen também é reconhecida por sua cor clara e teor alcoólico médio (de 3% a 5%). Existem centenas de tipos de chopp em todo o mundo; desses, a imensa maioria pode ser classificada em Ale ou Lager. As cervejas do tipo Ale são produzidas por meio de alta fermentação (fermentação induzida por altas temperaturas) e as do tipo Lager utilizam-se de baixa fermentação (a temperaturas baixas). As cervejas Pilsen e Bock, mais comuns no Brasil, são classificadas como Lager, consideradas mais leves e secas que suas irmãs Ale, cujo principal expoente é a irlandesa Guinness.

Chopp Porter:

Sua produção é de origem inglesa e fabricada a partir do processo de fermentação alta, assim chamada porque ela ocorre a uma temperatura elevada, fato que leva as leveduras a subirem à superfície deixando a cerveja escura, forte e encorpada. Produzido com três tipos de malte (Pilsen/Pilsen Torrado/Pilsen Caramelo) tem o teor alcoólico mais acentuado.

O idealizador da Zehn Bier em Brusque aproveitou para comercializar, “Os dois tipos de chopp estão a disposição em barril de 10, 20, 30, 50 litros e garrafas de 600ml e Long Neck de 355ml”.

Hilário Zen ressalta que, atualmente, a Zehn Bier atende a maior parte das festas de outubro em Santa Catarina e fora do estado também. “Nós cumprimos uma lei, denominada “Pureza da Cerveja”, e o nosso produto vem sendo bem aceito e procurado para as mais diversas confraternizações através do nosso disque chopp. Como servimos aqui na Zehn Bier, é servido nas festas também, com a mesma qualidade e sabor”.

O empresário diz que o sabor do produto não altera no transporte quando é solicitado. “O chopp é embarrilado e engarrafado diretamente dos tanques, e isso ajuda”.

A Reinheitsgebot ou Lei da Pureza  da Cerveja

Guilherme IV, duque da Baviera (região alemã onde está Munique), no dia 23 de abril de 1516, assinou a Reinheitsgebot, a Lei de Pureza da Cerveja – a qual determinava que a cerveja local, só poderia, dali em diante, ser produzida utilizando-se apenas água pura, malte e lúpulo. O fermento, por sua vez, foi incluído nesta lei algum tempo mais tarde, uma vez que ainda não era conhecido.

Veja a Lei na íntegra:

“Como a cerveja deve ser elaborada e vendida neste país, no verão e no inverno: Decretamos, firmamos e estabelecemos, baseados no Conselho Regional, que daqui em diante, no principado da Baviera, tanto nos campos como nas cidades e feiras, de São Miguel até São Jorge, uma caneca de 1 litro (1) ou uma cabeça (2) de cerveja sejam vendidos por não mais que 1 Pfennig da moeda de Munique, e de São Jorge até São Miguel a caneca de 1 litro por não mais que 2 Pfennig da mesma moeda, e a cabeça por não mais que 3 Heller (3), sob as penas da lei. Se alguém fabricar ou tiver cerveja diferente da Märzen, não pode de forma alguma vende-la por preço superior a 1 Pfennig por caneca de 1 litro . Em especial, desejamos que daqui em diante, em todas as nossas cidades, nas feiras, no campo, nenhuma cerveja contenha outra coisa além de cevada, lúpulo e água. Quem, conhecendo esta ordem, a transgredir e não respeitar, terá seu barril de cerveja confiscado pela autoridade judicial competente, por castigo e sem apelo, tantas vezes quantas acontecer. No entanto, se um taberneiro comprar de um fabricante um, dois ou três baldes (4) de cerveja para servir ao povo comum, a ele somente, e a mais ninguém, será permitido e não proibido vender e servir a caneca de 1 litro ou a cabeça de cerveja por 1 Heller a mais que o estabelecido anteriormente”.

Guilherme IV, duque da Baviera, no dia de São Jorge (23 de abril), no ano de 1516, em Ingolstadt

A medida foi tomada após o duque ter se embriagado de bebida de má qualidade, o que o deixou irritado e o fez promulgar a lei.

No Brasil as cervejarias artesanais, preocupadas com a qualidade do produto oferecido, como a Zhen Bier, também seguem a lei. Além da mais alta qualidade das matérias primas utilizadas, a Zehn Bier conta com altíssimos índices de higiene e limpeza em todos os processos controlados pelo seu próprio laboratório, tendo sob responsabilidade do seu mestre cervejeiro Curt Zastrow, conhecido e referenciado em todo país, diplomado em Munique no ano de 1972.

Zastrow explica que a qualidade dos produtos é fundamental para uma boa bebida. “Temos grande controle nas matérias primas que compramos, fazemos análises e testes para oferecer o melhor produto aos nosso clientes”.

Zehn Bier:

O nome Zehn Bier foi dado a partir de uma alteração do sobrenome da família Zen, acrescentando a letra “H”, letra inicial do nome do fundador “H”ylário, o resultado dessa alteração é Zehn, que significa dez em alemão.

VÍDEO

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Voyeurismo empresarial

Quando simples cliques podem ser transformados em repreensão

 

Fernanda Ribas de Oliveira
Lucas Bezzi Negrão
Priscila Fernandes

Você está na mesa de trabalho e ao ligar o computador consulta os e-mails da empresa e depois, ao abrir o correio eletrônico pessoal, uma mensagem de acesso negado surge no seu navegador. Certo de que algo está errado, você tenta se conectar via chat com os amigos e o programa mostra uma mensagem de erro. Sorria, você está sendo vigiado. Dois lados separam o avanço da tecnologia na internet que se faz presente nos cenários empresariais. O lado positivo revela um ambiente virtual que proporciona novas possibilidades de comunicação com o mundo inteiro, independente de onde você esteja. Já o negativo faz com que o internauta fique vulnerável a vários tipos de invasões, desde os vírus enviados por e-mail à monitoração de seus cliques, página a página.

O “Big Brother” coorporativo

O clássico 1984 de George Orwell, em que um regime político totalitário fiscalizava e controlava a vida dos cidadãos, relembra a vigilância invasiva do Grande Irmão sobre os cidadãos da Pista de Pouso Número 1 (Inglaterra). Orwell, em 1949, já previa o caminho que as gerações futuras estavam tomando ao relacionar um governo dominador e o controle da sociedade. O mesmo acontece nos setores de informática e tecnologia das grandes empresas, só que neste caso, as câmeras são trocadas por softwares de monitoramento. As ações do funcionário no ambiente virtual estão cada vez mais expostas e isso acaba por permitir que a empresa julgue através da navegação o potencial profissional do empregado.

Em virtude dessa nova realidade, os empregadores buscam nos serviços de informática, softwares capazes de mostrar as atividades de seus funcionários neste cenário. Marcelo, 26 anos, é proprietário de uma rede de lojas de informática em Itajaí e oferece a seus clientes o controle das atividades dos funcionários através de seus computadores. Ele explica que a partir do momento que é possível o acesso à rede da empresa, o usuário já está sendo observado pelo sistema de monitoramento.

Existem no mercado diversos softwares que são instalados no servidor da empresa para armazenar informações. Eles podem monitorar e bloquear serviços como mensageiros instantâneos, redes sociais, instalação de programas, entre outros. Empresários podem rastrear e-mails, histórico de navegação e até consultar em tempo real as telas dos computadores de suas empresas. Por mais inocente que seja o conteúdo que o empregado utilize na internet, os rastros deixados no sistema podem vir a ser utilizados contra ele.

Em 2008, a Websense, líder global nos serviços de segurança de dados, internet, e email, realizou entrevistas com funcionários de empresas de grande porte, de toda a América Latina, para descobrir quais são os hábitos que os funcionários têm durante o expediente de trabalho. Foi levado em conta fatores de risco que influenciam na segurança da empresa. A pesquisa nomeada “Web@Work 2008”, divulgou que 95% dos funcionários navegam com motivos pessoais durante o expediente, sendo que 75% deles admitem visitar sites perigosos para seus empregadores. Entre as páginas mais visitadas estão: bancos e finanças (77%), notícias, páginas governamentais e email pessoal (75%).

 Mariana Farias, 25, é funcionária a cinco anos de uma multinacional em Itajaí que atua na área industrial. Entre suas atividades profissionais estão o uso diário de e-mails. Desde o primeiro dia no emprego não havia bloqueio de acesso a nenhum tipo de site, entre, porém há cerca de um ano a diretoria começou, sem aviso prévio, a restringir ferramentas como MSN e o orkut. “O bloqueio aconteceu sem qualquer justificativa. Eu utilizava o meu MSN e minha produtividade não era afetada por isso. Acredito que os funcionários deveriam tomar conhecimento do motivo desta decisão”. Mês após mês, redes sociais como o Twitter, o Flickr e o Facebook foram bloqueados sem aviso.

“O problema está na intenção do proprietário da empresa em vigiar as ações de seu empregado. Muitos monitoram a navegação exagerada que influencia o rendimento, contudo a grande maioria procura com este controle bisbilhotar a vida pessoal do funcionário”. Marcelo conta que o MSN é o meio social que mais ocasiona problema, já que o empregador pode ler todas as conversas feitas no local de trabalho. “Caso a empresa faça esse tipo de monitoramento, acredito que o mais sensato seja que o funcionário seja comunicado sobre isso. Muitos desconhecem que são vigiados e acabam falando demais”.

Bom senso na hora de vigiar

A advogada trabalhista de Videira, Ana Lucia Correa, 26, considera que o bom senso do empregador diante da invasão de privacidade do empregado é fator definitivo para caracterizar a ação trabalhista, movida por ambos os lados. Muitos funcionários acabam sendo demitidos por justa causa após o uso indevido da internet. “É direito do trabalhador ter contato com a vida pessoal durante o expediente, já que em muitos casos acontece exatamente o contrário. Ignorar o fato de que os meios de comunicação estão cada vez mais favoráveis para a troca de informação pode ser visto como um controle excessivo por quem é monitorado, por isso não é indicado generalizar este uso errôneo pois muitos funcionários utilizam o ambiente virtual de maneira adequada”.

Com o avanço da tecnologia as empresas justificam o monitoramento de seus funcionários pela questão da produtividade afetada no ambiente de trabalho. Sandra Carvalho, 59, proprietária de dois restaurantes na cidade de Pomerode solucionou o problema de outra maneira: ela retirou o acesso à internet dos computadores de seus estabelecimentos. “Percebi que os funcionários que ficavam no caixa perdiam muito tempo verificando e-mails pessoais e sites, e perdiam o foco durante o expediente de trabalho”, conclui.

Enquete: Quais são os seus hábitos no mundo virtual na hora do trabalho?

Tecnologia Militar Brasileira

Um panorama das estratégias e potencialidades bélicas nacionais

 Bolívar Hetzer Salerno
Felipe Thiago Conrad
Mayella Rawietsch Krause

 Engana-se quem pensa que tecnologia militar é apenas a evolução de armas, mísseis e caças utilizados na segurança nacional. As tecnologias militares são componentes da área da tecnologia de defesa e segurança. Enquanto a primeira é o agregado de conhecimentos teóricos e práticos – como técnicas, métodos, procedimentos produtivos, gerenciais e organizacionais – a segunda atribui-se aos conhecimentos científicos, empíricos e intuitivos que são utilizados na produção de bens e serviços envolvidos na defesa e na segurança de um país. Afinal, nem todas as ações estratégicas envolvem meios bélicos.

A importância estratégica das tecnologias militares, desde a produção até sua comercialização, está intimamente ligada com questões políticas. Governos, interessados nos ciclos tecnológicos, interferem nas pesquisas, com imposições regulatórias, por serem os principais usuários e patrocinadores destes produtos. Há casos em que os produtos desenvolvidos para atender questões militares passaram a ser utilizados no meio civil. Dois claros exemplos são a Internet – criada durante a Guerra Fria para assegurar a comunicação das bases militares dos Estados Unidos mesmo que boa parte do país fosse destruído -, e o conhecido GPS, Global Positioning System. “É a chamada tecnologia dual, pois pode ser utilizada na produção de serviços tanto militares quanto civis”, afirma Waldimir Pirró e Longo, doutor em Engenharia e Ciência dos Materiais e Metalurgia pela University of Florida e pesquisador do Núcleo de Estudos Estratégicos da Universidade Federal Fluminense.        

No Brasil, desde o Império até a Segunda Guerra Mundial, o pouco e rústico equipamento militar era produzido por indústrias do governo. O desenvolvimento de tecnologia militar foi prioridade durante a ditadura e a partir da década de 70 houve um período de expansão. “Optou-se pela indústria civil e houve um boom com empresas como a Engesa, Avibrás, Novatração, Órbita e outras”, explica Waldimir, “só que essas empresas desmoronaram com a crise econômica, com a falta de encomendas e com o fechamento do comércio exterior. Hoje, nós estamos numa situação bastante pobre em relação a equipamento bélico nacional”.

Apesar do Ministério da Defesa ter algumas iniciativas, não há estímulo ao desenvolvimento da tecnologia, nem políticas de governo duradouras. Expedito Carlos Stephani Bastos, pesquisador de assuntos militares da Universidade Federal de Juiz de Fora, explica que as empresas brasileiras não têm interesse em vender suas tecnologias para as forças armadas porque negociar com o governo nem sempre é lucrativo. “Muitas empresas acabam quebrando. A iniciativa privada não quer correr o risco simplesmente porque o governo não possui projetos de renovação de equipamentos militares e nem política de compra mínima – algo essencial para justificar todo o investimento gerado na pesquisa”, afirma. A consequência disso é a dependência externa, agravada pelo alto preço dos produtos que envolvem tecnologia militar, um tanque de guerra custa cerca de U$ 7 milhões e um veículo de rodas blindado, € 3 milhões.

           

A importância da pesquisa e do desenvolvimento da tecnologia militar

“Não existe poder sem força. Para se impor, você tem que ter respaldo ou, pelo menos, dissuadir os outros de reagirem”, sustenta Waldimir. Forças armadas com capacidade de resposta imediata são fundamentais para preservar os interesses de um país. A curto prazo, o Brasil tem duas grandes ameaças: a Amazônia e o petróleo brasileiro, afinal, a propriedade das fronteiras marítimas não está assinada por todos – os Estados Unidos, até hoje, não aceitaram economicamente essa questão de zona exclusiva. “É fundamental para o projeto de dissuasão brasileiro, o submarino atômico. Com uma extensão marítima como a nossa, temos que ter uma Marinha capaz de patrulhar a nossa zona de exploração econômica exclusiva, que chamamos de Amazônia azul. É uma área imensa que o Brasil deve cuidar e impedir que seja invadida ou explorada por outros. E é lá que estão nossas reservas de petróleo”, explica.

Assista a reportagem produzida pela TV Globo em agosto de 2009, mostrando o interesse de Barack Obama no pré-sal brasileiro e enviar tecnologias militares dos EUA para o Brasil.

Mundialmente, o maior incentivador do meio científico continua sendo a área de defesa. Enquanto os Estados Unidos repassam metade do orçamento federal para pesquisa científica e tecnológica militar (69,8 bilhões de dólares em 2004), o trabalho “Ações indutoras na área da Defesa”, realizado pelo MCT/FINEP, mostra que, em 2008, o Brasil dedicou apenas 267 milhões de reais, sendo 80 milhões em subvenção – ou seja, pagos pelo governo.  Expedito aponta como causa a falta de integração da área das tecnologias militares com uma política única de Ciência e Tecnologia. “Precisamos, além de participação estatal direta e concreta – com apoio à fabricação e comercialização de produtos de defesa – de uma estratégia eficiente para que essas indústrias sobrevivam. Precisamos de apoio por parte da Política Nacional de Defesa”.

A indústria bélica brasileira praticamente desapareceu. A única empresa remanescente, exportadora e de grande porte, é a Embraer – que possui departamento de defesa e fabrica aviões militares. “A Embraer faz o avião Tucano, agora vai fazer um transporte de tropa tão grande quanto o Hercule C-130, fez o AMX em consórcio com a Itália, o EMB-145 militarizado e outros. Nós temos que reconstruir e avançar com a indústria local porque o pior da dependência externa é criar emprego nos outros países”, aponta Waldimir.

Ouça o Podcast com Waldimir Pirró e Longo sobre a produção de tecnologia própria brasileira:

 Sobre os impactos de produção militar no Brasil, sugerimos a leitura de um dos artigos de Waldimir. (Impactos do desenvolvimento científico e tecnológico na Defesa Nacional)

 

A questão nuclear

Após a Segunda Guerra, os grandes líderes mundiais passaram a se preocupar com a possível proliferação do uso da energia atômica como meio de destruição de massa. Preocupados em não perder superioridade tecnológica, em 1946 os Estados Unidos criaram o Atomic Energy Act que proibia a transferência, para o exterior, de qualquer conhecimento sobre assuntos nucleares. Vinte e dois anos mais tarde, entrou em vigor o Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares (TPN) – do qual o Brasil, atualmente, faz parte. O TPN proíbe os cinco estados nucleares conhecidos na época (China, França, Rússia, Reino Unido e Estados Unidos) de transferirem armas nucleares e prestarem assistência para a sua aquisição, bem como proíbe os estados não-nucleares de receber, desenvolver, produzir ou adquirir armas nucleares. No caso do Brasil, o país não pode mais possuir armamento atômico desde o governo Collor.

Em sua tese de doutorado pelo Instituto Militar de Engenharia do Exército (IME), o físico Dalton Ellery Girão Barroso desenvolveu cálculos e equações que permitiram interpretar modelos físicos e matemáticos de uma ogiva nuclear W-87. Em, 2009, Dalton publicou o resultado de seus estudos no livro “A física dos explosivos nucleares”, despertando a atenção da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEIA) – responsável pela fiscalização de armas nucleares no mundo. A intromissão da AIEIA em atividade acadêmicas, alegando que os dados revelados no livro eram secretos e restritos aos países que desenvolvem artefatos para aumentar arsenais nucleares, gerou insatisfação da área militar. Dalton apenas afirmou que “não precisa fazer a bomba, basta mostrar que sabe”.

 Ainda assim, o Brasil revela-se incapacitado de produzir artefatos atômicos. Ouça o podcast em que Waldimir fala sobre o assunto:

 

 Países bem menores como o Brasil produzem armas nucleares, como no exemplo do Irã, que produz mísseis nucleares de longo alcance. (Clique na figura para vizualizar melhor)

 O cerceamento tecnológico

 A partir da Segunda Guerra, os países líderes no desenvolvimento científico e tecnológico passaram a praticar o cerceamento de terceiros ao acesso a tecnologias sensíveis – ou seja, tecnologias que um país, ou grupo de países, considera que não deva dar acesso, por um determinado tempo, a outros países por questões de segurança.

A primeira organização criada para coordenar as restrições à exportação de tecnologias sensíveis foi o Coordinating Commitee For Multilateral Export Control, fundado em 1949, e que coibia transferências tecnológicas para os países comunistas. Atualmente, o Protocolo Adicional do TPN faz parte de uma estratégia das grandes potências de estabelecerem o cerceamento. São mecanismos encontrados para manter a competitividade norte-americana intacta, impedindo a comercialização de bens estratégicos para países que tenham potencial de competição.

Waldimir afirma que “não existe país no mundo que seja respeitado e não tenha uma indústria própria. Exemplo: Estados Unidos, China, Rússia, Índia, Alemanha, Inglaterra, França e outros. Mas dos países que nos alinhamos, nós somos o único desarmado”. Ainda assim, questões como a defesa nacional e o desenvolvimento científico e tecnológico brasileiro já começaram a ser politicamente discutidos. “Hoje uma das prioridades do Ministério da Defesa é estabelecer uma indústria bélica própria que, paulatinamente, deve ganhar autonomia. A diferença é que os contatos de compra que estamos fazendo, sempre têm transferência de tecnologia. Nós não queremos só comprar um avião, ou um tanque, nós queremos ser sócios no desenvolvimento”.

Novas tecnologias aprimoram a inclusão social

Máquinas caça-níqueis são transformadas em equipamentos computacionais

Carlos Magagnin
Daiane Louise Basso
Ricardo Aoki

Proibidos desde 2004 com o decreto do presidente Luis Inácio Lula da Silva, os bingos continuam operando de forma clandestina em todo o Brasil. O jogo clandestino, conforme levantamento feito pela Polícia Federal movimenta R$ 3 bilhões por ano e tem forte repressão por parte do estado. As máquinas de bingo e caça-níqueis estão espalhadas por diversos pontos comerciais dificultando a fiscalização.

No estado de Santa Catarina a Polícia Civil e a Federal conseguiram desativar, em 2009, aproximadamente 250 pontos de jogatina e apreenderam três mil máquinas caça-níqueis. A maioria das apreensões aconteceu em Balneário Camboriú e cidades litorâneas. Segundo o delegado da Polícia Civil de Balneário Camboriú, Arthur Nitz, a apreensão dos equipamentos resolve um problema e causa outro, tendo em vista que os equipamentos apreendidos são depositados ao ar livre.

Porém, com a proibição das máquinas caça-níqueis, uma questão social é favorecida com a transformação dos equipamentos de jogatina em aparelhos de informática. Esse processo vem sendo coordenado pela organização não governamental Rede PIÁ – Reciclagem Digital Educativa Pró-Infância e Adolescência desde novembro de 2007.

Clique aqui e veja a apresentação do projeto Rede Piá

O programa conta com a participação de sessenta e seis universidades do estado de Santa Catarina, entre elas a Universidade do Vale do Itajaí (Univali), Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul) e Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Contando com o apoio e coordenação das instituições de ensino superior (IES), Secretarias de Desenvolvimento Regionais (SDRs), Rede de Laboratórios de Experimentação Remota (RExNet) e do Ministério Público do Estado.

Confira o Artigo da Unisul sobre a transformação caça-níqueis em equipamentos de educação

O objetivo do projeto é inserir de forma didática e pedagógica o uso da tecnologia digital nas escolas de ensino básico e médio das redes públicas municipais e estadual, bem como de organizações governamentais e não governamentais que prestam atendimentos às comunidades carentes.

A participação das universidades no projeto é importante, pois conta com a inclusão de estudantes de ensino superior na transformação das máquinas em computadores. A maior parte dos equipamentos é destinada para o uso de crianças de quatro a seis anos. Outro benefício da Rede Piá é a adaptação dos materiais eletrônicos para a utilização de portadores de necessidades especiais.

A conversão dos equipamentos é feita por técnicos de informática que utilizam softwares livres que estão disponíveis gratuitamente para download na internet. Conforme Chris Namurth, bolsista do curso de Ciências da Computação da Universidade do Vale do Itajaí, um dos responsáveis pelo projeto, o programa estimula a coordenação motora, a alfabetização e a inclusão digital dos alunos ao universo tecnológico.

Em Balneário Camboriú a parceria está contemplando os núcleos de educação infantil Carrossel, Rio das Ostras e Novo Tempo com equipamentos já adaptados para o uso das crianças. A secretária de educação do município, Christina Barichello, destaca a importância da transformação das máquinas, que são símbolos da contravenção, em equipamentos de aprendizado.

O material utilizado é 100% reciclado dos caça-níqueis apreendidos. Os jogos educativos são inseridos com a utilização de pen-drives já que os originais não possuem Hard Disks (HDs). O coordenador do projeto, João Carlos Nascimento Maia, explica que todo o material utilizado é resultado das apreensões feitas pela Polícia Federal e totalmente liberado pela justiça para que possam ser transformados em computadores.

Confira a entrevista com o coordenador do Projeto – João Carlos Nascimento Maia

Novas tecnologias e informação para as comunidades

Na esquina da Rua Grécia já se ouviam vozes de crianças. Eram nove horas da manhã e o ambiente já estava bem agitado. A correria somente parou quando o sino soou e a hora do lanche foi anunciada. Pães e frutas faziam parte do café da manhã dos alunos do Núcleo de Educação Infantil Carrossel de Balneário Camboriú. Sentados à mesa, lado a lado, os pequenos se deliciavam com a refeição matinal.

No último dia 8, o ambiente também se encontrava bem animado, entre autoridades municipais, imprensa, visitantes e apresentações de turmas, o núcleo infantil recebeu doze computadores do Projeto Rede Piá. Segundo a diretora do Carrosel, Lídia Radke, os jogos inseridos nesses computadores foram bem desenvolvidos pedagogicamente e também foram calculados para essa faixa etária.

“Aqui no Carrosel, crianças entre 4 e 6 anos estão usando os computadores, sendo que até pequenos de 3 anos já sabem utilizar os jogos pedagógicos”, conta a diretora. O interessante é que com os computadores do Projeto Rede Piá, o núcleo infantil consegue realizar até duas aulas por semana, com essa mídia, para as crianças.

Antes de a escola receber os computadores do Projeto Rede Piá, outros instrumentos eram utilizados para aprimorar as atividades educacionais. Um deles, conta a diretora, foi o uso da música clássica. “Criamos o Projeto Beethoven como forma de aprimorar o desenvolvimento do cérebro desses alunos. Mesmo que essas crianças ainda não saibam ler e escrever, elas sabem ouvir e conseguiram repassar a história deste renomado compositor para seus familiares”, diz Lídia.

O Núcleo de Educação Infantil Carrossel solicitou aos pais que construíssem instrumentos musicais com sucata e o resultado foi brilhante. “Além de conseguirmos integrar a realização da atividade com a educação, conseguimos que os pais tivessem um maior relacionamento com seus filhos, visto que hoje em dia o contato familiar é cada vez menor”.  Lídia ainda acrescentou que antes de considerarmos as crianças hiperativas, devemos entender o processo educacional e buscar métodos para auxiliar esses pequenos. Uma dessas alternativas pedagógicas, que veio para somar, foi o Projeto Rede Piá.

O mais interessante do projeto, segundo a diretora, é que ele uniu diversas entidades, como Polícia Civil e Militar, Prefeitura, Univali e Educação, ou seja, várias pessoas se uniram por uma única causa. Para Lídia, a frase “Educação é um dever de todos”, está sendo traduzida neste projeto.

Portos brasileiros podem adotar modelo de navegação de portos europeus

A lama fluida, que é vista por muitos portos como um problema que gera gastos significativos, pode se transformar em uma solução bastante viável em termos de custos e ecologicamente correta para os portos de estuário.   

 João Henrique Baggio   

A navegação em lama fluída pode ser uma grande alternativa para os portos estuarinos reduzirem os custos com dragagens e se encaixa na realidade do Complexo Portuário do Itajaí. A lama fluída é uma suspensão altamente concentrada de sedimentos finos com baixa densidade que possui leve tendência de sedimentação, presente no fundo de portos situados em estuários. No Brasil a deposição desses sedimentos é vista como um problema para a navegação em portos de estuário que obriga as autoridades portuárias a investir pesadamente em dragagens para a sua retirada. No entanto, existem técnicas que permitem a navegação em lama fluida, uma solução mais prática e, principalmente, mais barata que a dragagem.   

Ronaldo Silva Júnior/Porto de Itajaí

Porto de Itajaí

Embora essas técnicas já sejam amplamente utilizadas na Europa há décadas, elas ainda são insipientes no Brasil. O capitão-de-Mar-e-Guerra Antonio Fernando Garcez Faria, diretor do Centro de Hidrografia e Navegação da Marinha, explica que a navegação em lama fluida é uma oportunidade ainda não explorada no país por falta de conhecimento e investimentos em pesquisas, mas que pode possibilitar ganhos significativos de calado com custo/benefício bastante satisfatório.   

Antônio Ferreira Garcez

“Esse sistema já é utilizado por portos da Bélgica, Holanda, Alemanha, China e Guiana Francesa com excelentes resultados e também, certamente, poderá ser adaptado à realidade de Itajaí e de outros portos brasileiros”, afirma Garcez. O especialista acrescenta que a lama fluida é vista por muitos portos como um problema, que gera constante necessidade de dragagens com gastos significativos, pode se transformar em uma solução bastante viável em termos de custos e ecologicamente correta para os portos de estuário.

 

Porto de Endam/Divulgação

Porto de Endem

Ronaldo Silva Júnior/Porto de Itajaí

Rewert Wurpts

Para o engenheiro e pesquisador Rewert Wurpts, com mais de 40 anos de experiência e com diversas pesquisas na navegação em lama fluida nos portos europeus [com ênfase para o porto de Endem], o custo de adequação de um porto ao sistema de fluidificação de lama é muito mais baixo que investimentos em dragagens de manutenção. “É muito mais barato tratar a lama do que retirar e jogar fora, sem contar que o processo praticamente não agride o meio ambiente”.   

O diretor da empresa Coastal Planning e Engineering do Brasil, Lindino Benedet, afirma que esse modelo de navegação pode gerar um ganho de calado, no caso específico de Itajaí, entre 0,50 e 1 metro. “Mas para afirmamos um número preciso ainda são necessários muitos estudos”, complementa.   

 O superintendente do Porto de Itajaí, Antonio Ayres dos Santos Júnior, destaca a importância desses estudos para o Complexo Portuário do Rio Itajaí na busca de segurança na navegação e redução de custos. “São alternativas que trazem para nossa realidade possibilidades de grande valia para entendermos o comportamento dos sedimentos estuarinos, que hoje representam um problema constante com o qual convivemos”, diz.   

 Segundo Ayres, com a compreensão dessa tecnologia a Autoridade Portuária de Itajaí vai poder buscar alternativas para que o Complexo Portuário opere mais adequadamente, com segurança, mas também com economia.   

Confira apresentação:
Apresentação técnica Lama Fluída (em Inglês)   

Vanguarda – Para Rewert Wurpts, o Complexo Portuário do Rio Itajaí já caminha naturalmente para a adoção desse procedimento, uma vez que já opera com o método de dragagem por injeção de água desde 1998, quando a Autoridade Portuária contratou os serviços da Somar Serviços de Operações Marítimas Ltda. para as dragagens de manutenção.   

“O procedimento adotado por Itajaí há mais de dez anos é largamente utilizado nos portos europeus, com mais vantagens que os métodos tradicionais”, acrescenta Wurpts. O diretor Técnico do Porto de Itajaí, André Pimentel, concorda com o especialista alemão com relação à redução nos impactos ambientais com a utilização da dragas de injeção de água, em comparação com os impactos gerados por dragas auto-transportadoras.   

Ronaldo Silva Júnior/Porto de Itajaí     

 Tipos mais comuns de dragas   

 • As dragas hopper apresentam o maior rendimento dentre todas as opções de dragas, não obstruem o canal de navegação, operam com ondas de até 3 m de altura e permitem despejo em áreas distantes e profundas. O seu custo, por outro lado, também é o maior dentre todas as alternativas, sua operação provoca mistura de sedimentos e há perda de rendimento. A contaminação provocada pela mistura de sedimentos é significativa e este é o motivo pelo qual o volume diário de dragagem é limitado nesse tipo de operação.     

• As dragas de injeção de água promovem a resuspensão do material sedimentado, permitindo que a própria corrente remova o sedimento. As vantagens são o elevado rendimento com finos, custo inferior, não obstrução do canal de navegação, a operação em ondas e trabalho em ondas de areia (retificação de fundo de canais). Desvantagens são a mistura de sedimentos proporcionada e o desempenho desprezível para remoção de areias.   

   

Nova tecnologia para produção de mexilhões

Luana Martins

Melina Manfredini

http://www.restaurantetemperodabahia.com/UserFiles/marisco_ao_vinagrete.jpg

Ao vinagrete, gratinados, com molho branco, risoto ou fritos. Estas são algumas das opções de preparo dos moluscos bivalves produzidos em fazendas marinhas no Estado de Santa Catarina. Para se chegar a esse produto final, apetitoso, limpo e pronto para degustação, cerca de 700 famílias de pescadores Catarinenses, 96 delas no município de Bombinhas, trabalham na produção, cultivo e colheita destes organismos.

A Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extração Rural de Santa Catarina, Epagri, finalizou, no mês de outubro, a pesquisa experimental de uma nova tecnologia para a produção de mexilhões, nomeada como Sistema de Produção Contínuo, implantada em 2006 na Praia de Canto Grande, Bombinhas (veja o mapa). Conheça o novo sistema de produção

Melina Manfredini

Nova tecnologia desenvolvida pela Epagri

Para conhecer um pouco mais sobre o tema, leia o Trabalho de Conclusão de Curso de Bruno Ghisi Bossle sobre o assunto.

Veja aqui um vídeo em que Alex mostra o Sistema Continuo de Producao de marisco em Canto Grande, Bombinhas.

Um dos objetivos do equipamento é a mecanização do processo de colheita e plantio, atualmente realizado pelos produtores de maneira artesanal, o qual exige tempo e grande esforço físico. Caso seja implantado, o projeto experimental deve impulsionar a produtividade da maricultura na região.

Melina Manfredini

Linhas de cultivo artesanal

Confira aqui o vídeo em que Alex mostra sementes de mariscos.

A adesão a esse novo sistema de produção de mexilhões deve ocorrer de forma gradual e adaptada à realidade dos maricultores em Santa Catarina, bem como a evolução da própria comunidade produtiva e associativa.

É de suma importância a execução da Licença Ambiental para a prática dessa atividade, regida pela Fatma-SC, que normatiza a liberação do uso das áreas de cultivo e efetua um monitoramento para impedir a escassez desse organismo. Segundo o gerente regional da Fatma, Gabriel Santos de Souza, “Nos últimos quatro anos ocorreram várias discussões entre os órgãos regional e federal, ou seja, a Fatma e o Ibama, para decidir quem ficaria com a responsabilidade. Ficou definido pelo Ibama, que a Fatma seria responsável. Porém, atualmente, há apenas uma intitulação e não a prática desta decisão”.

A militicultura, cultivo especificamente de mexilhões, também conhecidos como mariscos, por exemplo, é pouco rentável no Brasil se comparada ao camarão (crustáceo). O volume de cultivo de camarão coloca o Brasil na oitava posição mundial neste segmento, mas ainda é o 26º nas exportações.

Para assumir tal compromisso a produção de camarão possui uma licença ambiental que se adéqua a um programa de rastreabilidade, exigência imprescindível internacionalmente.

Igualmente ao camarão, os mexilhões carecem de um rigoroso processo de fiscalização sanitária, mesmo que ainda não sejam exportados. Percebe-se a proporção massiva da comercialização desse alimento produzido em Santa Catarina e a circulação apenas nas regiões mais próximas. Para o produto ser comercializado fora do Estado é necessário possuir um selo de Inspeção Federal do Ministério da Agricultura D.

Melina Manfredini

Mexilhões

A produção de mexilhões, de acordo com a Epagri, cresceu 7,47% no Estado de 2007 para 2008, o que representa 13.107,92 de toneladas. Confira abaixo as cidades de SC que ocupam a melhores posições  no ranking de produção de marisco e a safra de 2008

http://www.epagri.rct-sc.br/index.php?option=com_content&view=article&id=208:mexilhoes-ostras-e-vieiras&catid=29:maricultura&Itemid=48

Impacto ambiental

As praias catarinenses, principalmente a de Bombinhas, são tomadas por veranistas de dezembro a março todos os anos. Esta época é quando o telefone do órgão ambiental do Estado, Fatma, da região do litoral norte, localizado em Itajaí, registra um elevado número de ligações. A maioria se refere a reclamações de poluição visual, ocasionada pela produção de marisco e pela pesca em geral.

Melina Manfredini

Poluição

Redes de pesca, resíduos, plásticos, pedaços de cordas são encontrados jogados na areia e no mar, muitas vezes importunando turistas e proprietários de casas a beira mar. Além desse fator, a natureza propulsiona metais naturais no oceano, e o contato do marisco com estes metais coloca em risco a saúde de quem consome este produto.

A extração desordenada das sementes de mexilhões por maricultores catarinenses artesanais, no início da década de 90, promoveu impactos negativos e condicionou a criação de um coletor artificial para minimizar a ação. O coletor ainda utilizado funciona como uma repicagem das linhas de cultivo.

A repicagem é baseada na obtenção de sementes fixadas nas linhas de cultivo, a mão de obra é alternativa, por isto se percebe integrantes de uma mesma família envolvidos nessa atividade.

A intervenção de setores de pesquisas, preocupados com a qualidade da água onde esses mariscos são produzidos, promoveu a participação de instituições como a Universidade do Vale do Itajaí, Univali.  No laboratório do Centro de Maricultura, Campus de Itajaí, inicialmente eram produzidas larvas, hoje são promovidas pesquisas e estudos com alunos do curso de Oceanografia no intuito de preservar as espécies. A produção de sementes em laboratórios apresenta custo elevado e depende de grande estrutura operacional. Segundo o coordenador do Centro de Maricultura da Univali, Gilberto Manzoni, em sua tese de doutorado publicada em 2005, “é uma possibilidade tecnologicamente viável, funcionaria com substratos artificiais e transferências para o ambiente natural”.

Com a mudança da Secretaria Especial de Pesca neste ano para o Ministério da Pesca, o Governo Federal promete investir mais no setor. De nada adianta utilizar recursos como a multiplicação de larvas em laboratórios se as condições ambientais são reprováveis. A falta de saneamento básico põe em dúvida a procedência dos mariscos.

Os moluscos são filtradores porque se alimentam de organismos marinhos, conseqüentemente, possibilitam o surgimento de doenças como febre, cólera, hepatite viral entre outras. Sendo assim, a qualidade da água não oferece respaldo, e este fato fecha portas para que a indústria de alimentos possa investir na comercialização deste produto, principalmente a título de exportação, que passa por uma fiscalização pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, ANVISA.

Maricultores – Mitilicultura

Recentemente no Brasil, porém em expansão, a mitilicultura faz com que o Estado de Santa Catarina se destaque como o maior produtor nacional desse organismo marinho, com cerca de 95% da produção no país.

O Estado apresenta características oceanográficas favoráveis para a pesca e a maricultura – temperatura adequada das águas, baias recortadas, estuários e enseadas abrigadas. As principais espécies encontradas na região são a ostra do pacífico (Crassostrea gigas), ostra do mangue ou nativa (Crassostrea rhizophorae), vieiras (Crassostrea rhizophorae) e mexilhões.

Bombinhas - baias recortadas

Segundo Gilberto Manzoni “A produção de mariscos já existe desde 1970, mas a partir de 1990, quando as famílias de pescadores se uniram para trabalhar é que a colônia e a produção comercial se tornaram realidade”.

Os produtores e irmãos Almir e Aldir da Silva cultivam mariscos há quinze anos na Praia de Canto Grande, onde nasceram. Os maricultores acompanharam os três anos de pesquisas e a nova tecnologia de produção de mariscos implantada pela Epagri. “Nós gostamos da idéia da máquina, que é mais rápida e não precisa de muito esforço físico, mas é muito cara, e é difícil mudar de uma hora para outra o jeito de plantar e colher mariscos”, comenta Almir.

Fazenda marinha de mexilhoes e o produtor Almir da Silva

De fato, a produção artesanal dos mexilhões exige dos maricultores grandes esforços, por motivo da execução de tarefas rotineiras e do peso das cordas com os mariscos já adultos no trabalho da colheita. Segundo Almir, é possível retirar de 500kg a duas toneladas por dia em cada caiaque – como é chamado o pequeno barco pelos pescadores locais. “Dores na coluna, nos ombros e queimaduras de sol no rosto são freqüentes entre nós, mas depende de quanto tempo se passa no mar”, relata o produtor.

O maquinário, avaliado em torno de 300 mil reais, precisa ser adaptado às condições atuais da produção catarinense. Na praia de Canto Grande, a plantação está bastante densa e as cordas coletoras muito perto umas das outras. “A nova balsa não teria espaço para circular no meio das linhas de cultivo e içar as pencas de mariscos, é necessário um novo mapeamento e delimitação das áreas cultivadas”, explica o engenheiro agrônomo da Epagri/Cedap, André Luis Tortato Novaes.

Assita aqui o vídeo sobre a Fazenda Marinha de Mexilhões em Bombinhas

Investir em tecnologia é indispensável em todas as áreas. O experimento veio em momento oportuno, para aumentar a produção, visto que o número de famílias que trabalham com a maricultura diminuiu em Santa Catarina. Há cerca de 17 anos superava a marca de dois mil e hoje conta com apenas 700 famílias. Entretanto, se os responsáveis continuarem a promoverem ações não pensadas, sem compromisso ambiental, os prejuízos vão ser incontáveis no ecossistema, para nós consumidores e especialmente na sustentabilidade da atividade.